domingo, 15 de fevereiro de 2015

ESPIRITUALIDADE PITBULL



                               ESPIRITUALIDADE PITBULL

A espiritualidade cristã contemporânea precisa urgentemente resgatar a palavra de Jesus: “O maior dentre vós será vosso servo” (Mat 23:11). Na presente geração o termo servo tem a conotação de nobreza. Virou tratamento aristocrata. É servo quem é grande. É servo quem comanda. É comum se ouvir a expressão: “Está entre nós, nesta noite, o grande servo de Deus, pastor fulano”. Ora, se é servo não é grande. A verdadeira espiritualidade não é narcisista, nem pedante. O crente espiritual não olha de cima para baixo para os demais irmãos, mas ver-se como servo, e nada mais! Arrogância mística é “espiritualidade pitbull”.

Os cachorros pitbulls são bravos, têm mandíbulas desenvolvidas e tendem a morder sem avisar. Assim são os líderes acometidos da “espiritualidade pitbull”. A espiritualidade pitbull é a da sanguessuga, retratada por Agur: “Duas filhas tem a sanguessuga, Dê! Dê! gritam elas” (Pv 30:15). Nesse contexto, os líderes pitbuls conseguem arrebanhar multidões e mantê-las presas ao seu “mamonistério”. À semelhança dos cachorros da raça pitbull, eles esfoliam suas ovelhas arrancando a pele, espedaçando os ossos e extirpando a carne. Durante a dissecação, latem: “Ofertem em nome do Pai, ofertem em nome do Filho, ofertem em nome do Espírito Santo que vocês receberão em triplo”.

Os “pitbulls espirituais” julgam-se grandes crentes, valorosos crentes, inigualáveis crentes. Aspiram liderança na igreja por necessidade de reconhecimento. Gostam de impostar a voz com tremeliques e gestos coreográficos para dar um ar de espiritualidade ao ambiente cúltico.  Os “pitbulls espirituais” estão acometidos da síndrome de Simão, o mágico, que se presumia grande personagem. Têm espiritualidade marqueteira e demonstram isso falando em “línguas” quando estão pregando. Fazem questão de alardear como oram e quando jejuam. Esqueceram das palavras admoestadoras de Jesus: “Quando jejuares, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto, para que aos homens pareça que jejuam” (Mat 6:16). Espiritualidade não é teatralidade. A autêntica espiritualidade não se exibe ostensivamente. Ela aparece espontaneamente e é percebida. Não precisa de trombetas.

Os pastores pitbulls não têm temor a Deus. Fazem piadas com o nome de Jesus. Colocam termos de baixo calão na boca de Jesus. Dizem gírias e até impropérios e palavrões no púlpito. Esses pitbulls nunca leram nas Escrituras que espiritualidade sem o temor de Deus não é consistente. É um oximoro. A visão que o profeta Isaías teve da glória do Senhor produziu nele uma sensação de temor: “Ai de mim!” Isso marcou a vida do profeta. O puritano Thomas Brooks disse: “Conhecemos os metais pelo som que produzem e os homens por aquilo que falam”. Em Mateus 12:34 Jesus pontuou: “Do que há em abundância no coração disso fala a boca”. Portanto, ser espiritual é identificação com Cristo. É se colocar como modelo para os demais. Paulo disse a Timóteo: “Tu, tens seguido o meu ensino, a minha conduta, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança” (2Tm 3:10). Espiritualidade não se prova com enlevo verbal, mas com conduta e com o que sai da boca.

Os cães da raça pitbull colocam em risco pessoas e outros animais devido a sua agressividade, por isso, devem circular em espaços públicos com focinheira. Os líderes pitbulls põem em risco as almas das pessoas, pois as tornam duas vezes filhas do inferno. Nos seus sermões ocultam a teologia da cruz. Ensinam poder do pensamento positivo, quebra de maldições na família, incubação da bênção, cura de memórias, elevação da auto-estima, libertação do estresse, realização de sonhos, auto-descobrimento, neurolinguística, confiança em si mesmo. Nos seus sermões exaltam ímpios e homens de pensamentos antibíblicos tais como: Freud, Carl Jung, Lair Ribeiro, Augusto Cury, Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Mahatma Gandhi, William P. Young, Tim LaHaye, James Dobson, Martin Luther King, Philip Yancey, Eugene Peterson, Rick Warren, Max Lucado, Richard Foster. Jesus é periférico e a Bíblia é acessório. É disso que o povo gosta!

É constante o noticiário de ataques de cães pitbulls a pessoas e animais. Ainda assim, há aqueles que defendem que sua real face é a de um cão dócil. O mesmo acontece com o rebanhão dos líderes pitbulls. Atolados na cegueira espiritual, o rebanhão, sem nenhum senso de discernimento, defende o seu pastor-cão-pitbull com suas heresias e apostasias. E, ai daquele que apontar o antibiblismo do pastor-cão-pitbull. É ameaçado com “maldições” e acusado de rebelde.

Os cães da raça pitbull necessitam de treinamento para não se tornarem agressivos. Assim são os pastores pitbulls, necessitam ser treinados nas Escrituras, ou seja, precisam manejar bem a Palavra da verdade, conhecer mais a Palavra e o Deus da Palavra. Pesquisas na área da medicina veterinária apontam que os lábios dos cães da raça pitbull são secos. A mensagem dos pastores pitbull é árida, estéril, fastidiosa, sem vida, seca. Para que a mensagem tenha vida e seja relevante é preciso negar o eu e a carne, seguir o Espírito, em humildade e submissão a Deus. Isso está distante ano-luz (9,5 trilhões de quilômetros) dos pastores pitbulls.

Ir. Marcos Pinheiro

domingo, 1 de fevereiro de 2015

EGOLATRIA NO MEIO EVANGÉLICO



                            EGOLATRIA NO MEIO EVANGÉLICO


O que você achou daquela cantata? O que você achou daquela banda? Daquele cantor? Fantástico! Fashion! Que tenor! Que coral! É notório, no meio evangélico, a quantidade de cantores, grupos de louvores, corais e bandas que se apresentam em igrejas e estádios para serem aplaudidos; receberem ovações, prêmios e troféus. Tudo que é antropocêntrico é idolatria. Portanto, a idolatria campeia livre no meio evangélico. A maioria dos corinhos feitos pelos cantores gospel é focada única e exclusivamente no homem. Esses corinhos são mantras musicais para satisfazer os delírios das pessoas. Não tratam Deus como o Soberano Senhor, mas como um beneficiador sagrado. Os mantras musicais promovem a egolatria através de declarações levianas com ar de seriedade do tipo: “Você nasceu para ser estrela”, “Você nasceu para brilhar”, “Seus adversários não vão morrer enquanto você não for exaltado na terra”.

A idolatria é tão forte no meio evangélico que se criou graus de qualidade para classificar os grupos de louvores, os corais, as cantatas e os cantores em excelente, bom, regular e ruim. Aí vem o “ministro de música”, põe o microfone dentro da boca, bate na coxa e levanta a “galera evangélica” alucinante. Gritos bizarros são ouvidos dos fãs. Nesse contexto, a Soberania de Deus e os Seus atributos são colocados na periferia. No Novo Testamento o elemento que evidencia a sinceridade da adoração é a edificação, não o personalismo. A adoração deve ser cristológica e cristocêntrica, não com cânticos centrados no adorador.

Nem toda adoração é correta aos olhos de Deus. Creio que para qualquer leitor honesto da Bíblia isso é tão claro como o sol ao meio dia. As Escrituras falam sobre a adoração realizada em vão, bem como a adoração verdadeira; sobre o culto de si mesmo, bem como sobre a adoração espiritual. Lamentavelmente, a adoração nas igrejas evangélicas passou a ser pomposa e estética. Isso tem gerado a egolatria. Preocupados com a egolatria, a Reforma Protestante substituiu a pompa, a performance artística e o esplendor estético pela simplicidade e fidelidade à Bíblia. Os reformadores rejeitaram as habilidades artísticas e a adoração teatral, porque entenderam que a adoração a Deus não é uma atividade estética, nem expressões de dotes artísticos, nem vitrine de talentos. Eles pintaram de cal todas as igrejas, por dentro e por fora; removeram os incensos, os sinos, as velas e os castiçais. Tiraram das igrejas todas as janelas com seus vitrais coloridos e “charmosos”. Aboliram todas as vestimentas clericais. Enfim, os reformadores tiveram que jogar fora os acréscimos humanos na adoração, tiveram que abolir o antropocentrismo para que o povo  passasse novamente a adorar de coração e se livrasse da egolatria.

Deus classificou a adoração na época de Amós de “estrépita” (Amós 5:23). A palavra no hebraico é “hamown” que significa bagunça, baderna, algazarra. A adoração baderneira é patente em muitas igrejas evangélicas. Não há quebrantamento, mas estrelismo. Não há contrição, mas egolatria. Tudo se move em torno do “eu”. Chavões tolos e infantis do tipo: “Conquiste o impossível”, “Caia por terra”, “Seja cabeça e não cauda”, predominam. Deus é contundente: “Oferecei sacrifício de louvores do que é levedado” (Amós 4:5). O fermento é visto nas Escrituras como um tipo de pecado carnal. “Ofertas fermentadas” simbolizam impureza e indulgência carnal. Os famigerados “artistas gospel” adoram indulgência carnal. Basta vermos em suas faces a expressão de satisfação narcisista por estarem na mira dos holofotes, jogos de luzes e flashes fotográficos. Ademais, chegam às raias do ridículo ao dizerem: “No final do louvor haverá uma sessão de autógrafos”. Altares para si! Monumentos para si! Egolatria! Indulgência carnal!

Lamentavelmente, essa “adoração bagunceira” tem jogado no lixo o nome “evangélico” que construímos em um século. Satanás não é o culpado. A culpa é da cobiça e da falta de intimidade com Deus de muitos líderes. Ninguém me convence que um servo de Deus precisa ter um haras de cavalos manga larga, uma coleção de carros antigos, uma coleção de ternos e gravatas, uma BMW à prova de bala, um jatinho. Ninguém me convence que é lícito um escravo de Cristo viver de turismo alegando propósitos culturais, quando na verdade o turismo passou a ser um fetiche tal qual o bezerro de ouro adorado pelos israelitas. A ostentação é pecado, pois gera idolatria.

Alguns destacam as palavras de Jesus “Não julgueis, para que não sejais julgados” (Mat 7:1), para fechar os olhos aos pecados cometidos em nome do Evangelho. Mas, Paulo reclamou da igreja de Corinto em não julgar um crente que procedia mal: “Não julgais vós os que estão dentro?” (I Co 5:14). Se os profetas da era apostólica tinham de ser provados (I João 4:1), quanto mais os de hoje.

Hoje, pastores promovem cantores evangélicos do mesmo modo que o mundo promove Muay Thai, Jiu-Jitsu, Boxe e Luta livre: “Os dois cantores que estarão no nosso 15º aniversário são pesos pesados”, disse um pastor ególatra. Misericórdia! A igreja virou ringue. Na verdade, a igreja passou a ser o local onde decorrem comércio e competição entre cantores evangélicos na mesma fatia de mercado.

A igreja não é MMA – Mixed Martial Arts, loja de conveniência ou clube social, mas local para cura e restauração pela salvação de Jesus Cristo. Local de pregação do Evangelho genuíno. Local de confronto do pecado e inconformismo com o mundo. Local da verdadeira adoração, não de egolatria.

Ir. Marcos Pinheiro

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

APLAUSOS PARA JESUS



                                  APLAUSOS PARA JESUS
A moda de aplaudir Jesus veio para ficar e ficou! De vez em quando o “ministro de louvor” manipula a platéia poluindo o culto com uma saraivada de aplausos para Jesus. Alguns pastores, antes de iniciar a sua mensagem ordenam ao rebanhão: “Jesus merece uma salva de palmas nesta noite”. E, tome aplausos! Nesse contexto, Jesus é o grande artista da noite. E, para variar, junto com os aplausos vêm os assobios e o gritinho moleque do pastor: “uuuuuuu!”.

No Novo Testamento não encontramos nenhuma referência ao de aplaudir, muito menos em relação a uma atitude cúltica. O Novo Testamento nos convoca a prestar a Deus um culto “Logiken Latria”, ou seja, um culto inteligente, racional (Rm 12:1). O culto racional não requer expressões gestuais, sacolejos, assobios, rodopios, requebros, meneios, catarse, gritarias histéricas, e nem aplausos para Jesus. A igreja não é um parque de diversão. Não é um clube sócio-esportivo. Não é um salão de festas. “Aplausos” cabem onde há desfiles, reuniões sociais específicas, calouros seculares mediáticos e afins. Aplausos só servem para incendiar o emocionalismo. Culto a Deus requer quebrantamento, humilhação, contrição, lágrimas, confissão, arrependimento, contentamento espiritual. Tudo bem distante de gritinhos, pulinhos, rebolados e aplausos como se estivesse diante de uma cena teatral.

Inevitavelmente, os incendiários aplausos para Jesus incentivado pelos líderes moderninhos fomentam os ritmos dançantes na hora do louvor. O culto com todo tipo de parafernália tecnológica: telões Led, jogos de luzes e fumaça, transforma-se em show. Instigado pelas palavras hipnóticas do “ministro de louvor” o “carnaval carismático” é estabelecido. E haja “salva de palmas para Jesus”. Alguns dizem: “Aplausos, não é nada de mais, é cultural”. Esquecem os que assim dizem que Abraão, o pai dos fiéis, foi chamado a abandonar a cultura de um mundo pagão e viver uma vida de maneira totalmente distinta para o Senhor. O Antigo Testamento apresenta inúmeros exemplos da ira de Deus contra qualquer mistura com outras culturas, no culto a Ele. Nos tempos de Neemias, uma câmara no Templo foi dada a Tobias, o amonita, por um sumo sacerdote corrupto e tolo. Neemias “atirou todos os móveis da casa de Tobias fora da câmara” e, toda a área foi cuidadosamente purificada. Nos nossos dias, a mesma purificação é necessária. É preciso rejeitar as brincadeirinhas, as piadinhas, o louvor de “palco”, inclusive e os famigerados aplausos para Jesus.

Os pastores moderninhos são “mestres” de fábulas. Apelam astuciosamente ao gosto popular. Esses réprobos, não sacrificam coisas mundanas. Estão arraigados a uma cultura podre. Em suas igrejas, prestam o culto-espetáculo, com exibições mundanas, busca de sensações e aplausos, aplausos e aplausos. Desse modo, a profunda reverência ao Senhor foi perdida e o respeito tornou-se insípido. Na verdade, o slogan que está impregnado nos corações dos “mestres” de fábulas é: “Dêem-nos um Deus que se conforme ao nosso nível”. Eles acham que o culto sem as “palmas para Jesus” é um culto quadrado, ultrapassado. Nos dias de Paulo, os filósofos de Atenas, passavam o tempo ouvindo qualquer teoria nova que chegasse ao Areópago. Assim são os pastores moderninhos dos “aplausos para Jesus”, obcecados pela idéia de que o novo é ótimo e o velho é quadrado, ultrapassado e ruim. 
 
O desenvolvimento deste “novo culto” com aplausos para Jesus não é modelado por qualquer exemplo bíblico, nem mesmo por práticas das igrejas genuinamente bíblicas. Não há nenhum registro histórico ou arqueológico que prove que os crentes primitivos e aqueles que os seguiram no tempo praticaram a “salva de palmas para Jesus” na adoração comunitária. O culto com aplausos para Jesus nada mais é do que um método de manipulação de massas. “Aplausos para Jesus” é leviandade, trivialidade. Os pais da igreja nunca se utilizaram desse expediente tolo. Jesus não é artista e nem papai Noel, é Senhor! Quando Jesus precisar de aplausos, não será Jesus.

Em Números 3:4 está registrado que Nadabe e Abiú morreram quando ofereciam fogo estranho perante o Senhor. Eles introduziram no culto aquilo que Deus não ordenou. Em Êxodo 25:13-14, Deus prescreveu o modo como a arca deveria ser carregada. Davi, querendo imitar o modo como os filisteus carregaram a arca, descartou a ordenança do Senhor colocando a arca num “carro novo”. “Carregar a arca nos ombros com varas de acácia, jamais” pensou Davi. Na trajetória, por vontade soberana do Senhor, os bois tropeçaram e para que a arca não caísse, Uzá estendeu a sua mão para segurá-la. Uzá violou aquilo que Deus havia prescrito em Números 4:15 – “Nas coisas santas, não tocarão, para que não morram”. O Senhor feriu Uzá por sua irreverência. No culto a Deus deve constar somente aquilo que Ele ordenou. A introdução de elementos mundanos ou não fazer conforme aquilo que não está prescrito tem consequências graves. Os aplausos para Jesus é o “fogo estranho”, é o “carro novo” que devemos repugnar!

Tenho dito,

Ir. Marcos Pinheiro

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O EVANGELHO SOBRE PISO FALSO: ONGUIZAÇÃO DA IGREJA



O EVANGELHO SOBRE PISO FALSO: ONGUIZAÇÃO DA IGREJA

Em 2 Crônicas 25 está registrado que o rei Amazias venceu os edonitas e trouxe os deuses dos edonitas para Judá e os adorou. Amazias trocou o Deus Altíssimo, que lhe deu a vitória, pelas falsas divindades derrotadas e queimou incenso aos derrotados. O procedimento de Amazias lembra alguns pastores que usam categorias marxistas de pensamento para fazer teologia. A famigerada “Teologia Missão Integral” que nada mais é do que a “Teologia da Libertação Evangélica” é composta de teólogos-Amazias que interpretam a Bíblia por viés marxista. Os teólogos-Amazias perderam a visão de que o tema da igreja é Cristo, que a igreja está em Cristo, vive por meio Dele, vive para Ele, só tem razão de ser por causa Dele. Interpretar Cristo por Marx é colocar o evangelho sobre piso falso.

Os teólogos do evangelho sobre piso falso estão promovendo a ONGuização da igreja do Senhor Jesus. Para eles, a igreja só é relevante se promover cursos de corte-costura, artesanato, culinária, informática. Só é preciosa se promover mobilizações coletivas para dar assistência médica, odontológica e jurídica aos pobres. Só é valiosa se fizer mutirão para a pintura da escola do bairro e limpeza de um parque. Enfim, a relevância da igreja somente ocorre se houver um prato de comida dado a alguém necessitado, uma roupa dada ao carente, um corte de cabelo feito num mendigo, um acolhimento a um menino de rua. Entenda: essas atitudes são louváveis, são atos bons, mas qualquer organização beneficente pode fazê-los. Agora, pregar o Evangelho que transforma o coração do homem, só a igreja pode fazer. Nenhuma outra instituição pode. Esta é a singularidade da igreja! Esta é a relevância da igreja!

Atribuir fatores sociais à igreja é aceitável, mas são acessórios e não a essência. Isso os teólogos-Amazias não entendem. Eles enxergam a igreja como organização social que deve preencher áreas sociais da vida não atendidas pelo poder público. É urgente entender que a igreja não é um evento sociológico, nem antropológico. Não se pode sociologizar, nem antropologizar o Evangelho. A igreja é um evento cristológico, jesuológico. Gira ao redor de Cristo Jesus! As lentes pela quais a igreja enxerga o mundo é Cristo! Ver leituras do Evangelho através de correntes modernas de pensamento é um oximoro. Tentar amoldar Jesus ao pensamento secular é um paradoxo.

A igreja pode ter corte de cabelo, sopa, assistência médica, curso de babá, curso de pintor, mas ser, como igreja, irrelevante. Se quiser ser preciosa que pregue Cristo crucificado e ressuscitado. A relevância da igreja vem de sua mensagem. Sua missão é anunciar Jesus Cristo como Senhor sobre todos os homens. Os pastores-esquerdistas assumiram um complexo de inferioridade em relação ao mundo. Por isso, lutam para secularizar a igreja. Fazem de tudo para ONGuizar a igreja. Eles têm direcionado a igreja para o poder político e social. Não crêem mais que pregar Jesus Cristo que regenera e muda para sempre o mais vil pecador, é a mais importante coisa que se pode fazer nesta vida. Atentemos para uma coisa: Os líderes do evangelho sobre piso falso caíram no erro do conto pós-moderno de que a verdade é dinâmica e está em constante mudança. Eles se esqueceram que a missão precípua da igreja não é prover assistência social, nem lazer, nem oba-oba para os jovens. Mas, a missão da igreja é pregar o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crer.

A igreja não está no mundo para fazer relações públicas. Não existe para dialogar com o mundo, mas para proclamar e entregar ao mundo um ultimato. Ela chama os homens ao arrependimento e a se renderem a Cristo. Essa é a sua missão nobre. O pecador não é um coitadinho, que necessita de corte de cabelo, asseio corporal, sopa, assistência médica, assistência jurídica. Acima disso, o pecador é um rebelde com o coração corrompido e de armas nas mãos contra Deus. Na verdade, os pastores-Amazias com suas estratégias e malabarismos marxistas colocaram o Evangelho noutra embalagem: removeram a pedra de tropeço e amaciaram o gume da espada, para tornar a igreja aceitável no mundo hodierno.

O cristianismo é Cristo. Tire Alan Kardec do espiritismo, que não faz diferença. Os ensinos continuam lá. Tire Confúcio do confucionismo, que não faz diferença. Os ensinos continuam lá. Tire Buda do budismo, que não faz diferença. Os ensinos continuam lá. Tire Cristo do cristianismo e ele se acaba. Os líderes-Amazias proclamam outro evangelho: O evangelho sobre piso falso, pois removeram Cristo do cristianismo.

O púlpito das igrejas-ONGs se ocupa com economia, sociologia, antropologia, psicologia, alfabetização, preservação do meio-ambiente, mobilidade urbana, direitos da criança, desarmamento nuclear, reciclagem de lixo, energias renováveis, movimento feminista, racismo, saneamento, reforma do bem comum. A consequência imediata desse evangelho piso-falso é que os incrédulos se tornam tão absorvidos pela questão dos erros sociais que perdem de vista a mais profunda doença do pecado pessoal. Negligenciam a terrível desordem da alma. Não precisamos de discursos econômicos, sociológicos, antropológicos ou análises políticas. A esperança para o mundo está em aceitar o plano de Deus consubstanciado em Cristo Jesus. O tema do púlpito deve ser Cristo e Cristo crucificado! Portanto, menos filósofos, menos sociólogos, menos antropólogos, menos psicólogos, menos pensadores seculares, e mais Jesus! Precisamos ser crentes pela ótica bíblica e não pela ótica marxista!

Os pastores do evangelho sobre piso falso dizem: “A igreja deve apelar para o tesouro do Estado toda vez que houver uma necessidade maior para uma obra social”. Outros dizem: “Estamos nessa terra para reivindicarmos do poder público, melhor qualidade de vida”. Outros ainda dizem: “A igreja deve empreender campanhas contra os males estabelecidos pelos governos”. No início do cristianismo a escravidão era cruel. Não era difícil imaginar que os crentes fossem chamados para empreender uma campanha pela abolição. No entanto, não vemos na Bíblia Paulo e os apóstolos se pronunciarem contra os males da escravidão da época. A igreja primitiva não moveu um dedo para mudar a situação. Não há um ataque cerrado às instituições por parte dos crentes. Simplesmente, eles entravam na presença de Deus em oração e jejum, praticavam o amor tanto ao capataz como ao escravo e proclamavam as Boas Novas. É importante salientar que a escravidão findou no império romano devido o anuncio do Evangelho que é o poder de Deus que transforma aqueles que praticam injustiças.

É significativo lembrar que quando o apóstolo Pedro escreveu suas cartas, Nero estava no trono. Nero era um tirano da pior espécie. Os crentes da época, todavia, não organizaram nenhuma campanha para destronar o cruel imperador e nem reivindicaram melhores condições de vida para os pobres. Pedro exorta os crentes a perseverarem em tranqüila obediência, suportando tristezas e sofrendo injustamente, pois foram chamados para isso. O apóstolo Tiago reconhece as injustiças praticadas contra os pobres de sua época. A sua resposta a esta falta de misericórdia não sugere protestos, reivindicações, audiências com as autoridades. Simplesmente, Tiago lembra aos crentes a proximidade da vinda do Senhor Jesus (Tg 5:8).

O valor da igreja consiste em ela cumprir a missão para a qual foi destinada. O Evangelho foi, é e sempre será uma pedra de tropeço e loucura para os homens, em todas as gerações e culturas. Não devemos amoldar o Evangelho à nossa visão cultural. Não podemos amaciar as Escrituras para fazê-las consonantes com nossa concepção de vida. O eixo hermenêutico para lermos o mundo não são os compêndios de sociologia, antropologia, psicologia e filosofia. É a Bíblia, somente a Bíblia!

Finalmente, segue alguns pastores-Amazias que estão queimando incenso aos derrotados: Ariovaldo Ramos (pastor da Comunidade Cristã Reformada em São Paulo), Ed René Kivitz (pastor da igreja Batista de Água Branca em São Paulo), Carlos Bezerra Jr (pastor da Comunidade da Graça em São Paulo), Marcos Botelho (pastor presbiteriano e articulista da revista Ultimato), Ricardo Gondim (pastor da igreja Betesda), René Padilha (membro-fundador da Fraternidade Teológica Latino-Americana).

Os apóstolos nunca pensaram em transformar a igreja do Senhor Jesus numa mega-agência de caridade. Deus nos salve da Teologia Missão Integral, digo melhor, Ideologia Missão Integral.

Ir. Marcos Pinheiro