segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

QUEREMOS UM PASTOR



                                    QUEREMOS UM PASTOR

Queremos um pastor que nunca pense que seu poder de persuasão pode produzir novos convertidos. Queremos um pastor que nunca pense que sua missão é estabelecer a boa vontade entre Cristo e o mundo. Queremos um pastor não do tipo “profissional da área religiosa”, mas “servo da área celestial”. De preferência um pastor que não tenha especialização em telemarketing ou vendas. Também não precisa ser especialista em análise de mercados e doutor em projetos mirabolantes de crescimento de igreja.

Queremos um pastor que esteja interessado em pastorear seu rebanho tendo cada ovelha como um filho, não como um número. Esse pastor pode ser de origem humilde, sem o grau de PhD. Que tenha apenas o bom senso de levar a sério o seu chamado de ganhador de almas. Que seja amigo do rebanho. Pregador da Palavra. Intercessor. Porta-voz da sã doutrina. Que sorria com os que sorriem. Chore com os que choram. Que visite a viúva, o pobre e também o rico. Que ame e acolha a todos sem acepção. Que se importe com a dor do idoso e com a alegria do jovem. Que seja manso e cordato, porém, peremptório nas afirmações bíblicas.

Queremos um pastor que use a Bíblia em seus sermões, e não as publicações à la carte com interpretações bíblicas espúrias. Queremos um pastor que caminhe nesta vida de joelhos diante de Deus. Um pastor que faça do templo um lugar onde os fiéis de consagrem para a oração, a meditação, a reverência e a dedicação a Deus. Que não faça do templo o lugar ideal para a “aeróbica cristã”. Um pastor que leve o rebanho a adorarem ao Senhor com as preciosidades da hinódia evangélica. Com músicas firmadas nas verdades da Palavra de Deus e não em palhas e restolhos de emoção fútil.

Queremos um pastor que diga a verdade, pela Bíblia, doa a quem doer, sem jamais perder a doçura. Que nunca dê um by-pass na autoridade da Bíblia através de mensagens adocicadas para a aprovação dos homens. Que seus apelos sejam sempre para os homens negarem a si mesmos, tomarem a cruz e seguirem a Cristo por um caminho estreito. Nos sermões nunca use de métodos ilegítimos, mas que leve os ouvintes a contemplarem as verdadeiras implicações do que significa seguir a Jesus.

Queremos um pastor que não faça do púlpito um palco onde as pessoas são entretidas pelo humor e histórias engraçadas. Que não faça do púlpito um palanque. Que não busque os aplausos e a glória dos homens, mas a glória de Deus. Que não esteja de olho nas recompensas terrenas, mas nas celestiais. Que abra as portas da igreja para todos, mas coloque um aviso: “o pecador é bem-vindo; o pecado não”.

Queremos um pastor que não tenha receio de assumir posições contra o aborto, o divórcio e o casamento gay. Um pastor que não coloque os fiéis bem sucedidos nos bancos da frente, e reserve os últimos assentos para os pobres e os inexpressivos socialmente. Que não dê assistência apenas para os que têm polpudos salários, desprezando os que contribuem com moedas.

Queremos um pastor que não construa mega-templos. Que não faça culto para os homens e mulheres de negócios, ensinando-lhes a ficarem mais ricos. Que nunca ensine que doenças e adversidades não são para crentes. Queremos um pastor que saiba ser homenageado rendendo honras a Deus. E saiba resignar-se quando for esquecido. Queremos um pastor segundo o coração de Deus!

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 26 de novembro de 2016

CULTO IRRELEVANTE! A ENGANAÇÃO ROLA SOLTA



CULTO IRRELEVANTE! A ENGANAÇÃO ROLA SOLTA

Vivemos numa época em que o homem passou a ser o referencial e o fio de prumo de tudo. A época é antropocêntrica.  Como resultado as pessoas querem um deus minúsculo amoldado a elas. Diante disso, o culto a Deus tornou-se irrelevante. O drama do calvário foi esquecido. O culto não traz à memória o que nos traz vida e esperança. A banalização no culto é geral. No momento do culto, anunciar-se vendas de casas e terrenos. Fazem-se propaganda de profissionais liberais. Anunciam-se empregos. Na oração pede-se a Deus para abençoar o cajueiro do sítio do irmão. Em breve venderão bananas e laranjas.

O culto deve visar Deus. Exaltar o Seu nome. Agradecer pelo Seu amor e proteção. Proclamar Seus feitos. Anunciar Suas grandezas. O culto a Deus não pode ser um blábláblá humano, mas sim a proclamação dos atos de Deus e o anúncio das Escrituras. Lamentavelmente, a tagarelice humana, os insights humanos, as pseudas revelações e a algazarra sonora têm sido o arcabouço do culto moderno. A realidade é que muito culto é apenas “enrolação” espiritual.

Pessoas sem desejo de compromisso com Deus sentem-se muito bem em um culto que apazigue seus corações. Se uma pessoa está longe de Deus e o que ela ouve e vê no culto confirma seu estilo de vida, esse culto pode ter sido significativo para ela. Porém, não foi um culto relevante. O culto contemporâneo excluiu Jesus. Tire Buda do budismo e o budismo continua. Tire Confúcio do confucionismo e o confucionismo continua. Tire Kardec do espiritismo e o espiritismo continua.  Tire Jesus do culto e este se acaba, pois cultuar é nutrir a mente com Cristo!

Nossa cultura é de entretenimento. Tudo é visto como diversão. A cultura de entretenimento impregnou os cultos das igrejas. Até sorteios são anunciados durante o culto. Alguns para justificar o uso de sorteios na igreja dizem que Pedro se utilizou da sorte para escolher o substituto de Judas, o traidor.

Jesus havia ordenado que os discípulos não fizessem nada até a vinda do Consolador, o Espírito Santo, o qual os direcionaria em tudo (Lucas 24:49). A Igreja deveria esperar a vinda do Espírito Santo, sem agir antes. Pedro, porém, precipitou-se e resolveu escolher um novo apóstolo para substituir Judas. Pedro agiu antes de o Espírito Santo chegar. Utilizou-se da sorte baseando-se no Antigo Testamento em que Deus permitia em alguns casos o uso da sorte, fazendo expressar Sua vontade.

Pedro era cheio de coisas judaicas, ele quis misturar a lei e a graça. Em Gálatas 2:14 Paulo repreendeu Pedro pelo fato dele ter obrigado aos gentios viverem como judeus. Isso deixa claro que Pedro era cheio de coisas judaicas, que o levou à precipitação, escolhendo o homem errado para apóstolo, Matias. Todos os apóstolos foram escolhidos diretamente por Jesus Cristo (Atos 1: 2). Paulo foi o legítimo substituto de Judas escolhido diretamente por Cristo G(l 1:1). Portanto, o uso de sorteio na igreja é judaização do Evangelho.

Culto não é brincadeira. É entrar na presença de Deus e conduzir o povo de Deus num relacionamento com Ele.

Ir. Marcos Pinheiro

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

A IGREJA-CLUBE-COMERCIAL

A IGREJA-CLUBE-COMERCIAL

Muitos pastores têm uma visão deturpada do que venha ser igreja. Eles têm a igreja como um clube-comercial. As características recreacionais e comerciais são proeminentes. O prédio da igreja é feito para as pessoas sentir que estão num lugar para passar um tempo agradável.

Lamentavelmente a igreja está secularizada. À semelhança das quermesses da igreja católica tem-se levado para frente da igreja todo tipo de coisas para vender: comidas, CD’s, camisetas, adesivos, ingressos, broches com propaganda da igreja. Panfletos de propaganda das lojas de irmãos empresários são distribuídos. Jornalzinho com marketing das obras sociais da igreja é o que não falta. A igreja clube-comercial segue exatamente o exemplo dos judeus que Jesus expulsou da porta do templo. Se fosse possível o Senhor Jesus entrar em uma dessas igrejas viraria as mesas de comércio.

Na igreja clube-comercial propaganda de almoços, jantares e lanches são feitas no momento do culto. Que profanação! “Compre o seu ticket-almoço que você estará ofertando para a obra do Senhor”. Que visão mesquinha de contribuição para a causa de Deus! Come-se para ofertar? oferta-se comendo? Só faltava essa! Oferta não pode ser estipulada por nenhum líder. É de acordo com o propósito do coração. Oferta ligada a um almoço, jantar ou lanche não é oferta bíblica. Basta ler 2 Coríntios 9:7. Paulo não fala de quantidade ofertada, mas que cada um oferte segundo propôs no seu coração.

Os pastores da igreja clube-comercial têm a mesma visão das instituições não religiosas e ONGS. Eles advogam que a missão da igreja não está no depois, mas no agora. Eles insistem que a igreja se engaje em todo tipo de projetos humanitários, inclusive aqueles que recebem benefícios do Governo local. Para eles, a função primordial da igreja não é a preparação das almas para se encontrar com o noivo Jesus, mas a transformação da sociedade como um todo até que esse mundo se torne um paraíso. O Evangelho passou a ser um evento a ser dito e não uma doutrina a ser preservada. O escândalo da cruz, a singularidade de Jesus, as exigências da obediência e a realidade do inferno foram varridos para debaixo do tapete.

Vale salientar que as condições sociais melhoram e as reformas morais acontecem como subprodutos da proclamação de todo o Conselho do Senhor pela igreja. A melhoria física dos homens vem como resultado da influência da igreja através da pregação da mensagem da cruz. Por isso, a missão prioritária da igreja não é lutar para a melhoria das condições sociais. A igreja não precisa levantar a bandeira em prol da melhoria do sistema carcerário, do sistema de saneamento ou de uma escola pública mais eficiente. A missão prioritária da igreja não é fazer projetos humanitários, mas salvar almas pela pregação do Evangelho.

A função principal da igreja é fazer discípulos (Mat 28:19,29). Nada menos, nada mais que isso. No momento que uma igreja prioriza cursos profissionalizantes, construções de orfanatos, creches, hospitais e colégios, está indo em caminho oposto à Grande Comissão. Discípulos são feitos pela proclamação do Evangelho. Obra social deve ser feita, mas não é a missão prioritária de igreja.

Ir. Marcos Pinheiro

domingo, 30 de outubro de 2016

CONFERÊNCIA 72 HORAS 2016: KARL DIETZ – ABOMINÁVEL!



CONFERÊNCIA 72 HORAS 2016: KARL DIETZ – ABOMINÁVEL!                                    

Atente para as heresias que esse “pastor” declarou na sua mensagem intitulada “Escândalo da Graça”:

“Não fomos chamados para pregar a lei, a lei é uma desgraça; A lei não fala de nós; Vamos blindar a igreja contra a lei; As tábuas da lei não eram para me nem para você; Não devemos viver os 10 mandamentos; Na lei não há verdade, porque Jesus não está lá; O salário do pecado não é mais a morte; Pecado não existe mais; Todas as suas ofensas a Deus não é pelo que você faz, mas por aquilo que você deveria está fazendo e não está; Deus não te abomina pelo feio que você fez, mas pelo bonito que você não fez; O cara que é nascido de Deus pode fazer a pior coisa que existe no mundo, essa realidade nunca será paga pelo que ele fez; O evangelho misturado com a lei deixa de ser graça; A igreja histórica vive um sério problema de incredulidade onde Deus cura se for da sua vontade; A carne é santa, você é santo em carne, em alma e em espírito; O pecado não habita mais em mim, logo a doença não habita mais em mim; Se sou santificado até nos meus ossos e embora haja uma enfermidade em mim, a realidade é que não tenho enfermidade; A enfermidade não tem poder sobre mim; Você não tem um padrão de comportamento que precisa seguir aqui na igreja”.

Este homem com todo esse pacote de heresias vai ministrar na Conferência 72 horas 2016 em Fortaleza.

Afogado na sua estultícia espiritual, Karl Dietz não entende que a Lei é fundamental para a nossa luta contra o pecado, pois além de definir o que é pecado, a Lei aponta e julga o pecado “Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei” (Rm 5:13). Em Rm 7:7 Paulo pontua: “Mas eu não conheci pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás”. Ao apontar e julgar o pecado, a Lei mexe com o coração trazendo um conhecimento das consequências mortais da conduta iníqua.

É verdade que Lei não pode salvar. É também verdade que a guarda da Lei não dá méritos para a salvação, nem nos justifica, mas ela conduz a Cristo uma vez que ela severamente julga o pecado deixando os homens expostos à ira de Deus. A Lei desperta no coração humano contrição pelo pecado. O Evangelho desperta a fé salvadora em Jesus Cristo. Entretanto, não podemos dissociar o Evangelho da Lei, pois a obra da Lei é preparatória para a obra do Evangelho. A Lei intensifica a consciência de pecado e, assim, faz ciente ao pecador da necessidade de salvação. A Lei é o Evangelho em seu estado preliminar porque é preceptora para conduzir os homens a Cristo. Portanto, a Lei e o Evangelho são subservientes à mesma finalidade. Paulo enfatiza: “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gl 3:24). Ou seja, a Lei conduz o homem a buscar a justiça em outro: Cristo Jesus, o Senhor! Lei e Evangelho são elementos indispensáveis do meio da graça.

Não há antagonismo entre a Lei e o Evangelho, pois ambos provêm do Deus verdadeiro, sempre consistente com Ele mesmo. Nesse contexto, o Evangelho não revoga a essência da Lei. A Lei estabelece a essência do Evangelho. Há Evangelho permeando todo o Antigo Testamento, culminando nas profecias messiânicas. É abominação dizer que não há Lei no Novo Testamento, ou que a Lei não tem aplicação na dispensação do Novo Testamento. O Senhor Jesus deixa claro em Mateus 5:17-19 a validade permanente da Lei. Tiago diz contundentemente que aquele que transgride um só mandamento da Lei é transgressor da Lei (Tg 2:8-11). João define pecado como transgressão da Lei (I Jo 3:4) e ressalta que quando amamos a Deus guardamos os seus mandamentos (I Jo 5:3).

Em Romanos 3:31 Paulo interroga: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes estabelecemos a lei”. Paulo está dizendo que a fé não anula a Lei. Na verdade, a graça de Deus dá ao homem salvo a capacidade de usar a Lei em sua vida espiritual. A Lei é uma bênção para o homem regenerado. Em seu conhecido comentário sobre o livro de Gálatas Lutero escreveu: “O uso e fim correto da Lei é nos acusar e condenar como culpados quando vivemos em segurança, para que possamos ver a nós mesmos em perigo de pecado, ira e morte eterna; a lei com esse ofício ajuda indiretamente na justificação, no fato de direcionar o homem para a promessa da graça”.

Jesus disse em Mateus 5:17: “Não penseis que vim destruir a lei e o profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir”. A palavra “cumprir” não implica dá um fim a lei. Não quer dizer “cumprir e acabar com a lei”. “Cumprir” aqui significa “estabelecer” no sentido de restaurá-la ao verdadeiro significado e valor, em oposição às distorções farisaicas. Os fariseus tinham redefinido a Lei em termos do seu próprio sistema de pensamento, esvaziando-a do seu real significado. Jesus veio para restaurar a Lei à sua intenção original e divina. Jesus não minou a validade da Lei quando veio ao mundo. Pelo contrário, Ele ensina que a Lei é a regra áurea do serviço a Deus e aos homens: “Tudo quanto, pois quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os profetas” (Mt 7:17).

Quem prega sermões tentando invalidar a Lei como Karl Dietz, está em guerra com Jesus Cristo e com o apóstolo Paulo. Está negando a ética que a Lei estabelece. Está indisposto a aceitar a ética de Jesus. Isso é demostrado pela afirmação abominável de Karl Dietz, pasmem! “Você não tem um padrão de comportamento que precisa seguir aqui na igreja”.

Invalidar a lei é desprezar a Deus, pois a lei reflete o caráter de Deus. As mesmas atribuições morais aplicadas à Lei são também usadas em referência ao próprio ser de Deus. Deus é bom (Mc 10:18); a Lei é boa (Rm 7:12); Deus é santo (Is 6:3); a Lei é santa (Nm 15:40); Deus é perfeito (Mt 5:48), a Lei é perfeita (Tg 1:25); Deus é espiritual (Jo 4:24); a Lei é espiritual (Rm 7:14); Deus é reto (Sm 116:5); a Lei é reta (Sm 19:7); Deus é justo (Is 45:21); a Lei é justa (Pv 28:4,5).

Biblicamente, a fé é o instrumento da justificação, porém a provisão graciosa de Deus da salvação sobre o alicerce da graça, e por meio da fé, não anula a Lei de Deus para hoje. Paulo foi o apóstolo dos gentios e dos incircuncisos (Rm 15:16; Gl 2:9; Ef 3:8), contudo, ele sustentava a Lei Mosaica como ideal ético para o povo de Deus. A carta aos romanos foi endereçada a uma igreja gentia (Rm 1:13) e o apóstolo peremptoriamente disse: “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom... porque bem sabemos que a lei é espiritual” (Rm 7:12, 14). Isso foi dito na era do Novo Pacto. Desse modo, a fé confirma a Lei. Jesus não receou em fundamentar seu ensino sobre a Escritura do Antigo Testamento, incluindo as obrigações morais da Lei – “E Ele disse: Que está escrito na lei? Como lês?” (Lc 10:26).

Os apóstolos não hesitavam em citar as jurisprudências do Antigo Testamento, mesmo sabendo dos abusos dos judaizantes (Atos 15 e Gálatas 2). Em I Tm 5:18, Paulo cita Deuteronômio 25:4 para confirmar uma obrigação sobre a igreja – “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: digno é o obreiro do seu salário” (I Tm 5: 17,18). O apóstolo enfatiza a importância de guardar os mandamentos de Deus – “A circuncisão é nada e a incircuncisão nada é, mas, sim, a observância dos mandamentos de Deus” (I Co 7:19). Em outra ocasião Paulo escreve: “As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei” (I Co 14:34). João endossa o que Paulo disse: “Aquele que diz: conheço-o e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade” (I Jo 2: 4).

Finalmente, Karl Dietz está na contramão do verdadeiro Evangelho! Que o Senhor tenha misericórdia!

Ir. Marcos Pinheiro

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

CONFERÊNCIA 72 HORAS 2016: ELITIZAÇÃO DA ADORAÇÃO



CONFERÊNCIA 72 HORAS 2016: ELITIZAÇÃO DA ADORAÇÃO

Um verdadeiro mercantilismo revestido de uma carnalidade sem igual está preste a acontecer em Fortaleza – “Os ingressos para os três dias custarão R$ 80,00; a partir de 2 passaportes, pague R$ 65,00”. E, o irmão pobre-assalariado, quanto pagará? Não há resposta. O “deus das possessões” está muito presente no nosso meio. A Conferência 72 horas é a privatização da adoração. É a elitização da adoração.

Quando observamos o ministério do apóstolo Paulo, constatamos que ele não queria para si além do que cobrisse suas necessidades imediatas. Paulo nunca fez exigência financeira nem nunca impôs regras que lhe trouxesse benefícios como fazem os cantores gospel de hoje. A música evangélica nunca deve ter como propósito final o dinheiro, o lucro. E mais, em nenhuma parte das Escrituras nos deparamos com situações onde os levitas cantavam e faziam apresentações para o povo. Todo o povo louvava e adorava ao Senhor juntamente com os diretores de música e cantores.

Não há dúvida: A Conferência 72 horas é voltada para o homem. É adoração ao nada, e em nome do nada, pois os cantores são mais importantes na adoração do que Deus. A ênfase é no adorador e não no adorado. O homem é o foco, pois o prumo da adoração é a estética do adorador. Tudo é feito à moda Hollywood. Nessa Conferência a glória de Deus é confundida com barulho e mantras musicais repetidas à exaustão. É o Jesus mercadoria, que dá espetáculos bombásticos para animar os incautos.

O marketing tem tomado conta do meio evangélico de tal modo que já se criou graus de qualidade para classificar as bandas e os cantores em: ruim, regular, bom e excelente. A busca é a edificação do próprio império, e não o Reino de Deus. Busca-se espaço para monumento ao homem. É preciso alertar que o Senhor não busca músicos profissionais. Não busca artistas nem cantores famosos. Deus procura verdadeiros adoradores. Paulo admoesta: “Não nos deixemos possuir de vanglória”. O Reino de Deus não comporta grandões.

O que se vê nessa Conferência é “adoração” sem Cristo e sem cruz. Nas letras das músicas de Daniela Araújo, de Paulo Cesar Baruk e banda preto no branco, a Bíblia não é proclamada em sua inteireza, mas apenas partes isoladas que não mostram sua doutrina, e sim o que as pessoas desejam. Na maioria das letras o nome do Senhor Jesus é ocultado. Convido aos leitores deste artigo a analisar as letras das músicas desses cantores. O que se vê nesta Conferência é exibição de dotes artísticos. Vê-se vitrine de talentos próprios arraigada no desempenho humano. Não há proclamação da soberania de Deus nem de Sua graça. Há apenas palavras de animação. Ministração de terapia com rosto de Freud, Lair Ribeiro e Augusto Cury que leva os ouvintes se sentirem bem em seus pecados, ao invés de deixá-los.

Nas letras das músicas desses cantores, Deus é apresentado como dono de uma bomboniere onde a pessoa compra todo tipo de artigos chiques que o seu coração almejar. Jesus é mostrado como um “doce de pessoa”, tão gentil, tão bacana, tão legal que não faz mal nem ao mosquito da dengue.  A visão escriturística que considera a bondade e a severidade de Deus é apagada das músicas. Saíram da Bíblia os versículos: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10:31); “Considere, pois, a bondade e a severidade de Deus” (Rm 11:22). Na verdade, as letras das músicas desses cantores tem reduzido o Evangelho a uma liquidação do tipo: “Aceite a Cristo e obtenha o que você quiser”. Tudo que pode ofender o homem natural é descartado das músicas.

A geração atual é a geração shopping cuja preocupação é o consumo irrefletido. É a geração que quer novidades e “coisas tremendas”. Nesse contexto, as pessoas desta geração são fascinadas pelo bizarro. Gostam de lombadas na estrada esburacada. Porém, são esqueléticas de conteúdo bíblico o que os leva à falta de discernimento. Deixam-se levar não pela adoração bíblica, mas pela adoração dos homens com músicas e letras mancas, invertebradas, sintéticas e plásticas. A teologia da cruz nas letras foi à bancarrota. É a adoração como uma cultura cristã com poder político, muitas fotos e autógrafos.

A “adoração” nesta Conferência é mais enfeitada que jegue de cigano. Há pula-pula, há requebros, há fumaça, há jogos de luzes, há sacolejo, há ginástica psicodélica, há batuque, há euforia, há histeria, há gaiatice, mas não há quebrantamento. Há alarido sem convicção de pecado. Não há adoração ao Deus Santo, com o temor de Isaías (Is 6:5) e com o sentimento de indignidade de Pedro (Lc 5:8). Lamentavelmente, a igreja ao invés de está cheia do Espírito Santo, está cheia de pós-modernos que não entendem o que é adoração ao Deus trino. A figura de Deus que esses pós-modernos tentam passar, é a de um “cara otimista” do tipo “tudo-em-cima”.

Reconheço que este artigo pisará em muitos calos, e alguns poderão ficar profundamente ofendidos, mas minha intenção é defender o Evangelho. Minha oração é que muitos sejam levados a carregar a cruz e pregar o Santo Evangelho da nossa salvação com o poder e a unção que Jesus prometeu e deu à igreja primitiva, e que, quando estivermos perante Ele naquele dia, sejamos capazes de dizer como Paulo, “Combati o bom combate, acabei a careira, guardei a fé”, para que possamos ouvir as doces palavras dos lábios do nosso Rei, “Bem está, servo bom e fiel entra no gozo do teu Senhor”.

Tenho dito,
Ir. Marcos Pinheiro