sexta-feira, 2 de julho de 2010

CUIDADO: PASTORES - DIÓTREFES

CUIDADO: PASTORES - DIÓTREFES

Na terceira epístola de João versículo 9 o apóstolo fala de um líder ditador contaminado pelo vírus da idolatria do sucesso e, por isso se deleitava em ser proeminente “Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe”. Diótrefes era um líder centralizador, autoritário e viciado em deter o poder. Lamentavelmente, o ídolo número um entre os pastores evangélicos hoje, é a ambição desenfreada por querer ser o primeiro. A idolatria do sucesso deu origem aos pastores-Diótrefes. Em Atos 1:6 está registrado “Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel?” Jesus respondeu essa pergunta de seus discípulos de modo muito claro: “Não vos compete conhecer tempos e épocas que o pai reservou pela sua exclusiva autoridade”. Nas entrelinhas da pergunta dos discípulos estava a ambição por liderança. Eles estavam com sede de espaço, queriam ser alguém proeminente, alguém de grande projeção. A resposta de Jesus foi taxativa: “Não vos compete conhecer tempos”. Em outras palavras Jesus estava dizendo: “Vocês perderam a sensibilidade de servos, eu não estou procurando pessoas de projeção ou que queiram se projetar, eu não estou atrás de construtores de impérios, tirem os olhos dos tempos e das épocas, parem de namorar a idéia de se projetar”. Em Filipenses 3:8 Paulo diz: “tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo”. Paulo não tinha outra ambição que o impulsionava na vida a não ser ter a Cristo na sua plenitude. Paulo tinha uma única preocupação: comparar suas credenciais com os padrões de Deus. A carne gosta de ter proeminência em tudo. O desejo de importância, o desejo de posição provém da carne. O apetite por promoção pessoal tem arruinado muitos ministérios. Jesus não está procurando pessoas de projeção, Ele não está procurando construtores de impérios. Jesus está procurando homens e mulheres que sejam testemunhas cheias do Espírito Santo. No cristianismo de hoje se fala muito pouco do conceito de esvaziar-se. Há muitos livros sobre como ser cheio de sucesso, como ser proeminente, mas nunca vi um livro com o título “Como se tornar um nada”. È preciso entender que não podemos ser cheios de Deus até que estejamos vazios, não podemos ter valor até que não tenhamos valor algum. Ser significante para Deus é admitir a insignificância própria. Recebemos aprovação do Senhor não como resultado dos nossos talentos, não como resultados das nossas habilidades, ou popularidade, mas recebemos aprovação divina quando reconhecemos nossa insignificância. A advertência contra o sentimento de superioridade, de primazia, de proeminência é um princípio bem estabelecido nas Escrituras que não se pode ignorar.
Os pastores-Diótrefes estão preocupados com o aumento de seu poder político, com mais e mais espaço, com a compra de mais e mais propriedades e conseqüentemente com o crescimento de sua arrecadação. Para os pastores-Diótrefes a preocupação com a vida dos crentes é coisa secundária. Eles são os “magnatas da fé” que vivem as custa de um povo explorado e enganado. São gurus da “teologia de tio patinhas”. Ao invés de manejarem bem a Palavra da justiça manejam bem os esquemas totalitários, agem como se tivessem superpoderes vitalícios e, para isso cercam-se de uma “tropa” de pessoas subservientes e bajuladores. Essa “tropa” são aqueles que ao descobrir o DNA ministerial do pastor-Diótrefes tornam-se “crentes calangos”, ou seja, balançam a cabeça o tempo todo aceitando as heresias que sai do púlpito. A bajulação é um comércio de mentiras que pelo lado do bajulador se apóia no interesse, e pelo lado do bajulado se apóia na vaidade. Certa vez perguntaram ao filósofo grego Biantes, qual era o pior dos animais. Biantes respondeu: “Entre os selvagens, o sanguinário; entre os domesticados, o bajulador”. Os pastores-Diótrefes é gente mentida a Deus que têm a mania de sustentar empáfias. Ao invés de se colocarem como propriedades de Deus fazem de Deus sua propriedade. São os donos de Deus. Em Mateus 27:42 registra que os príncipes dos sacerdotes escarneciam ao pé da cruz dizendo: “Se é o Rei de Israel, desça, agora, da cruz, e creremos nele”. A arrogância desses escarnecedores era tal que eles achavam que Jesus precisava deles, ou seja, Jesus era beneficiado pelo fato deles crerem em Jesus. Os príncipes dos sacerdotes assumiram essa soberba porque alimentavam uma fome pelo domínio, pois enquanto a nação permanecia como mera província do império romano, a influência deles era um tanto limitada e ofuscada. À semelhança dos pastores-Diótrefes de hoje, eles queriam popularidade, queriam proeminência, queriam se tornar estrelas.
Os pastores-Diótrefes se revelam muito bem nas convenções de suas denominações. É comum encontrar politicagem, compra de votos, conchaves e nepotismo por parte dos pastores-Diótrefes. Seus sermões nas convenções são recheados de promessas do tipo: “Todos os evangelistas e presbíteros serão consagrados a pastores”, “Os diáconos estejam preparados para serem missionários usados por Deus em outro país”.
O início do governo de Salomão é marcado por uma grande humildade e dependência de Deus. Percebe-se isso quando em sua oração não pediu glórias nem fama e sim sabedoria para guiar o povo de Deus (2 Cr 1:10-12). Os pastores precisam apreender com Salomão: “Não pedindo nada para engrandecer seu próprio nome”. O avivalista George Müller disse certa vez: “chegou o dia em que morri para George Müller, morri para tudo que eu era, que tinha, possuía e esperava ser, morri completamente e absolutamente para George Müller”. Deus está chamando a igreja para sair desta perseguição ambiciosa pelo sucesso. É preciso desligar as câmeras e silenciar toda publicidade. Deus está mais interessado em nos ganhar inteiro, do que ganharmos o mundo inteiro para Ele. O mundo não pode ser salvo por homens que se recusam a diminuir! Que todos nós possamos diminuir! Que apenas Ele possa crescer! Que Deus nos ajude a voltarmos às raízes!

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 12 de junho de 2010

IGREJA NÃO É EMPRESA

IGREJA NÃO É EMPRESA

No esforço de alcançar multidões a igreja moderna saqueou os egípcios e fizeram para si bezerros de ouro dos despojos. As táticas de marketing e as técnicas de negócio entraram para valer no planejamento das igrejas levando-as a perder o foco do mandamento bíblico. Lamentavelmente, os evangélicos são considerados um mercado para quem se pode vender produtos e serviços. E tudo isso porque os evangélicos assumem e gostam de ser tratados como mercado, como clientes. Muitos líderes pensam em igreja como pensam em supermercados. As mega-igrejas-empresas se tornaram semelhantes a McDonalds, Burger king, Habib´s, mercadejando serviços como estilo de música, berçários, clube de esportes, departamento de danças e coreografias, departamento de psicoterapia, conforto ambiental com poltronas, ar-condicionado, piso de granito, tapete persa e estacionamento garantido. Nesse contexto, a doutrina é substituída por histórias, o emocionalismo tornou-se o aspecto mais significante dentro da igreja, o evangelho se tornou trivial e perdeu sua profundidade, a fé virou uma atividade recreacional e a performance do pregador se tornou mais importante do que aquilo que é ensinado. Observa-se agora que o líder entra na igreja com uma pasta de executivo e não mais com a Bíblia. As igrejas-empresas em vez de expor a verdade bíblica e corrigir a vida de uma geração mergulhada no pecado têm escolhido descer na correnteza e dar aos ouvintes o que eles querem. Na realidade os líderes das igrejas-empresas camuflam a verdade bíblica com palavras religiosas e versos bíblicos, mas quando a camuflagem é removida, é muito difícil distinguir entre o que eles estão oferecendo e o que o mundo secular oferece. Esses líderes são repletos de truques e invenções e, despudoradamente, se adaptam ao nosso mundo pós-moderno, cego e vazio. As igrejas-empresas é a igreja de um discurso morno, sem sal. Dize-se igreja da graça, mas acaba sendo na realidade a igreja da tolerância, do cinismo. Nessas igrejas os mandamentos são tratados como meras sugestões, como filosofia de vida. A característica principal dessas igrejas é a sacerdotização dos púlpitos onde seus pastores vivem e pregam uma estrutura sacerdotal, papal e hierárquica. Suas ordens são arbitrárias e inquestionáveis e sempre acusam de legalista todo e qualquer oponente que ouse importuná-lo. As igrejas-empresas são regidas por um sistema onde o coronelismo e as arbitrariedades se misturam. A premissa de todo programa de marketing é que o consumidor deve ser agradado; ele deve ser mantido feliz; deve ser dado a ele o que ele precisa ou o que ele foi programado para pensar que precisa. Na ótica do marketing a necessidade do consumidor deve ser soberana. O consumidor está sempre com a razão. Essa premissa funciona muito bem para Mcdonalds, Burger King, Habib´s etc. Em se tratando da igreja do Senhor Jesus, a premissa de marketing é contraproducente, pois nem Cristo, nem a Sua verdade, nem o caráter cristão e nem o sentido da vida podem ser negociados. Ser cristão não é ser cliente. É ser discípulo de Cristo e viver para Ele. É ter tomado a cruz e decidido segui-lo. Igreja, como o Senhor Jesus ensinou, é um grupo de pessoas remidas, separadas deste mundo, para representá-lo aqui na terra enquanto Ele não volta. Portanto, igreja não é produto, não é serviço, pois sua função não é agradar nem a uns ou a outros, mas unicamente agradar o seu chefe maior – O Senhor Jesus, o único dono da igreja. Os líderes das igrejas-empresas apresentam Deus como uma fada madrinha que oferece às pessoas segurança, conforto e saúde. Esquecem-se esses lideres que a mensagem da cruz é loucura para aqueles que estão perecendo. Não há como mudar essa verdade. O próprio Evangelho é desagradável, sem atrativo, repulsivo, e alarmante para o mundo. A Palavra de Deus expõe o pecado, condena o orgulho, convence o coração dos ímpios, e demonstra ser a justiça humana desprezível, suja e trapo da imundícia (Is 64:6). É triste ver que igreja virou produto e crente virou cliente. Mais triste ainda é notar que a pregação da cruz vem virando acessório. Não precisamos de igrejas-empresas, não precisamos de aviões, de helicópteros, de pastores-executivos, precisamos sim, de igrejas dispostas a ser desprezada pelo mundo por causa da cruz. A igreja precisa de boa dose de loucura – a loucura de se prender a uma mensagem que o mundo julga ultrapassada. Jesus disse: “Sereis odiados por todas as nações, por causa do meu nome” (Mat 24:9). “Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos” (Mat 10:25). Não somos ensinados a sacrificar a verdade em favor da paz. Paulo disse: “Ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos anuncie outro evangelho que vá além do que vos tenho pregado, seja anátema” (Gl 1:8). Somos convidados a andar na contra-cultura, na contra-mão do que este mundo nos impinge. Nosso caminho é o estreito, não o largo.

Ir. Marcos Pinheiro

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CUIDADO: PASTORES CÃES



CUIDADO: PASTORES-CÃES

Infelizmente, igrejas fundamentadas na Bíblia estão se tornando cada vez mais raras nestes últimos dias. Os fundamentos da doutrina cristã estão sendo abandonados pela aceitação do erro e da heresia. A enganação está aumentando e muitas ovelhas de Deus estão sendo enganadas por charlatões disfarçados de ministro do evangelho. Os promotores desse quadro decadente são os pastores-cães sempre desejosos de agradar e de alcançar a aprovação dos homens. Esses maus líderes gostam de bajular para obter confiança e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples. Em Filipenses 3:2 o apóstolo Paulo assinala: “Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros”. Uma das passagens mais dramáticas da Bíblia é Isaías 56:11 onde o profeta dá as características dos pastores-cães “Estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte”. Como se observa no versículo, os pastores-cães são extremamente cobiçosos, de torpe ganância, avarentos; sevem ao seu próprio ventre; sempre buscam a sua satisfação pessoal deixando as ovelhas ao abandono. A idéia de um cão pastoreando ovelhas é contraproducente ao Evangelho. Jesus enfatizou que “O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas”. O bom pastor, não ladra, não rosna, não rezinga, não ataca, não coloca o rebanho em apuros, não alarga o caminho estreito, mas fala o que convém à sã doutrina. O objetivo primordial do bom pastor é colocar seu rebanho sob o temor contínuo do Senhor.
Os pastores-cães buscam os louvores de seus ouvintes e, jactando-se dos bancos cheios aos domingos, arvoram a bandeira falsa do avivamento. Esses maus líderes estão preocupados em solucionar as neuroses das pessoas, revestindo de açúcar seus sermões. Esquecem eles, que o único remédio para a cura dos males que afligem os homens, seja na mente ou no coração é a Palavra de Deus. Uma estratégia usada pelos pastores-cães é manter um perfil discreto e dar aos ouvintes o que eles querem, esperando que voltem no próximo domingo. Esses enganadores fazem com que as pessoas pensem que foram curadas dos seus pecados quando nunca souberam que estavam enfermas, eles colocam vestimenta de justiça sobre os seus ouvintes quando nunca souberam que estavam nus. Seus sermões são uma espécie de chá de eva-doce para acalmar os pecadores, mantê-los confortáveis e domesticá-los. Pregam um Deus meloso, bonachão que não faz exigências. Suas mensagens não têm a capacidade de arar a terra com profunidade, não rompe o solo rochoso da alma humana, não vai além da superfície. Nas igrejas dos pastores-cães a fé virou show, a adoração virou entretenimento, a santidade deu lugar ao “não tem nada a ver”, a cruz foi substituída por outra mais macia, ou seja, a freqüência do povo à igreja é comparada com o número de pessoas que vai a um parque de diversões. A igreja desses pastores-cães é a igreja da Aceitação: o pecado não é tratado com seriedade, todos podem entrar e permanecer pecadores contumazes. Esses maus líderes não entendem que clubes sociais construídos sobre o nome de Jesus Cristo não são a igreja do Novo Testamento. Um pregador que deixa de “quebrar alguns ovos” regularmente, por que tem o objetivo de ser popular, não está qualificado para o ministério. Uma característica marcante desses pastores-cães é que as experiências têm maior peso que as Escrituras. Quando as pessoas desmaiam na igreja, ou riem descontroladamente, ou latem como cachorros, ou miam como gatos, ou rugem como leões, ou se arrastam como cobras, esses pastores acham que todas essas manifestações são de Deus. Para esses réprobos a Bíblia somente é importante quando não contradiz suas experiências.
O salário altíssimo é a marca principal desses pastores-cães. A Bíblia diz que o trabalhador é digno do seu salário. Portanto, não há nada de errado um pastor receber um salário adequado. Mas, quando o pastor torna-se milionário e vive em uma grande mansão com carros do último tipo conseguidos do seu rebanho, é um lobo mercenário. Esses mercenários têm mundanizado o Evangelho. Para eles, o sucesso de uma empresa multinacional é o modelo a ser imitado pela sua igreja. É preciso entender que o mundo dos negócios está preocupado com a aparência e o lucro e não pode ser modelo para a igreja do Senhor Jesus Cristo. O verdadeiro pastor que não é mercenário é como Moisés que “permaneceu firme como quem vê o invisível” (Hb 11:27), ou seja, os seus olhos estavam sobre o invisível, o reino espiritual de Deus, não no reino deste mundo.
Os pastores-cães induzem o povo ao erro através de alianças com o que é profano. Para isso usam de jargões atraentes e diplomáticos do tipo: “Unidade na diversidade”, ”O amor une a doutrina divide”, “Devemos construir pontes e não muros”, “O verdadeiro cartão de identidade do cristão é o amor”. Através dessas frases engenhosamente bem construídas erros doutrinários grosseiros têm sido tolerados em nome do amor. Cristianismo é acima de tudo união de gregos e troianos, judeus e gentios, negros e brancos, ricos e pobres, todos unidos numa só fé. Mas, o cristianismo verdadeiro não tolera a conjugação entre o certo e o errado, a verdade e a mentira, a luz e a escuridão. A unidade não deve ser meramente espiritual, mas acima de tudo deve ser bíblico-doutrinária. Assim como a água e o óleo não se misturam, verdade e erro não podem combinar para produzir algo bom. Deus é amor, mas é também santo por isso não dá para justificar a união do santo com o profano como querem os pastores-cães. Em 2 Tessalonicenses Paulo exorta dizendo : “ Se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal e não vos mistureis com ele”. No capítulo 16 verso 17 aos Romanos, Paulo assinala dizendo: “Rogo-vos irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes, desviai-vos deles”.
No livro apocalipse há uma sentença severa para os pastores-cães “Ficarão de fora os cães” (AP 22:15). Cabem a nós, ovelhas, ficarmos atentos para a solene advertência: CUIDADO: PASTORES-CÃES!

Ir. Marcos Pinheiro

terça-feira, 4 de maio de 2010

CAFETÕES DO "DESEVANGELHO"

CAFETÕES DO “DESEVANGELHO”

Estamos vivendo a época de sermões superficiais onde pregadores são verdadeiros contadores de anedotas e especializados em motivação humana. A ira de Deus está quase completamente ausente nos sermões atuais. Para os cafetões do “desevangelho”, ou seja, do evangelho indolor, não é elegante falar sobre a ira de Deus contra o pecado; nem anunciar às pessoas que a ira de Deus é revelada do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens; é deselegante falar sobre o inferno; a existência do diabo e o juízo vindouro. Os cafetões do evangelho indolor afirmam que as pessoas precisam ouvir mensagens em tom positivo, otimistas, caso contrário, elas não nos ouvirão. Os líderes desse novo tipo de evangelho afirmam taxativamente que a igreja que tem a preocupação em pregar arrependimento, santidade, vida de renúncia e juízo final não conseguirá alcançar os perdidos da cultura atual. Esses líderes pregam uma graça barata, encorajam seus ouvintes a reivindicarem Jesus como salvador, mas podendo deixar para mais tarde o compromisso de obedecê-lo como Senhor. Os cafetões do “desevangelho” estão refinando o verdadeiro evangelho em termos antropocêntrico, ou seja, em vez de pregarem a Cristo crucificado e focalizarem as verdades mais severas sobre o pecado e o juízo de Deus, falam de sucesso e relacionamento interpessoal. Esses pregadores do evangelho indolor enganam seus ouvintes sobre aquilo que eles realmente precisam ouvir, prometendo-lhes satisfação e bem estar terreno, quando o que eles necessitam é de arrependimento, uma visão exaltada de Cristo e um entendimento do esplendor da santidade de Deus. Multidões tem sido conduzida a uma fé superficial, barata, inexpressiva e ineficaz devido à doutrina de salvação deficiente alardeada pelo “desevangelho” dos cafetões. A grande heresia do “desevangalho” é que se estabelece um conceito de fé que elimina a necessidade de abandono de pecado, de mudança de estilo de vida e rendição total ao Senhor Jesus. Os cafetões do evangelho indolor partem da seguinte premissa: “O fulano, que está sem igreja, não será convencido que suas necessidades de bem estar, saúde e segurança psicológica serão atendidas se ele ouvir uma mensagem sobre a necessidade de arrependimento, de abandono de pecado, de uma vida de renúncia, ou ouvir uma exposição do juízo vindouro; ele não pode ser confrontado com o chamado ao auto-exame, porque há o risco de ele não voltar mais a igreja”. Ou seja, esses cafetões transformam a pregação da cruz de Cristo de “loucura para os que perecem” para uma panacéia de necessidades carnais onde não se dá tempo para haver convicção de pecado, nenhuma oportunidade para haver arrependimento profundo, nenhuma chance para se compreender de que se estar perdido, e nenhuma ocasião para que o Espírito Santo opere. Uma das marcas distintivas da pregação dos apóstolos era a defesa da doutrina cristã. A preservação da Palavra era central na vida da igreja primitiva. Quando Filipe desceu a Samaria a Bíblia diz: “E descendo Filipe à cidade de Samaria, lhes pregava a Cristo” (Atos 8:5), Pedro se apresentou ao centurião romano em Cesárea e disse-lhe “O Senhor nos mandou pregar ao povo e testificar que Jesus é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos” (Atos 10:42), Paulo pregou a Cristo crucificado, uma pedra de tropeço para os incrédulos judeus e loucura para os gregos intelectuais (I Co 1:23). A maneira como Paulo confrontou Felix e sua esposa Drusila põe por terra o evangelho indolor. Paulo não lhes ofereceu palavras de conforto, não suavizou sua mensagem em tom positivo, não tentou bajular, lisonjear ou agradar a Felix e Drusila. O objetivo de Paulo não era fazer que o casal se sentisse bem consigo mesmo e ignorasse o juízo de Deus, mas Paulo desejava levá-los a sentirem-se pecadores miseráveis. Por isso Paulo dissertou sobre três assuntos: a justiça, o domínio próprio e o juízo vindouro (Atos 24:25) . Quando Pedro pregou à multidão no dia de Pentecoste, ele não tentou encantá-la, diverti-la ou fazê-la sentir-se bem consigo mesma, mas conclamou a todos que se arrependessem. Aqueles que defendem que o evangelho deve ser apresentado sempre em tom positivo, otimista serão forçados a ignorar partes cruciais das Escrituras tais como Romanos capítulo 1, Lucas capítulo 16, capítulos 6, 8 e 9 de Apocalipse, todas as passagens de advertência do livro de Hebreus e 50% dos ensinamentos de Jesus. A multidão que seguia Jesus era oprimida tanto politicamente quanto religiosamente pelos cobradores de impostos e pelas autoridades religiosas de Israel que lhes impunha pesadas arbitrariedades. Mesmo assim, Jesus disse-lhes que deveriam abrir mão até de suas famílias e renunciar tudo, até a própria vida. Para os cafetões do evangelho indolor a mensagem de Jesus era impopular e insensível às necessidades daquela multidão. Os cafetões de hoje são forçados a darem nota zero a Jesus como pregador, pois sua mensagem foi descontextualizada. O grande mal dos cafetões do evangelho indolor é que eles não preservam a inteireza da Palavra de Deus. Eles se utilizam da psicologia freudiana que suaviza o conceito de pecado e de culpa; se utilizam do postulado da antropologia que diz que o homem é a coisa mais importante do universo, o homem é um “deus” para si mesmo; se utilizam da psicologia de Carl Rogers que ensina como ter sucesso; apegam-se ao postulado da sociologia que toma os valores éticos da Bíblia e os chamam de tabus que devem ser abandonados; utilizam-se veementemente das técnicas de marketing que ensina como fazer com que as pessoas comprem a sua idéia usando a isca do hedonismo para conquistá-las. Mas diante de toda essa catástrofe espiritual Deus sempre levanta um remanescente que prega todo o Conselho de Deus na sua inteireza. O Senhor fez isso no século XII na França levantando os Valdenses; fez isso em Florença na Itália no século XV com as mensagens ungidas e contundentes de Jerônimo Savonarola; no sáculo XVII Deus levantou na Inglaterra os puritanos que lutaram por uma doutrina mais pura, uma liturgia mais pura, uma vida mais pura; no sáculo XVIII, Deus levantou homens como George Whitefield, John Wesley e Jonathan Edwards; no sáculo XX Deus levantou Charles Spurgeon que combateu a contextualização da Palavra de Deus pelo humanismo, e pelos costumes seculares da época.
Levantemo-nos pela verdade, não importando o preço!

Ir. Marcos Pinheiro

segunda-feira, 19 de abril de 2010

CAFETÕES DAS MEGA-IGREJAS

CAFETÕES DAS MEGA-IGREJAS

O frenesi para o mundo dos negócios é: “cresça ou morra, sua empresa precisa ser a maior, portanto, cresça de qualquer jeito”. Essa mentalidade se infiltrou no meio evangélico resultando na construção de mega-igrejas. Essas mega-igrejas estão sendo vistas como um retrato da expansão do Reino de Deus aqui na terra, e tem sido confundido com avivamento. A igreja foi instituída para crescer. Jesus estabeleceu essa missão para a igreja, quando disse: “Ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1:8). À medida que o Evangelho é pregado cumpre-se a promessa de que a igreja se multiplicará. Em apocalipse 7:9 está registrado que o número dos remidos será imenso, mais do que a areia da praia. A grande questão é como ocorre esse crescimento. Não são poucos os livros que estão à venda sobre “Como fazer a igreja crescer”. Nesses livros a tese é atrair as pessoas oferecendo-lhes quatro coisas que elas precisam: sucesso, felicidade, amor e reconhecimento. Daí os temas: “novas metodologias”, “novas estratégias”, “novas técnicas” para encher a igreja. A conseqüência nefasta é que os líderes que aderiram a esse movimento de construção de mega-igrejas perderam a noção do que a igreja é e de como alguém se torna um de seus membros. Frases de cunho empresarial têm sido alardeadas por esses líderes tais como: “Temos o melhor produto do mundo para vendermos – a salvação”; “O que leva a igreja crescer é estar no lugar certo no tempo certo”; “Se você colocar o Evangelho na embalagem correta, as pessoas serão salvas”. Ou seja, a igreja não tem crentes, tem clientes. Clientes que pagam os salários dos pastores e pastores que movem céus e terra para ver sua igreja-empresa cheia.
Em Atos 4:31 nos informa que toda a igreja orava e “Tendo eles orado todos foram cheios do Espírito Santo”, no verso 33 Lucas nos diz que “Em todos havia abundante graça”. Em Atos 9:31 diz que a igreja se edificava no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo, e por isso se multiplicava. Em Atos 11: 24 Lucas vincula a eficácia do ministério de Barnabé, em Antioquia, ao fato de que ele era “cheio do Espírito Santo e de fé”. Portanto, o crescimento numérico nunca foi abordado, no Novo Testamento, como o interesse primordial da igreja. O crescimento vinha como conseqüência dos crentes serem cheios do Espírito Santo, andar no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo. A igreja participava da vida de Cristo, e por isso crescia, não inchava. Não foi a aplicação específica de qualquer técnica ou metodologia que fez a igreja crescer, não foi o mapeamento da receptividade ao Evangelho, nem o estabelecimento de alvos numéricos e nem cada um definindo para si mesmos os dons espirituais que levou o crescimento da igreja, mas foi o envolvimento com a Palavra, com a Doutrina Santa que trouxe o crescimento. Foi a vida de homens e mulheres que se despojaram de sua segurança terrena que trouxe o avivamento. Há pessoas que buscam ter um corpo musculoso e para isso fazem qualquer coisa, inclusive, tomam anabolizantes que dá excelentes resultados quanto ao crescimento da massa corporal. O problema é que os anabolizantes acabam por matar o corpo, através de cânceres, ataques cardíacos e outras seqüelas. Assim tem sido o crescimento de muitas igrejas: anabolizante, doentio, pulvéreo, que no final termina em morte espiritual. Constata-se claramente que o movimento de crescimento de igrejas não tem nada a ver com avivamento, pois a conversão é um mero exercício de persuasão humana e não um milagre da parte de Deus. As mensagens dos cafetões das mega-igrejas são anabolizantes, pois visam atender as necessidades sentidas tais como: reduzir o stress do seu dia a dia, evitar a fadiga da sua psique, construir uma personalidade forte, elevar sua auto-estima. São mensagens confortadoras e não confrontadoras. As mensagens dos cafetões das mega-igrejas têm arruinado a pureza da igreja e está levando as pessoas dizerem que estão salvas antes mesmo de ter a consciência de estarem perdidas. Em suas mensagens, as boas novas de Cristo dão lugar às más novas de uma fé fácil e traiçoeira que não faz qualquer exigência moral para a vida dos pecadores. Jesus é oferecido para suprir as carências psicológicas das pessoas e não para levá-las a reconhecer a sua condição de pecadora. A marca registrada do apelo dos cafetões das mega-igrejas aos incrédulos é: “Experimente Jesus”, ou seja, Jesus é um mero produto de consumo.
Desde o início de seu ministério Jesus evitou adesões fáceis e superficiais. Jesus se recusou a proclamar palavras que dessem aos seus ouvintes uma falsa esperança. Suas palavras nunca deixaram de alertar as pessoas quanto a um compromisso superficial. Jesus nunca apresentou o cristianismo como os cafetões apresentam hoje, uma opção suave, sem calcular o custo de seguir a Cristo. A pregação dos cafetões rebaixa o alto preço da redenção, pois eles anulam o escândalo da cruz, não fazem menção da ira de Deus, não mencionam que Deus odeia o pecado, não chamam as pessoas ao arrependimento e nem alertam que haverá um juízo final. O tema de suas mensagens sempre é: “Deus lhe ama e deseja tornar você próspero, rico e feliz”. Como os cafetões sempre querem derribar celeiros para construir outros maiores, sempre pregam uma mensagem aprazível, adocicada, festeira, gaita, humorística e teatral. Isso lota igreja. Alguns apregoam: “Estamos no avivamento, catedrais e mais catedrais, estão sendo construídas, os seminários estão cheios, os cultos realizados nos hotéis e nos templos estão superlotados”. É preciso entender que o que Deus chama de filhos espirituais, e o que a igreja hoje vem chamando de filhos são duas coisas bem diferentes. Paulo disse aos crentes da Galácia: “Meus filhos, por quem sofro de novo as dores de parto, até Cristo seja formado em vós”. Era como se Paulo dissesse: “Não me digam quantos freqüentam a igreja, não me digam quantos cantores formam o coral, não me digam a quantidade e a qualidade dos instrumentos que acompanham o louvor da igreja, não me falem das obras sociais que vocês realizam. Mas, digam-me quantos estão formados à semelhança de Cristo, quantos estão caminhando na trilha da renúncia e da santidade”.
O Senhor vai encerrar as eras destronando os ministérios dos cafetões das mega-igrejas que adocicam a doutrina de Cristo transformando-a numa doutrina centrada no sucesso e no pensamento positivo. Nesse tempo do fim, Deus levantará servos e servas que lançarão o machado à raiz produzindo cura através do arrependimento e abandono de pecado. Esses servos e servas não foram treinados por métodos humanos, mas foram treinados pelo Espírito Santo porque aprenderam o que é trancar-se com Deus no lugar secreto de oração.

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 10 de abril de 2010

SERMÕES MANIPULADORES

SERMÕES MANIPULADORES

O cristianismo foi, e ainda é um terreno muito fértil para o desenvolvimento de manipuladores. Manipular é tratar as pessoas como “objeto”, é adestrá-las. A igreja atual está sendo atacada veementemente por sermões manipuladores. Estamos vivendo uma época de falta de identidade cristã. O tempo é de blandícia, de contrafação, de sovinice, onde líderes travestidos de cordeiro com mensagens de anjo estão gerando verdadeiros papagaios na igreja: “Repita comigo, eu sou vencedor”, “Olhe para o seu irmão e diga, o gigante será derrotado” é uma espécie de “rosário evangélico”. Os líderes manipuladores ficam o tempo todo nesse rosário, nesse chafurdo, nessa “papagaiada”, nessa lavagem cerebral de cunho motivacional conduzindo as pessoas a desconsiderar a genuína fé em Deus. Os marcos antigos ensinados, pregados e proclamados pelos santos profetas do Antigo Testamento, por Cristo e os apóstolos do Novo Testamento foram desprezados e substituídos pelo “novo sermão”. Nesse “novo sermão” a manipulação é marca registrada. O “novo sermão” é fofo, é confortável, é cama macia, é sem sal e sem luz. Os pastores manipuladores afagam o ego das pessoas, bajulam seus ouvintes com frases do tipo: “Nós somos um povo especial”, “Essa igreja mora no coração de Deus”. O objetivo é levar o ouvinte a aceitar a tudo o que eles pregam. Seus sermões sempre têm um tom humorístico para despertar os sentimentos e as emoções do povo. Bombardeiam seus ouvintes com frases pré-fabricadas, com chavões e slogans para dar a impressão que suas palavras são inquestionáveis. Esses pregadores manipuladores pregam para angariar fama e se comprazem em contestar a singeleza do Evangelho fazendo de seu púlpito destilarias de ficções e fantasias. Eles modificam a verdade para o lado que lhes interessa, torcem o sentido dos textos bíblicos para o sentido que lhes convém. Para os manipuladores o padrão para se avaliar a benção na igreja é o número de freqüentadores, não importa se são salvos ou não, o negócio é ter a “casa cheia”. Todos esses traficantes do mal, travestidos de cristãos, mas falsos profetas são inimigos da cruz de Cristo e amantes de si mesmos. Por onde passam deixam atrás de si rastos melancólicos de trapos humanos, uns desiludidos, outros, impossibilitados até mesmo de vir um dia a levar a sério o verdadeiro Evangelho para a salvação de suas almas.
Em Ezequiel 34:2 lemos: “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos!”. O profeta dirige-se aos líderes que tinham a responsabilidade de cuidar do povo de Deus. Mas, eles tratavam o rebanho de qualquer maneira e de forma abusiva. O versículo 3 diz: “Comeis a gordura, vesti-vos da lã e degolais o cevado, mas não apascentais as ovelhas”. Para Ezequiel, o interesse daquelas pastores estava nos benefícios materiais que poderiam receber das ovelhas – carne, gordura e lã e não nos benefícios espirituais que poderiam e deveriam repartir no cuidado do rebanho. O interesse daqueles pastores não estava centrado no chamado de Deus e no pastoreio e sim no poder e na manipulação que exerciam sobre as ovelhas. O profeta ainda descreve um quadro melancólico “A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes” (V4). Muitos hoje estão no ministério por interesses financeiros, as ovelhas só lhes interessa pelo que podem conseguir delas, o resto é irrisório. Como ser pastor virou uma profissão, o pastor-manipulador fará de tudo que estiver ao seu alcance para não perder a “boquinha”, ou seja, a sua aposentadoria gorda. Os manipuladores, geralmente, declaram-se “pastor-doutor” com o objetivo de impressionar seus ouvintes e criar uma imunidade parlamentar espiritual dando a entender que tudo que falam se torna verdade absoluta, com a maldição eterna sobre a vida daquele que ousa questioná-los. É necessário nos precavermos em relação aos “doutores do nada”. Os inimigos da fé, tão perigosos e mortíferos como a cobra de Malta.
Lamentavelmente, no mundo atual, o desejo de ser pastor tem significado desejo por status. Pessoas vêem o chamado pastoral como possibilidade de construírem seu próprio império através de mensagens manipuladoras psicologizadas. Mas, ser pastor de verdade é abrir mão de seus planos pessoais para estar na casa de desconhecidos, muitas vezes de difícil acesso em áreas paupérrimas, falando do amor de Deus. Ser pastor de verdade é entender e acolher pessoas magoadas, angustiadas, deprimidas, é estar disposto a abrir mão do seu conforto e ir atrás de uma única ovelha perdida. Ser pastor de verdade é ser desprezível, para que suas ovelhas alcancem nobreza. Ser pastor de verdade é afadigar por amor às ovelhas, sem saber se haverá recompensa. Ser pastor de verdade é ser louco por causa da doutrina, para que outros sejam sábios em Cristo. Ser pastor de verdade é acolher um ministério de lágrimas. Quando Jesus veio a este mundo não assumiu uma posição de realeza, mas assumiu a posição de servo. É urgente pedirmos a Deus que suscite uma nova geração de pastores que possuam genuínos corações de servos. Corações que estejam realmente no servir o povo de Deus e não em serem servidos. Não precisamos de líderes que usam o ministério para impor suas vontades e visão de mundo, mas precisamos de líderes-servos a serviço do povo de Deus. A manipulação é tão perigosa que tem levado muitos a terem a mesma idéia do catolicismo romano: Pastores são mediadores entre Deus e os homens. O papa que se cuide!

Ir. Marcos Pinheiro

terça-feira, 6 de abril de 2010

CAFETÕES DA PROSPERIDADE

CAFETÕES DA PROSPERIDADE

Durante séculos a igreja pregou a renúncia e denunciou a cobiça como pecado. A pregação evangélica enfatizava que os crentes não deveriam se apegar às coisas materiais. Hoje, ter um encontro com Jesus constitui quase que ganhar na loteria. A pregação escatológica sobre a vinda de Jesus, a pregação sobre renúncia, negação de si mesmo, tomar a cruz, caminho estreito, submissão ao Espírito Santo e obediência perderam terreno. A maldita teologia da prosperidade apregoa que Jesus veio ao mundo pregar o Evangelho aos pobres justamente para que eles deixassem de ser pobres. Os cafetões da prosperidade têm ensinado que todos os crentes devem ser ricos financeiramente, ter o melhor salário, a melhor casa e o melhor carro. Se o crente não vive assim, é porque não tem fé, ou está em pecado, ou debaixo de alguma maldição. A ênfase é adquirir riquezas a qualquer custo. A ênfase é no sucesso, é chegar ao topo, é ser diamante aqui na terra. O grande mal dessa teologia da prosperidade é que Deus é visto como uma espécie de investimento, ou seja, o crente doa recursos financeiros na certeza de que Deus está obrigado a lhe dar uma resposta através de muito dinheiro. Existe nessa teologia uma nítida relação de troca. Aliás, para os cafetões da prosperidade toda e qualquer passagem bíblica serve como pretexto para estabelecer a relação de troca com Deus. A idéia de que Deus prometeu deixar ricos todos os crentes é uma falácia, é um engano. Aliás, Deus advertiu contra isto: “Os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína” (I Tm 6:9). Os cafetões da prosperidade postulam: “Se Deus é rei, então, seus filhos devem ter o que de melhor existe no mundo”. O resultado desse postulado maligno leva as pessoas a terem uma lista de ordens para Deus, chegando a decretar, determinar e exigir que o Senhor faça uma série de coisas. Aqui cabe uma pergunta: Quem somos nós para decretar, determinar, exigir alguma coisa de Deus? Imagine um servo que, ao invés de fazer o serviço, está dando ordens para o dono da casa. Isso seria um atrevimento. Podemos e devemos apresentar nossos pedidos diante do Senhor, mas nunca ordens, determinações. Nossa posição perante o Senhor é de servo submisso que não apresenta exigências, mas que busca viver conforme a Sua vontade. Servos não exigem, submetem-se. Os cafetões da prosperidade transformam Deus em nosso fantoche, um Deus que age de acordo com os nossos comandos e vontades. É preciso entender que Deus é Soberano e não podemos rebaixá-lo ao nível humano. A verdadeira prosperidade não consiste em conseguirmos tudo o que queremos, mas consiste em estarmos onde Deus quer que estejamos. Se o Evangelho for garantia de riqueza como apregoam os cafetões da prosperidade, então, Jesus não conheceu esse Evangelho, pois em Mateus 8:20 diz que Ele não tinha onde reclinar a cabeça. Quando José e Maria foram ao templo apresentar Jesus no oitavo dia, levaram consigo a oferta do pobre “E para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas ou dois pombinhos” (Lc 2:24). Em Levítico 12: 8 diz “Mas, se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomarás então duas rolas ou dois pombinhos”. Para os cafetões da prosperidade a situação financeira de José e Maria indica que o casal estava sob algum tipo de maldição, pois não tinham condições de ofertar um cordeiro. Paulo, também não conheceu esse Evangelho dos cafetões, pois viveu sem riquezas, “Até a presente hora sofremos fome e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas e não temos pousada certa” (I Co 4:11), “Como pobre mas enriquecendo a muitos” ( 2 Co 6:10). Para os cafetões da prosperidade, Paulo era um homem sem fé ou estava em pecado ou sob alguma maldição. Durante o período de perseguição o apóstolo João foi banido para a ilha de Patmos. A única população que existia naquela ilha era alguns prisioneiros exilados e condenados a viver lá até o fim de seus dias. João foi mandado para morrer na ilha de Patmos como os prisioneiros que estavam lá. Quantas noites de frio, João teve que enfrentar sem nenhum cobertor? Quantas vezes, João acordava, tremendo de frio, nas madrugadas geladas, devido às tempestades do mediterrâneo? Que tipo de comida João teve para se alimentar? Banido naquela ilha, isolado, longe da civilização, João não tinha dinheiro, nem conforto, nem igreja, nem pousada digna. Na visão dos cafetões da prosperidade, João era um derrotado e estava sob alguma maldição. Mas foi naquela situação aparentemente de fracasso que João foi arrebatado em espírito e recebeu as maravilhosas revelações do tempo do fim. A verdade é que os cafetões são criadores de expectativas ilusórias para o povo. Eles têm transferido o céu para a terra, dando ao céu um sentido materialista, visível, hedonista e egocêntrico. Manipulam as pessoas para que acreditem que para serem “valentes de Deus da última hora” têm de forçosamente mexer nas carteiras. Os cafetões da prosperidade seguem o exemplo e o legado de Geazi. Após Naamã ter recebido a cura de sua lepra queria ofertar o profeta Eliseu. O profeta, porém, achou injusto tirar proveito daquilo que Deus fez através dele e, recusou a oferta de Naamã. Geazi, servo de Eliseu, tinha um coração cobiçoso e, por isso, intentou desvirtuar o ato gracioso de Deus visando proveito próprio. Ao ver Eliseu recusar os presentes e o dinheiro de Naamã, Geazi foi atrás da caravana de Naamã para tomar para si aquilo que alimentaria seu espírito mercenário. Geazi deu início àquilo que ainda nos dias de hoje encontra ressonância: o assalto aos bolsos alheios através dos púlpitos. Há diferenças gritantes entre o verdadeiro pastor e o cafetão da prosperidade: o verdadeiro pastor busca o bem das ovelhas, o cafetão busca os bens das ovelhas, o verdadeiro pastor dirige igreja, o cafetão dirige igreja-empresa, o verdadeiro pastor vive à sombra da cruz, o cafetão vive à sombra dos holofotes. Os cafetões da prosperidade têm transformado a casa do Senhor em covil de iniqüidade, têm corrompido a igreja com doutrinas abomináveis, mas os seus dias estão contados. Nesta última hora, Deus vai purificar a sua igreja, vai queimar a palha sem valor em sua casa. O Senhor sairá como valente, despertará o seu zelo como homem de guerra e mostrará sua força contra seus inimigos. Nesse tempo do fim, o Senhor vai levar à falência todo mau trabalhador que tem usurpado os púlpitos. O Senhor vai acabar com todo ministério que for da carne, da autopromoção e da cobiça. Os dias de fingimento estão chegando ao fim, Deus vai destronar os cobiçosos, os cafetões da prosperidade. O Senhor vai acabar com o “Evangelho” das guloseimas. Todos conhecem a parábola das dez virgens. Cinco delas foram barradas da festa matrimonial porque tinham saído para comprar óleo quando o noivo chegou. O noivo não lhes perguntou aonde elas tinham estado; não as repreendeu por terem deixado faltar o azeite; não lhes disse que tinham chegado tarde demais. O noivo simplesmente disse-lhes: “Não vos conheço”. Este é o âmago da parábola. Em outras palavras Jesus, o noivo, estava dizendo-lhes: “Vocês nunca me levaram a sério; Vocês banalizaram a minha salvação; Vocês incentivaram o meu povo a avareza; Vocês conduziram a igreja a fazer barganha comigo”. Essas serão as palavras que os cafetões da prosperidade ouvirão do Grande Eu Sou!

Ir. Marcos Pinheiro