sexta-feira, 17 de março de 2017

AVIVAMENTO NÃO É ALARIDO



                                  AVIVAMENTO NÃO É ALARIDO

Para alguns, avivamento é comportamento exótico. Para outros, é mudança de doutrina. Em Neemias capítulo 8 em diante tem-se o relato de um avivamento. Avivamento começa com a exposição da Palavra de Deus. O livro da Lei foi aberto e explicado para o povo. O povo entendeu. Ficou tão comovido que chorou (Ne 8:9,12). Avivamento não vem por louvor. Não vem por apresentação de grupos musicais. Não vem por mutirão social. Não vem por construção de creches, escolas ou hospitais. Avivamento não é elevado decibéis de instrumentos musicais. Não é gritaria. Não é forró. É nojo do pecado. É denuncia contra o pecado. É consagração de vida, é santificação. Se a igreja quer avivamento que se formate pela Palavra de Deus.

Ouvi um pastor dizer: “O avivamento veio até nós na hora da explosão dos corinhos”. A grande diferença no conteúdo dos hinos de ontem e dos corinhos de hoje é que nos corinhos, pomposamente chamados de “louvor”, somos exortados a levantar as mãos. Nos hinos antigos, a dobrar os joelhos. Com toda sinceridade, sem desejo de parecer um gigante espiritual, prefiro dobrar meus joelhos a levantar minhas mãos. Nossos cânticos e muitas pregações se esqueceram dos temas pecado, confissão, pedido de perdão, e quebrantamento. Sem esses temas nos púlpitos não haverá avivamento.

Avivamento não produz leviandade espiritual, mas compromissos sérios com Deus. Produz arrependimento. Os judeus reconheceram o seu pecado e firmaram um novo pacto com o Senhor (Ne 9:38). Hoje, a igreja reivindica, não confessa. Celebra e não se quebranta. Quer “voar com os querubins” e não chorar no lugar secreto de oração. Confesso que a atitude de festa inconsequente nas igrejas me incomoda. Não por questão de estética, mas por entender que avivamento é mais que celebração. É vida, é busca de Deus, é confissão de pecados, é acerto de contas com Deus, é procurar uma vida limpa.

É importante observar a atitude de Neemias após ter arriscado a sua própria vida para servir a Deus. Em momento algum ele reivindica ou decreta. Ele simplesmente pede: “Nisso também, Deus meu, lembra-te de mim, e perdoa-me segundo a abundância da tua misericórdia (Ne 13:22). Tudo que ele pede é que o Senhor se lembre dele. Em nenhuma ocasião, Neemias pensa que Deus lhe deve alguma coisa ou que ele tem méritos espirituais.  Esta é a condição para o avivamento – humildade. Reconhecer que não temos créditos com Deus. Ouvi de um pastor: “Somos uma igreja avivada porque oramos pedindo chuvas e Deus nos atendeu”. Arrogância! Exclusivismo!

Em muitas igrejas os projetos a as idealizações substituíram o joelho em terra, o coração contrito. Tem alarido e berreiro. Falta intimidade com Deus. Quer ser avivado? Leia a Bíblia com fome, e tendo lido, pergunte-se: “À luz do que li, em que minha vida deve ser mudada?”.

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 11 de março de 2017

EXEGESE ACHISTA



                                          EXEGESE ACHISTA

O discurso de muitos pastores sobre a importância das Escrituras para a vida cristã não se harmoniza com o pouco valor que se dá ao estudo da Bíblia em nossas igrejas.

A igreja de hoje tem programas e agitação. Investe em shows musicais, Conferências, retiros, equipamentos de som e conforto. Porém, apresenta as mesmas patologias do mundo. A membresia facilmente se deixa enganar por novas heresias. Porque lhe falta base bíblica. Sem solidez bíblica a igreja perece face às artimanhas de Satanás. Igreja sadia só é possível com ensino profundo da Bíblia. “Santifica-os na verdade; a tua Palavra é a verdade” (Jo 17.17). O futuro da igreja depende de como ela está instruindo seus membros. Que tipo de crentes a igreja está formando?

Devido à falta de estudo profundo das Escrituras, se vive a “exegese achista”: “Eu acho assim, ó” ou “Eu penso assim, ó”. O relevante não é o “eu acho”. Nem o “eu penso”. O relevante é “a Bíblia diz assim”. O eixo hermenêutico para lermos o mundo é a Bíblia, não nossa visão e nossa cultura. A Bíblia não deve ser amoldada à nossa visão cultural. Temos visto um amaciamento da Bíblia para fazê-la consoante com a cultura secular. Consoante com o estilo de vida pecaminoso. A Palavra de Deus é quem deve modelar e corrigir nosso estilo de vida.

O ensino das Escrituras não deve transmitir conceitos, mas fundamentalmente uma pessoa, Jesus Cristo. As bases da instituição da igreja, quando foram lançadas, o foram sobre esta pergunta: “E vós, que dizeis que eu sou?”. O cristianismo é Cristo. Remova Cristo do cristianismo e ele se acaba. Todo o alicerce do processo de ensino cristão não é o moralismo, a integração social, a cidadania, mas a formação do caráter de Cristo em nós. No Evangelho, Cristo é o substrato da fé. O conteúdo pessoal de Jesus é a garantia do verdadeiro Evangelho.

Jesus não transmitia ideias, mas transmitiu-se a si mesmo num processo de autodoação: “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos” (Mc 10.45). A igreja precisa nutrir esta consciência. Ela não deve transmitir ideias, mas sim a vida que há em Cristo e que deve haver nela. Seu pastor e igualmente seus membros precisam dizer: “Não mais eu vivo, mas Cristo vive em mim” (Gl 2.20).

A igreja precisa se doar a Cristo e se doar ao magistério bíblico. O alvo de Jesus eram as pessoas “E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do Reino” (Mt 4.23). Seu ministério foi voltado primeiro para Deus, mas seu alvo eram as pessoas. O alvo da igreja deve ser as pessoas. Sua meta é formar o caráter de Cristo nas pessoas.  

A ferramenta de Jesus foi Sabedoria. As multidões se admiravam de sua sabedoria e diziam que ninguém falava como Ele. Os doutores ficavam estupefatos com suas respostas. Vale salientar que “Sabedoria” é diferente de cultura secular e de formação acadêmica. Vem de Deus (Pv 2.6). E quem não a tem, deve pedi-la a Deus que dá a quem pede (Tg 1.5). “Sabedoria” é ter dependência de Deus. Se a igreja quiser se livrar da 
“exegese achista” tem que buscar sabedoria através do estudo da Palavra.

É o que tenho a dizer
Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 4 de março de 2017

IGREJA PRECISA SER IGREJA



                                     IGREJA PRECISA SER IGREJA


A cultura antropocêntrica entrou para valer no meio evangélico. Conseguiu inserir o foco do culto no homem: triunfar, triunfar e triunfar. Nesse contexto, glorificar a Deus passou a ser gritar num culto. Passou a ser espancar a bateria. “Abra a sua boca e glorifique a Deus mais alto” diz o “ministro de louvor” esbaforido.

A igreja está desfigurada. Inchou. Prega-se “um outro Evangelho” inspirado por “um outro espírito” anunciando “um outro Jesus”. O surgimento de “outro Evangelho” trouxe consigo “outros pastores”. Pastorear passou a ser algo esplendoroso. Passou a dar status. Ministério passou a ser empreendimento administrativo. Pastor foi moldado ao figurino de um gerente de empresa. Virou monarca. O verdadeiro pastor é aquele que está numa posição de humildade e serviço. Deve ser exemplo de sacrifício, devoção, submissão e amor. Os púlpitos eram trincheiras contra o pecado, com o “outro Evangelho”, é cenário para anedotas, “sopros poderosos”, “revelações mentirosas”, “sonhos carnais”, promessas de sucesso material e apólice contra doenças.

“Pastores” despiram a igreja de sua sobrenaturalidade. Insistem em subornar as ações do Espírito Santo às equações meramente humanas. Fazem mapeamento de receptividade ao Evangelho. Estabelecem alvos numéricos. Aplicam instrumentos avaliativos de gostos e tendências pessoais a fim de definir os dons espirituais para cada pessoa. Esquecem esses “pastores” que foi a proclamação simples do Evangelho por homens que haviam se lançado sob o controle do Espírito Santo que transtornaram o mundo de sua época.

A fortaleza da igreja vem do Espírito Santo, da comunhão com ele, do abandono do pecado, do aprofundamento nas Escrituras. Para triunfar, ela precisa apenas ser igreja. Isto é: depender da graça de Deus, ser espiritual, viver na presença dele, obedecer a sua palavra e viver ao pé da cruz. A igreja que é igreja precisa de soluções espirituais. Não de ciências humanas. A igreja precisa voltar a ser igreja e deixar de ser uma organização religiosa comandada por executivos espirituais e conselhos administrativos empresariais. A igreja é o agrupamento dos regenerados pelo Espírito Santo. Não é um ajuntamento social. Seu objetivo é anunciar todo o Conselho de Deus. Sua saúde depende de Deus, do Seu poder que opera nela, de sua fixação sobre o Cristo crucificado e ressuscitado.

A igreja se degenerou a ponto de não mais transformar o mundo. Está sendo transformada pelo mundo. Isto porque deixou de ser Militante para ser triunfante. Trocou o testemunho pelas finanças. Ficou focada na grandeza aos olhos humanos. Hoje, prevalece a mega-igreja e não mais a santidade e a comunhão dos santos em busca da Canaã Celestial.

Um pastor disse: “Nesta noite o Espirito Santo se move em você com gemidos inexprimíveis”. O Espírito é uma pessoa e não sensações. “O Espírito Santo se move em você com gemidos inexprimíveis” é algo sem sentido. Ele geme por nós, em oração, com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Mas, não se move dentro de nós, com gemidos. Quem tem o Espírito Santo não precisa de muletas emocionais.

A igreja atual está tentando lavar seus pecados com sabão e detergente. O sabão da religiosidade e o detergente do ativismo religioso e bondade social. Essas coisas são usadas para remover a sujeira espiritual. Trabalho inútil. A igreja precisa ser igreja!

É o que tenho a dizer,
Ir. Marcos Pinheiro.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

IGREJA: CASA DE DEUS OU CASA DE CONFORTO



                                 IGREJA: CASA DE DEUS OU CASA DE CONFORTO

A igreja vem se transformado em casa dos homens: lugar só para conforto e bem-estar, um lugar para ajudar superficialmente na vida. A música na igreja vem substituindo a pregação da sã doutrina. Alguém comentou com outro crente “Ontem o Culto em nossa igreja foi tão bom que não houve tempo para a pregação, pessoas se converteram somente pelas músicas”. Engano!

A Igreja não é uma instituição humana. Ela tem origem espiritual, com valores eternos. Ela tem uma mensagem viva da parte de Deus aos homens. A Igreja é a única instituição sobre a face da terra que tem autoridade divina. Pregar o Evangelho que coloca a vida do homem em ordem com Deus só a igreja pode fazer. Nenhuma outra instituição pode. Se a Igreja perder essa visão nivela-se a qualquer outra instituição. Portanto, a Igreja não deve buscar popularidade e aplauso do mundo. A multidão que gritava “Hosana ao Filho de Davi”, menos de uma semana depois gritava “Crucifica-o!”.

Hoje, a igreja é vista como quem deve apoiar tudo o que os homens fazem. Alguns acham que sua função é tornar pessoas felizes. Disse um pastor: “Hoje as pessoas querem informalidades e divertimentos e a igreja precisa oferecer isso”. É a humanização da igreja. A igreja que adapta a mensagem do Evangelho aos sonhos e quereres humanos não é a igreja do Senhor Jesus. Se a igreja é para dizer que tudo é certo e que as pessoas podem fazer o que quiser, ela não é mais necessária.

A famigerada frase de alguns líderes: “Deus tem um plano amoroso para a sua vida” é antibíblica. A primeira mensagem da igreja cristã não foi o amor, mas o chamado ao arrependimento, à mudança de atitudes e uma nova vida com Deus. Em Jesus chega o vinho novo. Lendo os evangelhos, se verifica que o tema de Jesus é Ele mesmo. Paulo disse: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras e ressuscitou dos mortos segundo as Escrituras”. Portanto, dizer que Jesus foi morto porque pregou o amor e a paz é engano.

Lamentavelmente muitas igrejas têm transformado o Evangelho em ritos, gestos, roupas pomposas e celebrações teatrais. Hoje, as pessoas são hipnotizadas pelo poder da coerção e por músicas sincopadas. Inventaram um tal de “desabafar no Espírito”. Tome tremeliques, grunhidos, suspiro choroso e truques carismáticos. A convicção do coração é substituída por primitivas hipnotizes de massa. A ofensa da cruz é evitada. Nesse contexto, tem-se culto que não cultua. Adoração que não adora. Orações vazias e igreja anêmica.

Há muitos pastores querendo que a igreja seja amigável. Têm o pecador como um coitadinho. Por isso pregam um cristianismo folgazão. A igreja não está no mundo para fazer relações públicas, mas para entregar um ultimato ao pecador: vida ou morte. Ela chama os homens a deporem as armas e se renderem a Cristo. O pecador não é um coitado, mas um rebelde de armas nas mãos contra Deus. Portanto, precisa de arrependimento. Precisa deixar de ser amigo do mundo e ser amigo de Deus.

Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 18 de fevereiro de 2017

CULTUADORES DE ÓLEO



                                       CULTUADORES DE ÓLEO

Há muitos cultuadores de óleo no meio evangélico. Baseado em Tiago 5:13 duas heresias surgiram: ungir objetos com óleo santificando-os.  Consagrar pessoas ao ministério ungindo-as com óleo. É comum pastores ao comprar instrumentos musicais, adquirir um púlpito, comprar cálices para a ceia ungi-los com óleo “consagrando-os”, “santificando-os” a Deus. Há aqueles pastores que “consagram” até o pão que é servido na ceia.

É verdade que no Antigo Testamento objetos, utensílios e mobília do tabernáculo e depois do templo eram ungidos e consagrados ao Senhor.  O propósito era separá-los do uso comum para o uso sagrado nos rituais de sacrifícios. Em nenhum caso eram usados com poderes mágicos. Não estamos mais debaixo da lei cerimonial verotestamentária. Ela foi abolida no novo sacerdócio de Cisto.

Nas Escrituras não encontramos ninguém “consagrando”, “santificando” objetos. Moisés não “consagrou” através da oração a serpente de bronze. Eliseu não orou “ungindo”, “santificando” o seu cajado. Isaías não “consagrou” pela oração a pasta de figos para curar a úlcera de Ezequias. Não há registro bíblico de que Paulo tenha orado pelos seus lenços e aventais. Pedro nunca impôs as suas mãos sobre a sua sombra consagrando-a.

O Novo Testamento nos informa que com a vinda de Jesus os remidos são os que são santos. Os salvos são templos do Espírito Santo. A igreja não é um templo. Templos no modelo do Antigo Testamento não existe mais. Portanto, quem “unge” coisas tornando-as “santas” está vilipendiando o sacrifício vicário de Cristo no calvário. Ungir carro, apartamento, toalha, lenço ou qualquer objeto é misticismo. Orar abençoando os nossos bens para que não sejam demonizados ou tenha poderes especiais é abominação.

Os cultuadores de óleo “consagram” obreiros para o ministério aplicando óleo em suas cabeças. Isso é judaização do cristianismo. No Antigo Testamento encontramos a unção de reis (I Sm 9:16), a unção de sacerdotes (Ex 40:13-15), a unção de profetas (61:1-3). O Senhor Jesus é Rei, Sacerdote e Profeta. Ele assumiu essas tarefas. Portanto, a unção para sacerdotes, reis ou profetas caducou.

Para quem foi chamado por Deus para servir como pastor, presbítero ou diácono cabem a imposição de mãos substituta da unção com óleo. Não há no Novo Testamento prescrição de unção com óleo na consagração de obreiros. A doutrina bíblica é a imposição de mãos (Hb 6:1-2; Atos 6:5-6; Atos 13: 2-3; I Tm 5:22). Não se deve ungir ninguém para “capacitar para o ministério”. Os que assim fazem estão na contramão do Evangelho. E piora quando o “cultuador de óleo” diz em alto e bom tom que o óleo veio de Israel. Cultuadores de óleo! Tremendo misticismo!

Ir. Marcos Pinheiro