terça-feira, 4 de maio de 2010

CAFETÕES DO "DESEVANGELHO"

CAFETÕES DO “DESEVANGELHO”

Estamos vivendo a época de sermões superficiais onde pregadores são verdadeiros contadores de anedotas e especializados em motivação humana. A ira de Deus está quase completamente ausente nos sermões atuais. Para os cafetões do “desevangelho”, ou seja, do evangelho indolor, não é elegante falar sobre a ira de Deus contra o pecado; nem anunciar às pessoas que a ira de Deus é revelada do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens; é deselegante falar sobre o inferno; a existência do diabo e o juízo vindouro. Os cafetões do evangelho indolor afirmam que as pessoas precisam ouvir mensagens em tom positivo, otimistas, caso contrário, elas não nos ouvirão. Os líderes desse novo tipo de evangelho afirmam taxativamente que a igreja que tem a preocupação em pregar arrependimento, santidade, vida de renúncia e juízo final não conseguirá alcançar os perdidos da cultura atual. Esses líderes pregam uma graça barata, encorajam seus ouvintes a reivindicarem Jesus como salvador, mas podendo deixar para mais tarde o compromisso de obedecê-lo como Senhor. Os cafetões do “desevangelho” estão refinando o verdadeiro evangelho em termos antropocêntrico, ou seja, em vez de pregarem a Cristo crucificado e focalizarem as verdades mais severas sobre o pecado e o juízo de Deus, falam de sucesso e relacionamento interpessoal. Esses pregadores do evangelho indolor enganam seus ouvintes sobre aquilo que eles realmente precisam ouvir, prometendo-lhes satisfação e bem estar terreno, quando o que eles necessitam é de arrependimento, uma visão exaltada de Cristo e um entendimento do esplendor da santidade de Deus. Multidões tem sido conduzida a uma fé superficial, barata, inexpressiva e ineficaz devido à doutrina de salvação deficiente alardeada pelo “desevangelho” dos cafetões. A grande heresia do “desevangalho” é que se estabelece um conceito de fé que elimina a necessidade de abandono de pecado, de mudança de estilo de vida e rendição total ao Senhor Jesus. Os cafetões do evangelho indolor partem da seguinte premissa: “O fulano, que está sem igreja, não será convencido que suas necessidades de bem estar, saúde e segurança psicológica serão atendidas se ele ouvir uma mensagem sobre a necessidade de arrependimento, de abandono de pecado, de uma vida de renúncia, ou ouvir uma exposição do juízo vindouro; ele não pode ser confrontado com o chamado ao auto-exame, porque há o risco de ele não voltar mais a igreja”. Ou seja, esses cafetões transformam a pregação da cruz de Cristo de “loucura para os que perecem” para uma panacéia de necessidades carnais onde não se dá tempo para haver convicção de pecado, nenhuma oportunidade para haver arrependimento profundo, nenhuma chance para se compreender de que se estar perdido, e nenhuma ocasião para que o Espírito Santo opere. Uma das marcas distintivas da pregação dos apóstolos era a defesa da doutrina cristã. A preservação da Palavra era central na vida da igreja primitiva. Quando Filipe desceu a Samaria a Bíblia diz: “E descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo” (Atos 8:5), Pedro se apresentou ao centurião romano em Cesárea e disse-lhe “O Senhor nos mandou pregar ao povo e testificar que Jesus é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (Atos 10:42), Paulo pregou a Cristo crucificado, uma pedra de tropeço para os incrédulos judeus e loucura para os gregos intelectuais (I Co 1:23). A maneira como Paulo confrontou Felix e sua esposa Drusila põe por terra o evangelho indolor. Paulo não lhes ofereceu palavras de conforto, não suavizou sua mensagem em tom positivo, não tentou bajular, lisonjear ou agradar a Felix e Drusila. O objetivo de Paulo não era fazer que o casal se sentisse bem consigo mesmo e ignorasse o juízo de Deus, mas Paulo desejava levá-los a sentirem-se pecadores miseráveis. Por isso Paulo dissertou sobre três assuntos: a justiça, o domínio próprio e o juízo vindouro (Atos 24:25) . Quando Pedro pregou à multidão no dia de Pentecoste, ele não tentou encantá-la, diverti-la ou fazê-la sentir-se bem consigo mesma, mas conclamou a todos que se arrependessem. Aqueles que defendem que o evangelho deve ser apresentado sempre em tom positivo, otimista serão forçados a ignorar partes cruciais das Escrituras tais como Romanos capítulo 1, Lucas capítulo 16, capítulos 6, 8 e 9 de Apocalipse, todas as passagens de advertência do livro de Hebreus e 50% dos ensinamentos de Jesus. A multidão que seguia Jesus era oprimida tanto politicamente quanto religiosamente pelos cobradores de impostos e pelas autoridades religiosas de Israel que lhes impunha pesadas arbitrariedades. Mesmo assim, Jesus disse-lhes que deveriam abrir mão até de suas famílias e renunciar tudo, até a própria vida. Para os cafetões do evangelho indolor a mensagem de Jesus era impopular e insensível às necessidades daquela multidão. Os cafetões de hoje são forçados a darem nota zero a Jesus como pregador, pois sua mensagem foi descontextualizada. O grande mal dos cafetões do evangelho indolor é que eles não preservam a inteireza da Palavra de Deus. Eles se utilizam da psicologia freudiana que suaviza o conceito de pecado e de culpa; se utilizam do postulado da antropologia que diz que o homem é a coisa mais importante do universo, o homem é um “deus” para si mesmo; se utilizam da psicologia de Carl Rogers que ensina como ter sucesso; apegam-se ao postulado da sociologia que toma os valores éticos da Bíblia e os chamam de tabus que devem ser abandonados; utilizam-se veementemente das técnicas de marketing que ensina como fazer com que as pessoas comprem a sua idéia usando a isca do hedonismo para conquistá-las. Mas diante de toda essa catástrofe espiritual Deus sempre levanta um remanescente que prega todo o Conselho de Deus na sua inteireza. O Senhor fez isso no século XII na França levantando os Valdenses; fez isso em Florença na Itália no século XV com as mensagens ungidas e contundentes de Jerônimo Savonarola; no sáculo XVII Deus levantou na Inglaterra os puritanos que lutaram por uma doutrina mais pura, uma liturgia mais pura, uma vida mais pura; no sáculo XVIII, Deus levantou homens como George Whitefield, John Wesley e Jonathan Edwards; no sáculo XX Deus levantou Charles Spurgeon que combateu a contextualização da Palavra de Deus pelo humanismo, e pelos costumes seculares da época.
Levantemo-nos pela verdade, não importando o preço!

Ir. Marcos Pinheiro

segunda-feira, 19 de abril de 2010

CAFETÕES DAS MEGA-IGREJAS

CAFETÕES DAS MEGA-IGREJAS

O frenesi para o mundo dos negócios é: “cresça ou morra, sua empresa precisa ser a maior, portanto, cresça de qualquer jeito”. Essa mentalidade se infiltrou no meio evangélico resultando na construção de mega-igrejas. Essas mega-igrejas estão sendo vistas como um retrato da expansão do Reino de Deus aqui na terra, e tem sido confundido com avivamento. A igreja foi instituída para crescer. Jesus estabeleceu essa missão para a igreja, quando disse: “Ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1:8). À medida que o Evangelho é pregado cumpre-se a promessa de que a igreja se multiplicará. Em apocalipse 7:9 está registrado que o número dos remidos será imenso, mais do que a areia da praia. A grande questão é como ocorre esse crescimento. Não são poucos os livros que estão à venda sobre “Como fazer a igreja crescer”. Nesses livros a tese é atrair as pessoas oferecendo-lhes quatro coisas que elas precisam: sucesso, felicidade, amor e reconhecimento. Daí os temas: “novas metodologias”, “novas estratégias”, “novas técnicas” para encher a igreja. A conseqüência nefasta é que os líderes que aderiram a esse movimento de construção de mega-igrejas perderam a noção do que a igreja é e de como alguém se torna um de seus membros. Frases de cunho empresarial têm sido alardeadas por esses líderes tais como: “Temos o melhor produto do mundo para vendermos – a salvação”; “O que leva a igreja crescer é estar no lugar certo no tempo certo”; “Se você colocar o Evangelho na embalagem correta, as pessoas serão salvas”. Ou seja, a igreja não tem crentes, tem clientes. Clientes que pagam os salários dos pastores e pastores que movem céus e terra para ver sua igreja-empresa cheia.
Em Atos 4:31 nos informa que toda a igreja orava e “Tendo eles orado todos foram cheios do Espírito Santo”, no verso 33 Lucas nos diz que “Em todos havia abundante graça”. Em Atos 9:31 diz que a igreja se edificava no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo, e por isso se multiplicava. Em Atos 11: 24 Lucas vincula a eficácia do ministério de Barnabé, em Antioquia, ao fato de que ele era “cheio do Espírito Santo e de fé”. Portanto, o crescimento numérico nunca foi abordado, no Novo Testamento, como o interesse primordial da igreja. O crescimento vinha como conseqüência dos crentes serem cheios do Espírito Santo, andar no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo. A igreja participava da vida de Cristo, e por isso crescia, não inchava. Não foi a aplicação específica de qualquer técnica ou metodologia que fez a igreja crescer, não foi o mapeamento da receptividade ao Evangelho, nem o estabelecimento de alvos numéricos e nem cada um definindo para si mesmos os dons espirituais que levou o crescimento da igreja, mas foi o envolvimento com a Palavra, com a Doutrina Santa que trouxe o crescimento. Foi a vida de homens e mulheres que se despojaram de sua segurança terrena que trouxe o avivamento. Há pessoas que buscam ter um corpo musculoso e para isso fazem qualquer coisa, inclusive, tomam anabolizantes que dá excelentes resultados quanto ao crescimento da massa corporal. O problema é que os anabolizantes acabam por matar o corpo, através de cânceres, ataques cardíacos e outras seqüelas. Assim tem sido o crescimento de muitas igrejas: anabolizante, doentio, pulvéreo, que no final termina em morte espiritual. Constata-se claramente que o movimento de crescimento de igrejas não tem nada a ver com avivamento, pois a conversão é um mero exercício de persuasão humana e não um milagre da parte de Deus. As mensagens dos cafetões das mega-igrejas são anabolizantes, pois visam atender as necessidades sentidas tais como: reduzir o stress do seu dia a dia, evitar a fadiga da sua psique, construir uma personalidade forte, elevar sua auto-estima. São mensagens confortadoras e não confrontadoras. As mensagens dos cafetões das mega-igrejas têm arruinado a pureza da igreja e está levando as pessoas dizerem que estão salvas antes mesmo de ter a consciência de estarem perdidas. Em suas mensagens, as boas novas de Cristo dão lugar às más novas de uma fé fácil e traiçoeira que não faz qualquer exigência moral para a vida dos pecadores. Jesus é oferecido para suprir as carências psicológicas das pessoas e não para levá-las a reconhecer a sua condição de pecadora. A marca registrada do apelo dos cafetões das mega-igrejas aos incrédulos é: “Experimente Jesus”, ou seja, Jesus é um mero produto de consumo.
Desde o início de seu ministério Jesus evitou adesões fáceis e superficiais. Jesus se recusou a proclamar palavras que dessem aos seus ouvintes uma falsa esperança. Suas palavras nunca deixaram de alertar as pessoas quanto a um compromisso superficial. Jesus nunca apresentou o cristianismo como os cafetões apresentam hoje, uma opção suave, sem calcular o custo de seguir a Cristo. A pregação dos cafetões rebaixa o alto preço da redenção, pois eles anulam o escândalo da cruz, não fazem menção da ira de Deus, não mencionam que Deus odeia o pecado, não chamam as pessoas ao arrependimento e nem alertam que haverá um juízo final. O tema de suas mensagens sempre é: “Deus lhe ama e deseja tornar você próspero, rico e feliz”. Como os cafetões sempre querem derribar celeiros para construir outros maiores, sempre pregam uma mensagem aprazível, adocicada, festeira, gaita, humorística e teatral. Isso lota igreja. Alguns apregoam: “Estamos no avivamento, catedrais e mais catedrais, estão sendo construídas, os seminários estão cheios, os cultos realizados nos hotéis e nos templos estão superlotados”. É preciso entender que o que Deus chama de filhos espirituais, e o que a igreja hoje vem chamando de filhos são duas coisas bem diferentes. Paulo disse aos crentes da Galácia: “Meus filhos, por quem sofro de novo as dores de parto, até Cristo seja formado em vós”. Era como se Paulo dissesse: “Não me digam quantos freqüentam a igreja, não me digam quantos cantores formam o coral, não me digam a quantidade e a qualidade dos instrumentos que acompanham o louvor da igreja, não me falem das obras sociais que vocês realizam. Mas, digam-me quantos estão formados à semelhança de Cristo, quantos estão caminhando na trilha da renúncia e da santidade”.
O Senhor vai encerrar as eras destronando os ministérios dos cafetões das mega-igrejas que adocicam a doutrina de Cristo transformando-a numa doutrina centrada no sucesso e no pensamento positivo. Nesse tempo do fim, Deus levantará servos e servas que lançarão o machado à raiz produzindo cura através do arrependimento e abandono de pecado. Esses servos e servas não foram treinados por métodos humanos, mas foram treinados pelo Espírito Santo porque aprenderam o que é trancar-se com Deus no lugar secreto de oração.

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 10 de abril de 2010

SERMÕES MANIPULADORES

SERMÕES MANIPULADORES

O cristianismo foi, e ainda é um terreno muito fértil para o desenvolvimento de manipuladores. Manipular é tratar as pessoas como “objeto”, é adestrá-las. A igreja atual está sendo atacada veementemente por sermões manipuladores. Estamos vivendo uma época de falta de identidade cristã. O tempo é de blandícia, de contrafação, de sovinice, onde líderes travestidos de cordeiro com mensagens de anjo estão gerando verdadeiros papagaios na igreja: “Repita comigo, eu sou vencedor”, “Olhe para o seu irmão e diga, o gigante será derrotado” é uma espécie de “rosário evangélico”. Os líderes manipuladores ficam o tempo todo nesse rosário, nesse chafurdo, nessa “papagaiada”, nessa lavagem cerebral de cunho motivacional conduzindo as pessoas a desconsiderar a genuína fé em Deus. Os marcos antigos ensinados, pregados e proclamados pelos santos profetas do Antigo Testamento, por Cristo e os apóstolos do Novo Testamento foram desprezados e substituídos pelo “novo sermão”. Nesse “novo sermão” a manipulação é marca registrada. O “novo sermão” é fofo, é confortável, é cama macia, é sem sal e sem luz. Os pastores manipuladores afagam o ego das pessoas, bajulam seus ouvintes com frases do tipo: “Nós somos um povo especial”, “Essa igreja mora no coração de Deus”. O objetivo é levar o ouvinte a aceitar a tudo o que eles pregam. Seus sermões sempre têm um tom humorístico para despertar os sentimentos e as emoções do povo. Bombardeiam seus ouvintes com frases pré-fabricadas, com chavões e slogans para dar a impressão que suas palavras são inquestionáveis. Esses pregadores manipuladores pregam para angariar fama e se comprazem em contestar a singeleza do Evangelho fazendo de seu púlpito destilarias de ficções e fantasias. Eles modificam a verdade para o lado que lhes interessa, torcem o sentido dos textos bíblicos para o sentido que lhes convém. Para os manipuladores o padrão para se avaliar a benção na igreja é o número de freqüentadores, não importa se são salvos ou não, o negócio é ter a “casa cheia”. Todos esses traficantes do mal, travestidos de cristãos, mas falsos profetas são inimigos da cruz de Cristo e amantes de si mesmos. Por onde passam deixam atrás de si rastos melancólicos de trapos humanos, uns desiludidos, outros, impossibilitados até mesmo de vir um dia a levar a sério o verdadeiro Evangelho para a salvação de suas almas.
Em Ezequiel 34:2 lemos: “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos!”. O profeta dirige-se aos líderes que tinham a responsabilidade de cuidar do povo de Deus. Mas, eles tratavam o rebanho de qualquer maneira e de forma abusiva. O versículo 3 diz: “Comeis a gordura, vesti-vos da lã e degolais o cevado, mas não apascentais as ovelhas”. Para Ezequiel, o interesse daquelas pastores estava nos benefícios materiais que poderiam receber das ovelhas – carne, gordura e lã e não nos benefícios espirituais que poderiam e deveriam repartir no cuidado do rebanho. O interesse daqueles pastores não estava centrado no chamado de Deus e no pastoreio e sim no poder e na manipulação que exerciam sobre as ovelhas. O profeta ainda descreve um quadro melancólico “A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes” (V4). Muitos hoje estão no ministério por interesses financeiros, as ovelhas só lhes interessa pelo que podem conseguir delas, o resto é irrisório. Como ser pastor virou uma profissão, o pastor-manipulador fará de tudo que estiver ao seu alcance para não perder a “boquinha”, ou seja, a sua aposentadoria gorda. Os manipuladores, geralmente, declaram-se “pastor-doutor” com o objetivo de impressionar seus ouvintes e criar uma imunidade parlamentar espiritual dando a entender que tudo que falam se torna verdade absoluta, com a maldição eterna sobre a vida daquele que ousa questioná-los. É necessário nos precavermos em relação aos “doutores do nada”. Os inimigos da fé, tão perigosos e mortíferos como a cobra de Malta.
Lamentavelmente, no mundo atual, o desejo de ser pastor tem significado desejo por status. Pessoas vêem o chamado pastoral como possibilidade de construírem seu próprio império através de mensagens manipuladoras psicologizadas. Mas, ser pastor de verdade é abrir mão de seus planos pessoais para estar na casa de desconhecidos, muitas vezes de difícil acesso em áreas paupérrimas, falando do amor de Deus. Ser pastor de verdade é entender e acolher pessoas magoadas, angustiadas, deprimidas, é estar disposto a abrir mão do seu conforto e ir atrás de uma única ovelha perdida. Ser pastor de verdade é ser desprezível, para que suas ovelhas alcancem nobreza. Ser pastor de verdade é afadigar por amor às ovelhas, sem saber se haverá recompensa. Ser pastor de verdade é ser louco por causa da doutrina, para que outros sejam sábios em Cristo. Ser pastor de verdade é acolher um ministério de lágrimas. Quando Jesus veio a este mundo não assumiu uma posição de realeza, mas assumiu a posição de servo. É urgente pedirmos a Deus que suscite uma nova geração de pastores que possuam genuínos corações de servos. Corações que estejam realmente no servir o povo de Deus e não em serem servidos. Não precisamos de líderes que usam o ministério para impor suas vontades e visão de mundo, mas precisamos de líderes-servos a serviço do povo de Deus. A manipulação é tão perigosa que tem levado muitos a terem a mesma idéia do catolicismo romano: Pastores são mediadores entre Deus e os homens. O papa que se cuide!

Ir. Marcos Pinheiro

terça-feira, 6 de abril de 2010

CAFETÕES DA PROSPERIDADE

CAFETÕES DA PROSPERIDADE

Durante séculos a igreja pregou a renúncia e denunciou a cobiça como pecado. A pregação evangélica enfatizava que os crentes não deveriam se apegar às coisas materiais. Hoje, ter um encontro com Jesus constitui quase que ganhar na loteria. A pregação escatológica sobre a vinda de Jesus, a pregação sobre renúncia, negação de si mesmo, tomar a cruz, caminho estreito, submissão ao Espírito Santo e obediência perderam terreno. A maldita teologia da prosperidade apregoa que Jesus veio ao mundo pregar o Evangelho aos pobres justamente para que eles deixassem de ser pobres. Os cafetões da prosperidade têm ensinado que todos os crentes devem ser ricos financeiramente, ter o melhor salário, a melhor casa e o melhor carro. Se o crente não vive assim, é porque não tem fé, ou está em pecado, ou debaixo de alguma maldição. A ênfase é adquirir riquezas a qualquer custo. A ênfase é no sucesso, é chegar ao topo, é ser diamante aqui na terra. O grande mal dessa teologia da prosperidade é que Deus é visto como uma espécie de investimento, ou seja, o crente doa recursos financeiros na certeza de que Deus está obrigado a lhe dar uma resposta através de muito dinheiro. Existe nessa teologia uma nítida relação de troca. Aliás, para os cafetões da prosperidade toda e qualquer passagem bíblica serve como pretexto para estabelecer a relação de troca com Deus. A idéia de que Deus prometeu deixar ricos todos os crentes é uma falácia, é um engano. Aliás, Deus advertiu contra isto: “Os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (I Tm 6:9). Os cafetões da prosperidade postulam: “Se Deus é rei, então, seus filhos devem ter o que de melhor existe no mundo”. O resultado desse postulado maligno leva as pessoas a terem uma lista de ordens para Deus, chegando a decretar, determinar e exigir que o Senhor faça uma série de coisas. Aqui cabe uma pergunta: Quem somos nós para decretar, determinar, exigir alguma coisa de Deus? Imagine um servo que, ao invés de fazer o serviço, está dando ordens para o dono da casa. Isso seria um atrevimento. Podemos e devemos apresentar nossos pedidos diante do Senhor, mas nunca ordens, determinações. Nossa posição perante o Senhor é de servo submisso que não apresenta exigências, mas que busca viver conforme a Sua vontade. Servos não exigem, submetem-se. Os cafetões da prosperidade transformam Deus em nosso fantoche, um Deus que age de acordo com os nossos comandos e vontades. É preciso entender que Deus é Soberano e não podemos rebaixá-lo ao nível humano. A verdadeira prosperidade não consiste em conseguirmos tudo o que queremos, mas consiste em estarmos onde Deus quer que estejamos. Se o Evangelho for garantia de riqueza como apregoam os cafetões da prosperidade, então, Jesus não conheceu esse Evangelho, pois em Mateus 8:20 diz que Ele não tinha onde reclinar a cabeça. Quando José e Maria foram ao templo apresentar Jesus no oitavo dia, levaram consigo a oferta do pobre “E para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2:24). Em Levítico 12: 8 diz “Mas, se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomarás então duas rolas ou dois pombinhos”. Para os cafetões da prosperidade a situação financeira de José e Maria indica que o casal estava sob algum tipo de maldição, pois não tinham condições de ofertar um cordeiro. Paulo, também não conheceu esse Evangelho dos cafetões, pois viveu sem riquezas, “Até a presente hora sofremos fome e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas e não temos pousada certa” (I Co 4:11), “Como pobre mas enriquecendo a muitos” ( 2 Co 6:10). Para os cafetões da prosperidade, Paulo era um homem sem fé ou estava em pecado ou sob alguma maldição. Durante o período de perseguição o apóstolo João foi banido para a ilha de Patmos. A única população que existia naquela ilha era alguns prisioneiros exilados e condenados a viver lá até o fim de seus dias. João foi mandado para morrer na ilha de Patmos como os prisioneiros que estavam lá. Quantas noites de frio, João teve que enfrentar sem nenhum cobertor? Quantas vezes, João acordava, tremendo de frio, nas madrugadas geladas, devido às tempestades do mediterrâneo? Que tipo de comida João teve para se alimentar? Banido naquela ilha, isolado, longe da civilização, João não tinha dinheiro, nem conforto, nem igreja, nem pousada digna. Na visão dos cafetões da prosperidade, João era um derrotado e estava sob alguma maldição. Mas foi naquela situação aparentemente de fracasso que João foi arrebatado em espírito e recebeu as maravilhosas revelações do tempo do fim. A verdade é que os cafetões são criadores de expectativas ilusórias para o povo. Eles têm transferido o céu para a terra, dando ao céu um sentido materialista, visível, hedonista e egocêntrico. Manipulam as pessoas para que acreditem que para serem “valentes de Deus da última hora” têm de forçosamente mexer nas carteiras. Os cafetões da prosperidade seguem o exemplo e o legado de Geazi. Após Naamã ter recebido a cura de sua lepra queria ofertar o profeta Eliseu. O profeta, porém, achou injusto tirar proveito daquilo que Deus fez através dele e, recusou a oferta de Naamã. Geazi, servo de Eliseu, tinha um coração cobiçoso e, por isso, intentou desvirtuar o ato gracioso de Deus visando proveito próprio. Ao ver Eliseu recusar os presentes e o dinheiro de Naamã, Geazi foi atrás da caravana de Naamã para tomar para si aquilo que alimentaria seu espírito mercenário. Geazi deu início àquilo que ainda nos dias de hoje encontra ressonância: o assalto aos bolsos alheios através dos púlpitos. Há diferenças gritantes entre o verdadeiro pastor e o cafetão da prosperidade: o verdadeiro pastor busca o bem das ovelhas, o cafetão busca os bens das ovelhas, o verdadeiro pastor dirige igreja, o cafetão dirige igreja-empresa, o verdadeiro pastor vive à sombra da cruz, o cafetão vive à sombra dos holofotes. Os cafetões da prosperidade têm transformado a casa do Senhor em covil de iniqüidade, têm corrompido a igreja com doutrinas abomináveis, mas os seus dias estão contados. Nesta última hora, Deus vai purificar a sua igreja, vai queimar a palha sem valor em sua casa. O Senhor sairá como valente, despertará o seu zelo como homem de guerra e mostrará sua força contra seus inimigos. Nesse tempo do fim, o Senhor vai levar à falência todo mau trabalhador que tem usurpado os púlpitos. O Senhor vai acabar com todo ministério que for da carne, da autopromoção e da cobiça. Os dias de fingimento estão chegando ao fim, Deus vai destronar os cobiçosos, os cafetões da prosperidade. O Senhor vai acabar com o “Evangelho” das guloseimas. Todos conhecem a parábola das dez virgens. Cinco delas foram barradas da festa matrimonial porque tinham saído para comprar óleo quando o noivo chegou. O noivo não lhes perguntou aonde elas tinham estado; não as repreendeu por terem deixado faltar o azeite; não lhes disse que tinham chegado tarde demais. O noivo simplesmente disse-lhes: “Não vos conheço”. Este é o âmago da parábola. Em outras palavras Jesus, o noivo, estava dizendo-lhes: “Vocês nunca me levaram a sério; Vocês banalizaram a minha salvação; Vocês incentivaram o meu povo a avareza; Vocês conduziram a igreja a fazer barganha comigo”. Essas serão as palavras que os cafetões da prosperidade ouvirão do Grande Eu Sou!

Ir. Marcos Pinheiro

quarta-feira, 17 de março de 2010

A BÍBLIA HORRIPILANTE



A BÍBLIA HORRIPILANTE

Durante séculos Satanás tentou aniquilar a Bíblia. O seu ataque contra a Palavra de Deus remonta o jardim do Éden. O primeiro pecado de Eva foi o de aceitar a suposta Palavra de Deus “modernizada” da boca do diabo. Séculos mais tarde, Satanás instigou a queima de Bíblias e, centenas de fogueiras não foram suficientes para exterminá-las. Como o diabo não mudou de idéia, ele fez nascer a versão mais pop, mais ao estilo das bancas de jornal: Bíblia na Linguagem de Hoje. Esta versão é infame, pois é a maior blasfêmia que já se verificou no meio do protestantismo. A Bíblia na Linguagem de Hoje representa o mais vil desvio da fé que se tem notícia na história dos evangélicos. Por isso, preferimos chamá-la de Bíblia na Linguagem Horripilante. É horripilante porque anula a doutrina da divindade de nosso Senhor Jesus Cristo, nega a morte vicária de Jesus, a perfeição de Deus, a realidade do inferno, a infalibilidade e inspiração verbal da Bíblia. É horripilante porque enxerta interpretações duvidosas, supre vocábulos teológicos como “arrependimento”, ”propiciação”, “redenção”, “reconciliação”, “sangue”. A Bíblia na Linguagem de Hoje, ou melhor, na Linguagem Horripilante, está repleta de expressões da Nova Era, doutrinas falsas, ocultismo e heresias. Os textos distorcidos dessa Bíblia, os cortes propositais e seus acréscimos fazem dela uma versão adulterada, perversa e de inspiração satânica. O Novo Testamento possui 5624 palavras diferentes sem contar as diferentes declinações, tempos verbais, modos e partículas. A Bíblia horripilante possui 4300 palavras. Portanto, é uma Bíblia desfigurada que se transformou numa colcha de retalhos de apostasia. O texto hebraico no qual essa Bíblia se fundamenta é profano. O Antigo Testamento é baseado na Bíblia hebraica de Rudolf Kittel. Este homem era um racionalista alemão, que não cria na inerrância das Escrituras. O texto grego no qual a Bíblia na Linguagem de Hoje se baseia foi preparado por Westcott e Hort que viveram no século 19. Esses homens criam na teoria da evolução de Charles Darwin. Eles prepararam seus textos em cima dos escritos provenientes da herética Alexandria no Egito, de onde surgiram as mais horripilantes doutrinas. Portanto, os textos dos nicolaítas Westcott e Hort são recheados de heresias e erros doutrinários. Vejamos algumas passagens horripilantes da Bíblia na Linguagem de Hoje. Em Mateus 1:25 a palavra “primogênito” foi omitida para reforçar a falsa doutrina católica de que Maria morreu virgem. Em Mateus 16:18 a palavra “igreja” está com “I” maiúsculo, uma clara referência à igreja papal, “igreja mãe”. Em João 1:14 a palavra “unigênito” foi substituída por “único” com o objetivo de enfraquecer a divindade de Jesus. A palavra “unigênito” elimina qualquer possibilidade de que Jesus tenha sido criado. A expressão “unigênito do pai” refere-se ao relacionamento exclusivo de Jesus com o pai desde a eternidade. Substituir “unigênito” por “único” é esvaziar a singularidade de Jesus. A expressão “filho único do pai” da Bíblia na Linguagem de Hoje é profana, pois Jesus não é o único filho de Deus visto que em João 1:12 diz que todos os que crêem em seu nome são filhos de Deus. O diabo odeia o sangue de Jesus porque o sangue tem valor expiatório e remidor. Tirar a palavra “sangue” significa remover a fonte da redenção de Deus. A Bíblia na Linguagem de Hoje removeu a palavra “sangue” em Romanos 3:25, Romanos 5:9, Efésios 1:7, Efésios 2:13, Colossenses 1:20, Hebreus 10:19, Hebreus 13:20, Apocalipse 1:5 e Apocalipse 5:9. A Bíblia na Linguagem de Hoje endossa a teoria da evolução. Em Gênesis 1:11 a expressão “segundo a sua espécie, cuja semente esteja nela sobre a terra” é omitida. O objetivo é enfraquecer a criação dos vegetais plenamente desenvolvidos, fato que aniquila com a teoria da evolução. Em Gênesis 1:7 a palavra “expansão” que aparece três vezes no versículo foi removida. O propósito é debilitar a direta ação de Deus ao criar a atmosfera, o espaço sideral. A palavra “expansão” refere-se ao firmamento, à atmosfera, portanto, removê-la é fortalecer a teoria de que o firmamento surgiu de uma explosão casual. Em Gênesis 1:2 a conjunção aditiva “e” no início do versículo foi retirada. A finalidade é enfraquecer a ação seqüencial dos atos de Deus apoiando assim, a herética teoria do intervalo entre o versículo 1 e o versículo 2. A teoria do intervalo diz que após a criação feita no versículo 1, ocorreram as eras geológicas de milhões de anos surgindo uma raça pré-adâmica onde reinou a morte por causa da queda de Satanás, terminando todo esse delírio com um dilúvio, o chamado dilúvio de Lúcifer. Isso é fábula. Afirmar que a morte veio antes de Adão é ficção, é apostasia. Em Romanos 5:12 diz que por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte. A conjunção “e” foi retirada para passar a idéia de que Deus criou os céus e a terra e passou milhões de anos para criar a luz e as demais coisas. Os evolucionistas se aproveitam dessa teoria do intervalo para dizer que a terra tem milhões de anos. Na contagem bíblica a terra tem 6000 anos. Em Levítico 10:9 encontramos uma aberração horripilante, a palavra “bebida forte” foi substituída por “cerveja”. Nunca imaginei que cerveja fosse tão antiga. A Bíblia na Linguagem de Hoje incentiva a chamada “bebida social”. Nela está escrito “Quem bebe demais fica barulhento e caçoa dos outros; o escravo da bebida nunca será sábio” (Provérbios 20:1). Aqui cabe uma pergunta: E quem bebe de menos como fica? Na realidade um pré-adolescente lendo esse versículo concluirá que a pessoa pode beber, mas não demais, ou seja, beber socialmente não é pecado. A morte dos santos de Deus é preciosa à sua vista. Mas, na Bíblia na Linguagem de Hoje, o Deus eterno fica triste, sente pesar quando morre alguém do seu povo. Eis a aberração “O Senhor Deus sente pesar quando vê morrerem os que são fiéis a ele” (Salmos 116:15). A fim de fortalecer a heresia de que o dilúvio foi local em Mateus 24:38 a palavra “arca” (Kibotos, no grego) foi trocada por “barca”. Em Jó 19:25 em lugar da palavra “redentor” colocaram a palavra “defensor”. A palavra hebraica é “go’ali” que quer dizer “meu redentor” e nunca “meu defensor”. Por que mudaram? Só o Senhor sabe! Em Gálatas 3:1 a Bíblia na Linguagem de Hoje diz: “Ó gálatas sem juízo! Quem foi que enfeitiçou vocês?” A de se concluir que o apóstolo Paulo acreditava em feitiços. A palavra “propiciação” que aparece em I João 2:2 e em I João 4:10 foi malignamente retirada. Em Tiago 4:4 trocaram a expressão “adúlteros e adúlteras” por “gente infiel”, ou seja, foi tirado a especificidade do pecado. A expressão “homens santos” foi trocada pela expressão “as pessoas” em 2 Pedro 1:21. Em I Timóteo 3:16 a expressão “o mistério da piedade” foi trocado por “ verdade revelada da nossa religião”. Que religião está por detrás da Bíblia na Linguagem de Hoje? Em Romanos 1:29 com o objetivo de não ofender as pessoas omitiram a palavra “prostituição” sustentando desse modo a linguagem macia. Em Mateus 9:13 furtaram a palavra fundamental para a conversão a Cristo “arrependimento”. Em Marcos 8:24 omitiram a expressão “tome a sua cruz”. Amaciar a consciência do pecador é uma blasfêmia contra Deus. O preocupante é que muitas denominações determinaram que a Bíblia na Linguagem de Hoje deve ser usada para ensinar nossas crianças e pré-adolescentes. A verdade é que essa Bíblia trai a inspiração divina em termo de conteúdo celeste. É uma Bíblia corrupta, perversa e repleta de malignidade. Vale salientar que o lançamento dessa Bíblia no Brasil foi uma parceria da Sociedade Bíblica Brasileira e a CNBB. A primeira tiragem dessa Bíblia com 80.000 exemplares foi “abençoada” com “água benta” na presença de padres e “pastores” ecumênicos.

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 6 de março de 2010

TEATRO NA IGREJA? ESSA NÃO! (PARTE II)




TEATRO NA IGREJA? ESSA NÃO! (PARTE II)

Desde os tempos bíblicos, e até hoje, a pregação expositiva da Palavra de Deus tem sido o meio eficiente de comunicar a salvação através de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo se refere a esse método como a “loucura da pregação” (Co 1:21). Paulo nunca adaptou a igreja ao gosto da sociedade secular. Cada igreja que ele fundou tinha sua própria personalidade e seus próprios problemas, mas os ensinamentos de Paulo, sua estratégia e, acima de tudo, sua mensagem permaneceram os mesmos por todo o seu ministério. Seu instrumento de ministério sempre foi a pregação expositiva e direta da verdade bíblica. A igreja de hoje está inundada com o “sucesso” e precipitou-se impetuosamente no secularismo. Para muitos líderes o único modo de impressionar e impactar o mundo nos dias atuais é incorporar filosofias seculares e modismos na vida da igreja. A bandeira levantada por esses líderes é “o mundo tem que ver que a igreja é legal”. Neste contexto, a igreja está mais preocupada em entreter o povo. Não está disposta a ser desprezada pelo mundo por causa da cruz.
Hoje, estamos nos divorciando da pregação expositiva para as artimanhas, ora ridículas ora bizarras, das encenações e dramatizações. É loucura pensar que a verdade dada por revelação divina precisa da roupagem das dramatizações para salvar o ímpio. Jesus deu prova de seu amor ao mundo sem usar teatralidade. Ele fez uma oferta viva, capaz de sofrer humilhações, açoites, abandono, desconsideração, vergonha, acusação. A igreja precisa se manter afastada de tudo aquilo que seja teatral e espetacular, à semelhança de Jesus em seu ministério. Jesus não usou artimanhas de entretenimento para pregar o Sermão do Monte. Paulo não persuadiu os seus ouvintes no Areópago usando dramatizações. Pedro, no dia de pentecoste, não montou uma tenda e pediu a seus irmãos em Cristo que fizessem uma encenação para anunciar a ressurreição de Jesus e a sua ascensão ao céu. Estamos enganados se acreditamos que fantasias, ilusionismos, jograis, filmes e dramatizações são capazes de representar a santidade infinita, o amor incomensurável e a grande misericórdia de Deus a uma geração perdida. O evangelho não deve ser apresentado em parceria com os padrões do mundo. Jesus afirmou taxativamente que as obras deste mundo são más (Jo 7:7). Os apóstolos também enfatizaram que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus (Tg 4:4). Dramatização é dramatização e raramente é vista pelo público como algo sério ou um veículo de proclamação de mensagens que merecem apreço. Portanto, quando se insere elementos de entretenimento como jograis, filmes, ilusionismos, palhaços, coreografias, danças e teatro na mensagem da cruz, é uma prova que algo se faz necessário além das Escrituras e que a exposição sozinha da Palavra de Deus é inadequada. É o evangelho “flex”, ou seja, flexível para com o povo, o importante é agradar o povo. Imagine um médico atender um paciente fantasiado, vestido de palhaço. Que credibilidade esse médico repassa para o paciente? Se o médico não faz uso dessa frivolidade podemos afirmar que é uma insensatez anunciar a mensagem redentora da cruz através de entretenimentos. Portanto, aqueles que defendem a teatralidade na igreja estão servindo a um deus diferente dAquele adorado pela igreja primitiva. A teatralidade na igreja transforma a “loucura da pregação” em uma pregação da loucura. As dramatizações fazem do Evangelho um camaleão que toma qualquer aparência que seja necessária. Spurgeon advertiu em seus dias: “quando o entusiasmo pelo evangelho se extingue, não é surpreendente que as pessoas busquem qualquer coisa em que se deleitar; faltando pão, eles alimentam-se de cinzas, rejeitando o caminho do Senhor, eles correm avidamente à vereda da tolice” O mundo está repleto de fábulas, e as novidades em forma de dramas sensacionais nas igrejas estão surgindo cada vez mais para escravizar as mentes e dificultar o crescimento espiritual. Satanás não tem interesse que as pessoas tenham conhecimento de Deus, por isso seu trabalho é confundir os sentimentos através de encenações e dramatizações. Muitos têm a idéia de que a igreja para ser frutífera precisa ter programações que vá ao encontro das necessidades da nossa geração. Deve-se usar qualquer coisa que seja agradável às pessoas a fim de ganhá-las para Cristo. O texto base para justificar essa idéia é a afirmação de Paulo “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos, fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns” (I Co 9:22). Paulo não está dizendo que estava disposto a moldar sua mensagem ao mundo a fim de ganhar o ímpio. Ele está descrevendo uma atitude de sacrifício pessoal, não de comprometimento com o mundo, não de contemporização com o mundo. O contexto nos revela que Paulo estava falando de pregação (v16) não do uso de método mundano para proclamar o Evangelho. Paulo não está sugerindo uma nova maneira de apresentar o evangelho, ele afirma que em sua pregação sempre adaptava a mensagem ao nível de compreensão dos ouvintes, ou seja, ele sempre falou de forma apropriada. Ele convencia os diferentes ouvintes sobre a Palavra de Deus usando a pregação expositiva como método.
A história do pecado neste mundo começou no jardim do Éden com uma encenação de Satanás (Gn 3:1-7). Nos últimos dias, os falsos profetas e os mercadejadores da Palavra de Deus farão encenações mirabolantes para tentar enganar até os escolhidos (Mt 24:24). O Anticristo fará uma grande encenação mundial antes da volta de Jesus Cristo (Ts 3:4-12). Não ousemos minimizar a fome do povo oferecendo-lhes substitutos que não os satisfarão verdadeiramente. As estações vão e vêm, as tendências chegam e passam, as modas populares se instalam e se renovam, mas a tarefa da igreja do Senhor Jesus Cristo é a mesma: proclamar a Palavra de Deus sem artifícios, fantasias, malabarismos e entretenimentos, mas proclamá-la de forma expositiva, direta e cristocêntrica!

Ir. Marcos Pinheiro

quarta-feira, 3 de março de 2010

TEATRO NA IGREJA? ESSA NÃO! (PARTE I)




TEATRO NA IGREJA? ESSA NÃO! (Parte I)

Igrejas em crescimento constante são as que estão criando um ambiente de entretenimento. Ter uma boa diversão passou a ser critério para uma igreja excelente. Muitos líderes têm uma concepção errônea de que para ganhar o mundo para Cristo devemos primeiro ganhar o favor do mundo. O fruto antibíblico dessa concepção é a de que devemos proclamar a solene e sagrada mensagem da cruz em estilo teatral. Nos esforços de querer encher a igreja muitos pastores seguem os modos mundanos esquecendo que Satanás faz de tudo para rebaixar a verdade do Evangelho através das esquisitices teatrais. Usam as dramatizações para despertar o interesse do ímpio. Eles querem que a Bíblia se rebaixe aos padrões degenerados e nefastos deste mundo perdido, e não querem que o mundo se eleve ao Santo padrão de Deus. Falam a linguagem do mundo, absorvem os hábitos do mundo, pois amam o mundo e o que no mundo há. Esses líderes se esquecem de que em parte alguma das Escrituras nos é dito que precisamos fazer exibição especial, fantástica, para atrair os ímpios ao Evangelho. A igreja não segue o que o mundo faz, segue “Aquele que fez o mundo”.
Aqueles que defendem a teatralização na igreja dizem: “O povo gosta, o povo chora, o povo aplaude, então, é tudo santo, a voz do povo é a voz de Deus”. Nesse contexto, impera a ostentação e a profanação. Vale salientar que nem tudo aquilo que tem a aprovação do povo tem a aprovação de Deus.
Não é por meio de dramatização, exibição sensacionalista que o pecador se converte genuinamente, mas é a proclamação da verdade nua e crua, sem máscara, que convence o pecador do pecado, da justiça e do juízo. A obra de Deus deve ser feita através da pregação expositiva com santa reverência. Portanto, não devemos agregar fogo estranho ao fogo sagrado.
Alguns para defender o indefensável afirmam: “Os ritos do Antigo Testamento, os sonhos e as visões dadas aos profetas, as parábolas, as comparações e as metáforas contidas nas Escrituras constituem dramatizações instituídas e executadas por Deus”. Não há dificuldades para refutarmos essa tese, pois no Antigo Testamento os ritos cerimoniais eram tipológicos, ou seja, eram “sombras de coisas futuras”. Os ritos tipificavam o sacrifício vicário de Cristo na cruz. Assim sendo, a prática desses ritos já não se faz necessário hoje uma vez que os fatos para os quais os ritos apontavam se concretizaram. Ademais, não há na Bíblia nenhuma ordem expressa de Deus para que os substituamos por outros. Outros na ânsia de justificarem a dramatização durante os cultos chegam às raias da blasfêmia quando dizem: “As ordenanças instituídas como a Ceia e o Batismo bem como a crucificação de Jesus e o seu ministério sacerdotal constituem dramatizações”. Antes de refutarmos essa blasfêmia, precisamos saber o que é “dramatização”. A dramatização é um ato de tornar ou procurar tornar dramático, interessante ou comovente um tema através de uma encenação, com o objetivo de impressionar ou iludir a outrem. Aqui cabe uma pergunta aos blasfemadores: A Santa Ceia e o Batismo foram instituídos com o objetivo de impressionar? Nunca uma ordenança divina pode ser entendida como uma encenação ou dramatização. A Santa Ceia e o Batismo não são máscaras. Se alguém participa da Ceia do Senhor ou desce às águas batismais com a idéia de que tudo é uma encenação está participando indignamente. Do mesmo modo, afirmar que a crucificação foi uma superprodução teatral divina para sensibilizar e comover o endurecido coração humano é blasfemar terrivelmente. A insinuação de que o ministério sacerdotal de Jesus constitui uma encenação é uma estultice. Alguns dizem: “Quem assiste uma dramatização nunca esquece, se aprende muito quando as informações são dadas através da visão, por isso é perfeitamente válido o teatro na igreja”. Nesse contexto, como a visão é extremamente eficaz no processo da comunicação, deve-se substituir a pregação expositiva da Palavra de Deus por dramatização. Nesse caso, as programações da igreja do Senhor seriam parecidas com a TV e o cinema, ou seja, o entretenimento substitui o doutrinamento e a liturgia vira show. De acordo com a Bíblia a visão não é um canal confiável para a recepção da mensagem da salvação. O homem independe da visão para viver pela fé “A fé é a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11:1). Em Romanos 10:17 Paulo pontificou: “A fé vem pelo ouvir”. Em João 20:29 Jesus censurou Tomé nos seguintes termos “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram”. Era como se Jesus dissesse: “Bem-aventurados aqueles que não dependem de encenações, dramatizações, para absorver a mensagem da salvação, mas se satisfazem com a pregação expositiva da Palavra de Deus”. O desejo de Deus é que a fé independa de estímulos visuais, por isso Ele proibiu imagens de escultura “Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma coisa semelhante do que há em cima dos céus, nem em baixo da terra, nem nas águas debaixo da terra” (Ex 20:4). A teatralização não fortalece a Palavra de Deus, pelo contrário, distrai a atenção para o instrumento humano. O pastor e renomado teólogo D.M.Lloyd-Jones disse: “Em número crescente, as pessoas estão depreciando o lugar e o valor da pregação expositiva. Estão se voltando para representações dramáticas e recitais das Escrituras e algumas até para a dança e outras formas de manifestações externas do ato de culto. A reforma protestante varreu todas essas coisas. Acabou com as peças de ministérios, como lhes chamavam, e com as representações dramáticas na igreja. A reforma livrou-se de tudo isso, e é muito triste observar que pessoas estejam tentando levar-nos de volta àquilo que os reformadores viram claramente que estivera ocultando do povo o Evangelho e a verdade”. Não há dúvida: se você fizer uma pantomima das Escrituras ou exibir delas uma representação dramática, estará desviando a atenção do povo para longe da verdade comunicada pelas Escrituras. Portanto, Deus não precisa de atores! Precisa, sim, de servos e servas consagrados e cheios do Espírito Santo para expor a Palavra de Deus. Lembre-se: a pregação expositiva da Palavra de Deus não um acessório.

Ir Marcos Pinheiro