terça-feira, 19 de julho de 2011

EXECUTIVOS DO PÚLPITO

EXECUTIVOS DO PÚLPITO

O colapso da igreja evangélica pode ser atribuído a uma série de fatores. Porém, ultimamente a igreja tem sido veementemente bombardeada pelo secularismo. Muitos pastores estão convertendo o sistema estrutural da igreja em uma entidade baseada mais nos princípios do mundo empresarial do que nas instruções da Palavra de Deus. Como conseqüência, a igreja passa a operar como empresa e o pastor emula a personalidade de um executivo. A estratégia é adotar o sistema gerencial da modernidade, ou seja, definir metas e objetivos, fazendo-os compreensíveis para cada membro da igreja. O pastor passa, então, a ser julgado como um homem de negócios, um executivo, e não pela sua capacidade de pregar, ensinar e aconselhar. O importante é a sua capacidade de fazer a igreja funcionar eficientemente em termos de arrecadação. Um executivo do púlpito disse: “Pense na igreja como uma agência de serviço, uma entidade que existe para satisfazer as necessidades das pessoas”. Vender Jesus é uma arte do executivo-pastor. Na igreja do executivo-pastor o evangelismo nem de longe é focado em Deus, mas antes, nos consumidores. Em suas mensagens, o executivo pastor, usa ditados populares, gírias e emprega incorretamente as ferramentas da exegese e da hermenêutica. Eles são numéricos e quantitativos, por isso o estilo humorístico prevalece para prender a platéia. Portanto, não há diferença entre suas igrejas e qualquer negócio em que se usa telemarketing. Os executivos-pastores são marqueteiros ardilosos cuja estratégia principal é tentar persuadir as ovelhas que têm os mesmos interesses que eles. São ostentadores de títulos e com altivez se adentram na igreja com sua pasta de executivo exibindo seus anéis nos dedos. E a Bíblia? Está dentro da pasta. Geralmente têm uma poupança gorda, carro do último tipo, jatinhos, além de residirem em mansões. Uma característica dos executivos do púlpito é que à semelhança de Arão, eles subjetivam a Palavra de Deus e dizem: “Amanhã, será a festa ao Senhor”, porém os elementos da festa são padronizados pelos livros seculares de marketing. Em muitos seminários os seminaristas estão sendo treinados muito mais em habilidades publicitárias, negócios e marketing do que em teologia e aulas de aconselhamento pastoral. Todos esses futuros pastores serão gerentes de um negócio “espiritual” e transformarão suas igrejas em empresas com tintura religiosa. Em suma: esses seminários são verdadeiras fábricas de lobinhos. No mundo empresarial constatamos que muitas lanchonetes inicialmente vendiam somente sanduíches, depois passaram a oferecer café da manhã, e depois almoço. A implicação disso consiste na visão de que é imbuído o executivo do púlpito, ou seja, a exemplo das lanchonetes, a igreja deve descobrir o que as pessoas querem e oferecer-lhe isso sem considerar os aspectos doutrinários.
O princípio norteador dos executivos do púlpito é extremamente humanista, pois procuram mensurar o intangível e o sobrenatural. Usam uma escala de receptividade onde os incrédulos são classificados como altamente resistentes ao evangelho, indiferentes ao evangelho e altamente receptivos ao evangelho. Segundo os executivos-pastores, a construção e a quantificação dessa escala servem como base para a evangelização e possibilita melhor utilizar os obreiros e maximizar a distribuição de recursos da igreja. A construção de escala bem como a sua quantificação é usada por empresas no lançamento de novos produtos. Materializar a obra do Espírito Santo é ultrajar a soberania de Deus. Subordinar as ações soberanas do Espírito Santo às equações e escalas da engenharia da qualidade total é fazer da igreja uma empresa, é colocar Deus na periferia. Não é o mapeamento da receptividade ao evangelho, nem a aplicação específica de qualquer técnica ou metodologia empresarial, nem o estabelecimento de alvos numéricos que fazem a igreja ser igreja. O que faz a igreja ser igreja é ela viver na presença dEle, depender da graça dEle e obedecer a Sua Palavra. Dentro da vontade prescritiva de Deus, isto é, seus mandamentos, seus ensinamentos, suas diretrizes, seus aconselhamentos e suas admoestações, a igreja tem a responsabilidade e o deve de planejar suas ações, mas não de arbitrar as metas e resultados numéricos que só a Deus pertence. A igreja não é empresa para aferir a validade de suas ações. O profeta Isaías foi mandado a pregar, já com a certeza da rejeição e da ausência de resultados (Is 6:9-11).
É preciso entender que a igreja constitui-se de pessoas que provaram a graça de Deus na pessoa de Jesus Cristo identificando-se com Ele na Sua morte e ressurreição. A igreja não depende do modelo empresarial para sobreviver, pois ela vive e sobrevive por ser o corpo de Cristo na terra. A igreja é sobrenatural, nasceu no coração de Deus (Ef 1:4) e está edificada sobre o Senhor Jesus. A igreja que não é empresa fica com a Bíblia, toda a Bíblia e nada mais do que a Bíblia!
A verdade é que o executivo-pastor trouxe o modelo empresarial para dentro da igreja e minimizou a função do Espírito Santo. Precisamos de novos Luteros, novos Calvinos e novos Zuínglios que toquem a trombeta e coloquem abaixo as igrejas travestidas de empresas. Precisamos não de ajuntamento social, mas de comunhão orgânica dos santos. Precisamos de uma fé bíblica e não de uma fé comercial. Precisamos ruminar a Bíblia Sagrada e não os livros de “Relacionamentos e Vendas”. Precisamos de homens que dobrem os joelhos não diante do cogumelo empresarial, mas diante da videira verdadeira. Precisamos de pastores que sejam provedores espirituais do rebanho e não de pastores materialmente bem providos pelos fiéis. Precisamos não de executivo-pastor, mas de pastor-pastor.

Ir. Marcos Pinheiro





quarta-feira, 13 de julho de 2011

MINISTÉRIO DE TEATRO? ESSA NÃO!

MINISTÉRIO DE TEATRO? ESSA NÃO!

Estamos vivendo a época em que a igreja descartou tudo o que é antigo e abraçou tudo o que é novo. O tema hoje é: “Novos tempos exigem novas soluções”, ou seja, precisa-se de um novo tipo de pastor, um novo tipo de louvor e um novo modelo eclesiástico. Alguns têm uma nova “revelação” e outros até um novo Deus. Um Deus patético, sintético, bonachão, brincalhão e teatral. Nesse contexto, a igreja do Senhor Jesus tem se transformado em um grande parque temático onde se encontra a oferta de um cristianismo inconseqüente por utilizar os modelos do mundo em suas práticas. A igreja passou a ser uma instituição meramente sociológica onde seus líderes aplicam categorias de pensamentos seculares adaptando-a aos novos tempos. O culto solene e de grande edificação à igreja na glorificação de Jesus Cristo, vai perdendo lugar para as novidades mundanas inspiradas por “outro espírito” e endossadas pelos pastores novidadeiros. Esses pastores são novidadeiros porque sempre apresentam novidades para manter as ovelhas entretidas, ou quem sabe, também os bodes. Para os pastores novidadeiros, ou seja, pastores do “outro evangelho”, não lhes interessam os meios desde que haja “casa cheia”. Charles Spurgeon disse: “Não poso imaginar um instrumento mais útil a Satanás do que ministros mundanos”. Essa geração de pastores interessados em atrair massas tem se levantado contra as santas tradições que nos foram ensinadas por palavras e epístolas “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que nos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístolas” (2Ts 2:15). Nesse contexto, eles criaram o “ministério” de teatro. O lamentável resultado é o povo sem identificação com o supremo pastor – Jesus Cristo. Não há nenhum exemplo de apresentação teatral no Novo Testamento. A Bíblia nunca apresenta os crentes realizando teatro no momento de culto. Os pastores novidadeiros pertencem a geração de “Janes” e “Jambres” que se rebelam contra a sã doutrina. Misturam o sagrado com o profano e, aqueles que não concordam com suas práticas as quais têm o aval do diabo são taxados de radicais, legalistas e colocados de escanteio. O pregador puritano Thomas Watson disse: “Cultuar um falso Deus é proibido; cultuar o verdadeiro Deus de uma maneira falsa é também proibido”.
As peças teatrais obscurecem a linha de separação entre o verdadeiro culto e o entretenimento, especialmente numa geração encharcada por televisão como a nossa, na qual uma das insidiosas expectativas é ser entretida. Portanto, o teatro na igreja muda o foco das atenções, de Deus para os talentos artísticos. E essa mudança é revelada por meio do aplaudir no final da apresentação. Quem é o beneficiário dos aplausos? Claro que são os artistas da peça e não Deus. Portanto, quando as peças teatrais são agregadas ao culto, cultua-se o nada. O culto deve ser espiritual, e não uma performance estética. Deus não é um esteticista que se propõe a apreciar as habilidades e os dotes artísticos. O prumo de um culto não é a estética dos adoradores, mas a proclamação de “Que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2Co 5:19). Além disso, as peças teatrais são fábricas de uma espiritualidade sintética, fantasiosa, não real. As peças teatrais expõem o Evangelho como produto de fim de feira, isto é, barato, fácil, sem renúncia, sem cobranças, sem comprometimento, sem cruz, com porta larga, caminho amplo e asfaltado que não condena as iguarias do mundo e, por isso é facilmente degustado. O problema das peças teatrais é que na tentativa de repetir os episódios bíblicos, existe uma grande dose de alegorização dos textos bíblicos, e total desrespeito pelo contexto histórico dos mesmos, bem como a falta de distinção entre o que é descritivo na Bíblia, e o que é normativo para as experiências cristãs. Os artistas das peças teatrais apresentam-se na plataforma das igrejas com roupas sensuais, pinturas jezabelescas e calças apertadas que defraudam expondo a “barriguinha evangélica”. Indiferença total aos preceitos bíblicos que condenam a falta de pudor. Além disso, nessas apresentações teatrais há o rebolo, o gingado, o bate o pé e até cambalhota e, a torcida entorpecida bate palmas. O pastor e teólogo fundamentalista D.M. Lloyd-Jones disse: “A reforma protestante acabou com as peças teatrais na igreja; A reforma livrou-se de tudo isso, e é muito triste observar que pessoas estejam tentando levar-nos de volta àquilo que os reformadores viram claramente que estivera ocultando do povo o Evangelho e a verdade. Se você fizer uma pantomima das Escrituras ou exibir delas uma representação dramática, estará desviando a atenção do povo para longe da verdade comunicada pelas Escrituras”
Alguns dizem: “As peças teatrais atraem as pessoas para a igreja”. Ora, isso entra em confronto com o que Jesus disse: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (João 12:32). É somente Jesus quem atrai. Se numa igreja Cristo não mais atrai, infelizmente ela o trai. Jesus não tinha uma técnica para atrair as pessoas. Ele pregava as boas-novas do Reino. Corações que querem Deus se abrem para a mensagem de boas-novas. O uso do teatro “evangélico” para a igreja só traz mais joio para o trigal além daquele que Satanás planta. A igreja não precisa se adaptar a novos tempos nem necessita de novas técnicas e modelos. Não precisa de novidades, mas de “velhidades”, ou seja, precisa da velha mensagem da cruz. Querer abraçar o modismo do teatro e recusar o que foi cristalizado há séculos é estultice. É diferente ter uma membresia atraída pela mensagem de Jesus e ter uma membresia atraída por técnicas e métodos mundanos. Um dia, aqueles que foram atraídos por modelos mundanos descobrirão que o mundo oferece mais, e irão novamente atrás do mundo. Porém, aqueles que se renderam ao Evangelho de Jesus permanecerão. O enriquecimento da igreja vem do Espírito Santo, da comunhão com Ele, do abandono do pecado e do aprofundamento nas Escrituras e não através de modelos carnais. É hora de colocar o azeite na candeia e aguardar o noivo amado que virá em socorro da noiva fiel, a igreja que não se contaminou com os manjares do mundo. Quero terminar expondo a exortação de Provérbio 22:28 que diz: “Não removas os marcos antigos que teus pais estabeleceram”

Ir. Marcos Pinheiro

domingo, 10 de julho de 2011

EVANGELHO SUBORDINADO À CULTURA? ESSA NÃO!

EVANGELHO SUBORDINADO À CULTURA? ESSA NÃO!

A frase muito usada por aqueles que classificam a cultura de um povo como sendo moralmente neutra é: “Isso faz parte do contexto cultural, é uma questão de usos e costumes”. Nessa visão, passa-se a aceitar indiscriminadamente todos os aspectos daquela cultura, ou seja, tudo que aquele povo produz e faz é considerado cultura mesmo que contrarie a Palavra de Deus. A conseqüência é que o Evangelho passa a ser hóspede da cultura, passa a ser subordinado à cultura daquele povo. A igreja tem que ter discernimento moral para separar formas comportamentais que não condizem com a Palavra de Deus independentemente de serem classificadas como cultura ou não. Não se pode aceitar uma cultura sem antes analisar o que ela tem de antibíblico. A cultura de um povo não é neutra. Ela reflete o caráter moral e espiritual das pessoas que a compõem, portanto, traz valores e preceitos que não condizem com a Palavra de Deus e, que precisam ser transformados. Desse modo, nem tudo que provêm de um povo deve ser absorvido pela igreja do Senhor Jesus. Alguns afirmam que se numa cultura a poligamia é tida como prática normal, a igreja deve abandonar o padrão bíblico da monogamia e aceitar a poligamia; se noutras culturas o assassinato das primeiras crianças do sexo feminino, o adultério, o nudismo e a exploração da mulher são vistos como práticas normais, a igreja não deve encarar essas práticas como transgressão aos preceitos morais da Palavra de Deus.
É preciso entender que a Palavra de Deus é suprema e a moral é um princípio que transcende a cultura. A adaptabilidade da fé cristã à cultura é uma violação ao Evangelho, é um agravo à moral de Deus. As verdades imutáveis das Escrituras não podem ser subordinadas aos modismos mutáveis da cultura. Não se pode aceitar uma cultura às cegas, ou seja, sem ter a visão nítida do que essa cultura tem em contrário à Palavra de Deus. O resultado da adaptabilidade da fé cristã à cultura são as teologias locais. Há uma teologia escandinava, outra africana, outra indígena e assim por diante, como se os princípios descritivos de moralidade revelados por Deus na Sua Palavra fossem obsoletos. Os modernistas-liberais terão de dizer que o apóstolo Paulo era um legalista, pois suas observações fora politicamente incorretas e anicultural quando orientou o jovem pastor Tito quanto aos habitantes da ilha de Creta (Tito 1:10-13). Muitos, daquela cultura cretense, haviam trazido para dentro da igreja, comportamentos não condizentes com a Palavra de Deus, Paulo então orienta Tito dizendo-lhe que rejeitasse e repreendesse severamente aqueles que estavam na igreja e refletiam o comportamento cultural dos cretenses. Quando se aceitam os aspectos culturais como sendo moralmente neutros, então, há de se aceitar dentro das igrejas as danças sensuais, dentre elas, a dança do ventre, como uma expressão cultural ingênua e não como uma propagação da imoralidade. Um herético disse: “Um cordão para cobrir o corpo de uma mulher é uma questão cultural, dentro da visão indígena, nada tendo de imoral”. Aqui cabe a pergunta: Será que a cultura é algo tão supremo e destituído de valor moral? Claro que não, pois foi o próprio Deus que vestiu Adão e Eva caídos em pecado. Na lógica humana, o casal decidiu fazer cintas com folhas de figueiras para cobrir a sua nudez. Imediatamente Deus na Sua infinita misericórdia matou animais e proveu graciosamente túnicas de pele (Gn 3:21). O Senhor substituiu as cintas de Adão e Eva por túnicas para mostra-nos que a Sua vontade é que usemos vestimenta que cubram o corpo e não meramente um tipo de vestimenta mínima.
É preciso entender que o Evangelho do Senhor Jesus é juiz e redentor e nunca submisso aos desvios comportamentais. Quando a Bíblia diz em Gênesis que Deus criou o homem à nossa imagem e semelhança; a imagem de Deus no homem torna esse homem uma criatura moral. Assim, a cultura não é algo supremo destituído de valor moral. Algumas pessoas dizem: “Há cultura em que a exposição dos seios da mulher não é afrontosa, mas sim a exposição de seus joelhos, então nessa cultura as mulheres podem cultuar nosso Deus com seus seios expostos”. Ora, uma mulher dessa cultura convertida deverá cobrir os seios bem como os seus joelhos, pois as Escrituras nunca podem ser refém dos usos e costumes dos povos. Segundo o teólogo liberal Rudolf Bultman, deve-se contextualizar a mensagem bíblica pelos padrões da cultura. Isso é grave, pois equivale a tirar a Bíblia de seu contexto histórico-literal-sacro o que leva a adulteração da mensagem dando início a um processo de apostasia. Jesus não se preocupou em contextualizar sua mensagem pelos padrões culturais de sua época. Ele confrontou seus seguidores de modo direto. Por isso, muito dos seus seguidores o abandonaram e já não andavam com Ele. A mensagem de Jesus se desvinculava de preocupações sociológicas, antropológicas, psicológicas e políticas. Portanto, o Evangelho é confrontador, é ofensivo ao homem natural e, no momento que se tenta contextualizar o Evangelho pela cultura dos povos e pelos seus usos e costumes, altera-se a essência da mensagem. O pudor expresso na Bíblia é válido para qualquer cultura. Quando se aceita a cultura como referencial, rejeita-se o ensinamento bíblico.

Ir. Marcos Pinheiro


domingo, 3 de julho de 2011

O FIGURINO BÍBLICO: MODÉSTIA E BOM SENSO

O FIGURINO BÍBLICO: MODÉSTIA E BOM SENSO

O texto bíblico usado pelo apóstolo Paulo que trata a respeito da composição das vestes da mulher cristã está em I Tm 2:9: “Da mesma sorte que as mulheres em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestidos dispendiosos”. Na mesma linha de pensamento, Pedro exorta enfaticamente: “O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura dos vestidos”. À luz destas passagens, medidas éticas e disciplinares são recomendadas e merecem atenção especial. Há realmente mulheres, que se tornam indecentes, na maneira de trajar, usando vestidos transparentes ou escandalosamente decotados. Às vezes, aparecem com as costas desnudas e o busto quase totalmente exposto, numa demonstração de evidente carnalidade. Existem, ainda, as preferências pelas mini-saias, as quais despertam a lascívia dos olhares cupidinosos. As vestes falam bem alto dos sentimentos do interior e das pretensões do coração, ou seja, “o como” nos vestimos está relacionado com “o que” somos por dentro. Em nossos dias percebe-se que o espírito de prostituição na casa do Senhor tem caminho livre através da moda desavergonhada e provocante. E, o pior é que pastores retrocedem. Não ousam abrir a boca, e dobram-se à imposição diabólica da moda devassa. Esses líderes são como diz o profeta Isaías “cães mudos” (Is 56: 10). Atualmente, o padrão definido pelos meios de comunicação como sendo a mulher ideal é a sensual, geralmente pouco vestida, que exibe o corpo como mercadoria. Não se procura a mulher virtuosa, mas a mulher formosa. É o reflexo de uma sociedade que cultua o corpo e que tem a mulher apenas como um pedaço de carne em exposição num açougue chamado exibicionismo. É preciso que os servos e as servas de Deus não se deixem aviltar pela imposição diabólica da moda, mas se ataviem com trajes decentes, com modéstia e bom senso.
O figurino que traz modelos elegantes, sóbrios e modestos são os traçados pelo Espírito Santo – “Que as mulheres se ataviem com modéstia e bom senso”. A palavra modéstia no grego é “aidos” que quer dizer “respeito”. É usada como sinônimo de pureza moral de comportamento. Tal pureza não exibe ostentação nem sensualidade. A modéstia procura não atrair a atenção para si mesma nem se mostrar de maneira inconveniente. Portanto, a modéstia é o elemento chave do caráter cristão e, as vestes devem fazer a mesma “confissão” que os lábios fazem. Vestir-se com modéstia significa um sentimento moral que inclui respeito para com o sentimento de outros, ou seja, indica um senso de respeito aos limites de conveniência. Enfim, a modéstia não quer exibir-se, não se revela em nudez quer na igreja ou fora dela. Por outro lado, a palavra grega para “bom senso” é “sophrosune” que indica controle das paixões e dos desejos. O filósofo Aristóteles fazia dessa virtude um fator normativo em toda a ação ética, intitulando-a de virtude áurea. Desse modo, “bom senso” deve ser entendido como um estado de controle sobre si mesmo na área de apetites. Paulo passa a idéia de autocontrole nos apetites físicos o que impede o surgimento da tentação à imodéstia. Portanto, “bom senso” possui uma conotação especificamente sexual. É claro que não se deve descartar que Paulo combate nesse versículo o aparato de vestuário, pois ele enfatiza “não com vestidos dispendiosos”. A palavra “dispendioso” no grego é “poluteles” que significa, “caro”, “luxuoso”. Roupas luxuosas, caras e extravagantes além de levar a uma vida de ostentação para o gáudio próprio e humilhação para os mais pobres da igreja, resultam em dispêndio inútil e atentam contra a recomendação apostólica da simplicidade. O figurino bíblico não exala sexo, ostentação e dinheiro, mas pureza e humildade. Calvino disse: “Onde a cobiça reina no íntimo, não haverá modéstia nas vestes exteriores”. Acrescenta ainda “A vestimenta de uma mulher piedosa tem de ser diferente das vestes de uma prostituta, se a piedade tem de ser provada pelas obras, a verbalização de ser crente também precisa ser visível em vestes decentes e apropriadas”. Nos tempos bíblicos a caracterização de uma prostituta era a revelação de seu corpo através de suas roupas sensuais. Não havia nenhuma dúvida quanto ao “uniforme de uma prostituta”. Na verdade, o marketing de uma prostituta consiste em mostrar suas curvas, coxas, nádegas e genitálias. Nesse contexto, as mini-saias, vestidos decotados, apertados ou transparentes satisfazem perfeitamente essa finalidade.
Algumas pessoas dizem: “Deus vê o coração e não o exterior” (I Samuel 16:7). Mas, observe o que diz em Mateus 17:1 e 2 “E após seis dias, Jesus tomou a Pedro, Tiago e João, seu irmão e os levou até um alto monte em particular; e foi transfigurado diante deles e seu rosto brilhava como o sol e suas vestes se tornara brancas como a luz”. Jesus estava ainda sob a forma humana, mas diante de Pedro, Tiago e João, sua aparência foi transformada. Jesus estava transfigurado, o que na língua grega significa modificado. A palavra “transfigurado” vem do grego “morphi” que quer dizer “expressão exterior que procede do interior”, ou ainda, “expressão exterior que apresenta o caráter interior”. Naquele dia, no monte, quando o rosto de Jesus começou a brilhar tanto quanto o sol e suas vestes se tornaram brancas como a luz, a glória de Deus começou a resplandecer. Aquela glória de Deus era uma expressão exterior de quem Jesus era. Portanto, um coração puro reflete no exterior. Um coração santo e puro não exterioriza sensualidade. As pessoas não podem ver nossos corações para saber o que há dentro, mas podem discerni-lo pelo que estão vendo por fora. O modo como nos vestimos revela o que somos. É claro que uma mulher pode está pudicamente vestida e ter um coração cheio de rapinas, mas a Deus ela não engana. O fato de se ter a possibilidade de uma mulher está pudicamente vestida e ter um coração podre não invalida o figurino estabelecido por Deus: modéstia e bom senso.

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 18 de junho de 2011

A LATRINA DE SATANÁS

A LATRINA DE SATANÁS

A música dentro das igrejas tem sido freqüentemente usada para ensinar e promover uma grande variedade de doutrinas questionáveis e heresias aberrantes. O problema na atualidade é que a música não está sendo avaliada pelo modo como ela auxilia no processo da Palavra de Cristo habitar ricamente em nós, mas quanto ao seu valor de entretenimento, ou seja, o quanto ela diverte. A teologia dos cânticos modernos é dolorosamente inconsistente. Quanto ao aspecto intelectual, os cânticos ficam aquém de uma expressão de louvor adequada e digna. No que concerne ao aspecto emocional, estimulam mais os sentidos do que a alma, usando ritmos estrambóticos e repetições, em vez da verdade espiritual. Entendemos que música deve desempenhar a função de ensinar e admoestar. A boa música instrui uma boa doutrina. Martinho Lutero disse, “a música é serva da teologia”. Issac Watts, pai da hinologia inglesa, escrevia hinos para complementar seus sermões. Quando estudamos os salmos constatamos que eles não são uma coleção de temas simples cantados de modo repetitivo com uma base doutrinária mínima. Ao contrário, os salmos, são absolutamente cheios de elaboração doutrinária e repletos de muitos tipos de admoestações. Infelizmente, a maioria das músicas e corinhos cantados nas igrejas é tristemente fraca, pois não tocam a superestrutura da doutrina cristã. Portanto, devemos avaliar a música que cantamos perguntando: Ela ensina uma doutrina sólida? Admoeta-nos a corrigir nosso modo de viver? Auxilia no processo de permitir que a Palavra de Cristo habite ricamente em nós? Portanto, um estudo completo de como os salmos ensinam e admoestam será o mais proveitoso empreendimento que os líderes de música cristã poderiam realizar. Desse modo, todo o cuidado na presença do Senhor e toda a profunda reverência por Ele não será perdida. Hoje, os cânticos estão fazendo os crentes descerem a um nível espiritual inferior a qualquer outro da história da igreja. Há uma clara conformação com o mundo em vez da separação daquilo que não agrada a Deus. Cantores tocam suas músicas num volume ensurdecedor e criam em suas apresentações o mesmo clima das boates noturnas e danceterias com luzes coloridas e fumaça. Muitas igrejas abandonaram sua função de sal e luz, pois vestiram as mesmas roupas da escuridão que o mundo veste identificando-se com o lixo musical do mundo que é próprio dos ímpios, drogados, cultuadores de demônios, adúlteros e fornicários. Enquanto a igreja caminha de mãos dadas com os perdidos no campo largo do rock, funk, rap, samba, forró, lambada, lundu, axé, eles zombam e riem da hipocrisia dos crentes. Muitos pastores para não entrar em conflito com famílias da igreja ou porque querem “casa cheia”, aceitam a batucada carnavalesca das bandas que conduzem o culto ao bizarro, ao alarido estranho, exalando canções destituídas de valor bíblico doutrinário. Satanás quer acabar com os hinos que perturbam o inferno. Quer ver a igreja se embriagando com o mundo, cantando músicas que em vez de fazer o inferno tremer, fazem os demônios rirem e dançarem. A igreja do Senhor Jesus não pode servir a água viva na latrina de Satanás. O rock, o funk, o pagode, o axé e companhia Ltda, são latrinas do diabo e não servem para conter a mensagem santa de Deus. Esses ritmos são profanos porque foram criados para promover sensualidade, misticismo, irreverência e até culto aos demônios. Esses estilos de músicas são “alaridos de Amaleque” que insultam a santidade de Jesus. O funk e o rap são relacionados ao apetite sexual desenfreado, sua formatação foi feita para sensualidade. A música rock se originou no paganismo vudu e na feitiçaria oriundas das religiões demoníacas africanas. Ademais, desde a sua origem, o rock promoveu o sexo sem compromisso, o abuso das drogas e do álcool, e uma atitude do tipo “faça o que der na cabeça”. O forró vem do termo africano forrobodó que significa bagunça, baderna. O samba é derivado do ritmo lundu caracterizado por requebros, movimentos acentuados dos quadris e sapateado. O tango, embora de origem Argentina, evoluiu a partir do candomblé africano, do qual herdou o ritmo. A palavra axé é uma saudação usada na umbanda que significa energia positiva. Seu gênero musical surgiu na década de 80 durante as manifestações do carnaval baiano. Portanto, a música não é neutra. Ela por si só tem uma mensagem; ou encoraja a atividade demoníaca ou encoraja a atividade do Espírito Santo. Lamentavelmente, a cada dia que passa o louvor de edificação à igreja vai cedendo espaço às novidades carnais inspirada por “outro espírito”. Coreografias e “bailarinas de Jesus” somadas à latrina de Satanás e, estimuladas por pastores modernistas-liberais, vão removendo “marcos antigos” e fabricando um “povão” sem compromisso com o Deus Trino. Vale ainda salientar que não é sábio trasladar músicas seculares para letras evangélicas, pois é impossível o cântico de uma música secular sem a lembrança da letra original. Ou seja, uma letra evangélica colocada numa música mundana não conduz à plena adoração, pois ao ser cantada, tanto a letra mundana como o seu cantor serão lembrados. E mais grave ainda é quando a letra secular for imoral ou esotérica ou cheia de misticismo, pois nesse caso, é impossível dissociá-la da melodia. Enfim, os que levam a sério a seriedade do Evangelho dizem “não” às profanações, à latrina de Satanás. Quando as circunstâncias exigem, o amor tem de usar a espada. Levantemo-nos contra a decadência do louvor! O pão da vida não pode ser servido na latrina de Satanás! “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias dos teus instrumentos” (Amós 5:23).

Ir. Marcos Pinheiro

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ESTRELAS ERRANTES: A DECADÊNCIA DOS LÍDERES

ESTRELAS ERRANTES: A DECADÊNCIA DOS LÍDERES

Em Judas 13 encontramos uma sentença contundente: “Estes homens são estrelas errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas”. A figura “estrelas errantes” faz-nos pensar em algo que deixou de funcionar adequadamente, ou seja, algo que saiu da rota. Portanto, a sentença “Para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas” refere-se àqueles que não permaneceram sob a ordenança de Deus, ou seja, saíram da trajetória santa estabelecida pelas Escrituras. As estrelas errantes são líderes liberais, amigos dos deleites e que mudaram a glória de Deus em corrupção, simplesmente para agradar aos homens e seus prazeres. Esses líderes, estrelas errantes, não tomam posição, não só com medo de serem criticados e perseguidos, mas, principalmente, para poderem mudar de lado, quando algo lhe for conveniente. Vivem no “cinza”, pois, não querem ser “preto” e nem “branco”. Os seus sermões é uma tentativa de dizer “sim” e “não” sobre o mesmo assunto. Estão engolfados no pragmatismo relativista maligno, portanto, são pedras de tropeços para o cristianismo teológico autêntico. O ufanismo pelo crescimento numérico, o apetite por promoção pessoal, a preocupação em construir impérios, a politicagem, os conchaves, a bajulação e o nepotismo tomaram conta das almas desses líderes. Essas estrelas errantes passam para o povo uma imagem deturpada do Espírito Santo como se Ele fosse um palhaço, um tolo, um bobão, um moleque. Nos cultos promovidos por esses agentes de satanás, a Santa reverência é perdida, pois a adoração se resume em gritos de molecagem, assobios e vaias, e para induzir nas pessoas um estado de excitação e expectativa usam o chavão: “Deus é tremendo”. Além disso, Alguns promovem a doutrina pagã no ambiente de culto: tomam figuras do Antigo e Novo Testamento e as espiritualizam, transformando-as em “proteções” semelhantes às usadas pelas magias pagãs. Como conseqüência, constatamos muitos crentes com fitinha no braço, com medalhas de símbolos bíblicos, ungindo chaves, portas e janelas com óleo, colocando sal grosso ao redor da casa para impedir a entrada de maus espíritos; outros bebem copos de água “abençoada”, usam azeite de oliva consagrado em Jerusalém, ungem toalhas; enfim, utilizam toda espécie de estrambotismo. O apóstolo Judas caracteriza a horrenda prática de pessoas que andam qual uma estrela errante “Andam segundo as suas concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes admirando as pessoas por causa do interesse”. A decadência da igreja é real. A imposição do pensamento moderno está bem diante de nossos olhos. O “cristianismo moderno” que se infiltrou nas igrejas tem como base a vontade do homem e a ética contextualizada. Esse cristianismo fez desaparecer das igrejas as verdades sagradas e implantou blasfêmias abolindo os padrões e diretrizes absolutos de Deus. Nesse contexto, nos chamados “louvorzão” ou “encontrão apimentado” abraçam a música “culturalmente relevante” tal como rock, rap, samba e forró regados com coreografias dançantes, tudo no melhor estilo de casas noturnas. Ademais, usam e abusam da vestimenta imodesta: shorts, camisetas no estilo Havaiano, mini-saias e vestidos decotados e transparentes. Qual o resultado dessa técnica? Igreja lotada e orçamento gordo! O apóstolo Paulo diz em Efésios 5:11 “Não comuniqueis com as obras infrutuosas das treva, mas antes condenai-as”. Jesus descreve a salvação como entrar numa porta estreita e num caminho apertado. A conclusão do sermão do monte pode ser resumida na frase: Seja diferente do mundo. Portanto, a pessoa realmente nascida de novo, deve andar em novidade de vida, isto implica em renúncia, tomada de posição clara contra o mau, o erro e o pecado.
As estrelas errantes têm o dom de marqueteiro e são especialistas em construir monstruosas igrejas, ou seja, igrejas-shoping onde se oferece estacionamento, pessoas pomposas a prestar assistência, poltronas, central de ar-condicionado, recreação, restaurante, apresentação de teatro, berçários, play ground e salão de jogos. Enfim, o Evangelho já não representa o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer, mas representa o poder do homem para a obtenção de tudo aquilo que quer. As igrejas dos pastores-shoping são especificamente projetadas para fabricar convertidos. Não é uma comunidade de fé, ou seja, as pessoas que lá estão não são envolvidas em uma koinonia cristã. As igrejas das estrelas errantes assemelham-se a uma estação rodoviária ou a um aeroporto em período de alta estação onde as pessoas são clientes que se cruzam sem se conhecerem à procura de tomar seu ônibus ou avião. É cada um por si, cada um para resolver seu problema e cuidar de sua vida. Isto não cristianismo. A função da igreja não é fabricar convertidos, mas pregar a sã doutrina e deixar que o Espírito Santo regenere as pessoas de sua condição de pecadores impenitentes condenados ao inferno eterno. A igreja não é apenas ajuntamento, ele deve conhecer profundamente o que é ter uma só alma, deve ser unida de pensamento, desfrutar da comunhão do Espírito Santo e trescalar o perfume de Cristo. É preciso resgatar a mensagem bíblica como regra de fé e prática, mesmo que a igreja seja impopular e não agregue multidões, pois a degeneração doutrinária é pior que a perseguição externa. Que o Senhor nos livre de um sacerdócio decaído que agrada o homem e não repreende o pecado!

Ir. Marcos Pinheiro

domingo, 22 de maio de 2011

NEOPENTECOSTALISMO: DESSERVIÇO AO EVANGELHO

NEOPENTECOSTALISMO: DESSERVIÇO AO EVANGELHO

Diversos movimentos pentecostais têm surgido ao longo dos anos. Portanto, é preciso saber distinguir o verdadeiro do falso pentecostalismo. O conhecido movimento denominado neopentecostal surgiu nos meados do século XX. O neopentecostalismo se propôs a dinamizar as práticas litúrgicas, a cristologia, a eclesiologia e a prática hermenêutica. No que diz respeito à prática litúrgica, o neopentecostalismo apresenta um problema dos mais graves. Em seus cultos, as campanhas de cura, prosperidade material, saúde e revelação têm proeminência. A preocupação maior não é a glória de Deus, mas as necessidades humanas focadas por uma ótica hedonista. O slogan das igrejas neopentecostais é: “Você nasceu para vencer”. É uma frase elegante e até estimula nossa vida diária, mas está teologicamente errada. Nós não nascemos para vencer. Nascemos para servir e glorificar a Deus. Nascemos para viver com Deus e para Deus. O alvo da nossa vida como servos do Senhor, deve ser Deus e não nós mesmos, e não nossos projetos pessoais. O crente verdadeiro tem um único projeto: glorificar a Deus em sua vida com sofrimento ou sem sofrimento, com revezes ou sem revezes. Os mártires da igreja se viam a si mesmos como secundários e Deus como o prioritário, por isso glorificaram a Deus em seus sofrimentos. Nos cultos neopentecostais o homem é o foco, é a causa e a razão. O homem é o centro do culto e Deus torna-se servo. A liturgia neopentecostal toma uma direção totalmente horizontal. Um slogan bastante usado pelos líderes neopentecostais é: “Aqui o milagre é coisa natural”. Ora, se é natural não é milagre. Ademais, esses líderes esquecem que o culto deve expressar a natureza espiritual da igreja e seu relacionamento com Deus. A liturgia de um culto deve enfatizar o senhorio de Jesus e não apenas Jesus como provedor de necessidades humanas. O culto neopentecostal é pobre de Bíblia. A Bíblia não é central é periférica. As pregações são cheias de chavões positivos do tipo: “Deus tem uma vitória para você nesta noite”, “O gigante será derrotado nesse culto”, “Use a fé e prospere”. Enfim, é uma epidemia de confissões positiva e pouquíssima Bíblia. Dificilmente se ouvirá uma mensagem sobre perdão de pecados, a necessidade de arrependimento, vida de renúncia e a volta de Jesus nos púlpitos neopentecostais. Os sermões neopentecostais mostram um Jesus fraco e demônios fortes. Mostram um Jesus que salva, mas não tem poder para encher a vida da pessoa. Tanto isso é verdade que na visão neopentecostal o crente continua de quando em quando sendo possesso de demônios. Há uma supervalorização dos demônios chegando às raias do ridículo: “Comece a se manifestar pomba gira”, “Manifeste-se exu tranca-rua” são frases que saem da boca dos gurus neopentecostais. O clima de um culto neopentecostal é de lavagem cerebral pela técnica de repetição de frases curtas: “Olhe para seu irmão e diga...” Não é um clima de ensino e doutrina. A técnica é de manipulação e de despersonalização. A letra dos cânticos nos cultos neopentecostais expressa uma linguagem mística, e muitas vezes esotérica, sem abordar as verdades fundamentais da teologia cristã. Os grandes temas da fé como a salvação, a cruz, a redenção e a justificação não são mencionados nos cânticos. A realidade é que se espremermos a maioria dos cânticos neopentecostais não dá uma colher de sopa de doutrina. As letras das músicas são guisados de Jacó que trazem malefícios à fé apostólica. Falam de paz e amor para elevar o ego dos ouvintes. Quanto à cristologia constata-se claramente que a pessoa de Jesus se esvanece no neopentecostalismo. O Cristo dos neopentecostais é uma pessoa decorativa, é uma pálida caricatura do Cristo do Novo Testamento, pois o nome de Jesus é mostrado como se fosse uma senha para acessar o site das maravilhas e fazer o download do milagre de que se necessita. O Jesus dos neopentecostais é mostrado não como a segunda pessoa da trindade, mas como um mágico, um talismã, um nome a manipular, um dístico. Tanto isso é verdade que a ênfase teológica do neopentecostalismo não é cristológica, mas pneumatológica, ou seja, a pessoa de Jesus é apagada e a ênfase é dada ao Espírito Santo. Para os pastores neopentecostais, Cristo é o canal para nos trazer o Espírito Santo, quando na verdade é o Espírito Santo quem nos conduz a Cristo e que desvenda a pessoa de Cristo ao fiel. Quando a cristologia é fraca a soberba do homem é grande. A palavra de João Batista “Importa que Ele cresça e que eu diminua” não encontra espaço no neopentecostalismo. Os líderes neopentecostais se vêem como mediadores entre Deus e os homens. Sua palavra supera o valor das Escrituras. Eles disputam espaço com Cristo. Eles gritam: “Eu senti no meu coração e pronto”, ou seja, se sentiu no coração é verdade absoluta. Esquecem esses líderes que não é que nós sentimos em nosso coração, é o que a Bíblia diz. Se sentirmos de uma maneira, e a Bíblia disser de outra, nós é que estamos equivocados, e não a Bíblia. Os crentes antigos oravam assim: “Senhor me esconde atrás da cruz de Cristo”, os líderes neopentecostais trocaram a oração por: “Senhor esconde a cruz de Cristo atrás de mim”. De acordo com as Escrituras o verdadeiro pastor pregar a obra de Jesus, mas os pastores neopentecostais completam a obra de Jesus, ou seja, Jesus só produz efeito na vida de uma pessoa através da “oração forte” que eles fizerem. Só eles têm poder sobre os demônios, só eles têm “a chave da oração forte”. Eles são o Sumo-Sacerdote e Jesus é apenas um ente espiritual. Nesse contexto, Jesus precisa ser reforçado pela “oração forte” de um guru neopentecostal. O neopentecostalismo é maléfico, pois apresenta um Evangelho descorado onde as visões e revelações estrambóticas é o referencial para o crescimento espiritual. Enfim, o neopentecostalismo é um desserviço ao Evangelho.

Ir. Marcos Pinheiro