sexta-feira, 21 de julho de 2017

ORAÇÕES ESPALHAFATOSAS: ESCARCÉU NA MÍDIA



    ORAÇÕES ESPALHAFATOSAS: ESCARCÉU NA MÍDIA

Orações teatrais, antropocêntricas, espalhafatosas e com tintura bíblica são comuns no meio evangélico brasileiro. Muitos pastores perderam o entendimento de quem é Deus. Na pirotecnia “espiritual” os gurus da prosperidade vivem fazendo orações de “determinação” do tipo “Eu declaro”. Torcem a bel-prazer o significado de Mateus 18:18: “Tudo o que ligardes na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” para satisfazer seu gosto peculiar desprovido de hermenêutica correta.

O centro do ensino de todo o capítulo 18 de Mateus é sobre instruções como lidar com o pecado na assembleia dos salvos. Quando é dito “dois dentre vós concordarem” (v19) refere-se a como lidar com um membro da igreja que pecou. Nunca se refere a orações para expulsar demônios, curar enfermos ou declarar prosperidade material. Jesus não está ensinando como se obter respostas a orações.

Jesus ressalta que se um membro que pecou não deseja se arrepender após uma confrontação em particular, após uma segunda acareação na presença de uma ou duas testemunhas e após uma repreensão frente a frente com a comunidade inteira deverá ser tratado como gentio e publicano (Mt 18:17). Nesse contexto, “ligar” e “desligar” tem a conotação de que a igreja tem autoridade para exercer a disciplina.

A igreja deve fazer na terra aquilo que Deus já determinou no céu. O homem não determina nada, não decreta nada, não declara nada. A igreja só permite (liga) o que já foi permitido (ligado) por Deus, e só proíbe (desliga) o que já foi proibido por Deus. Quando alguém que já faz parte do Reino de Deus faz algo que foi proibido (desligado) por Deus, a igreja precisa tomar uma atitude disciplinar em relação a este remido caso ele não se arrependa. Quando há arrependimento, por parte do remido, a igreja o permite, o liga.

Os gurus da prosperidade buscam pirotecnia porque é mais fácil fazer uma “oração poderosa” aos gritos decretando vitória do que dobrar os joelhos em busca de santidade e estudar a Bíblia para ter coerência teológica. Nesse enfoque, o poder não está em Deus está na “oração forte” do guru. O foco é o agir do homem. O homem produz o agir de Deus.

A ideia de atribuir poderes mágicos de “ligar” e “desligar” é produto do orientalismo que invadiu a igreja com o movimento Nova Era. “Ligar” e “desligar” no sentido que os gurus da prosperidade dão em Mateus 18:18 nada mais é que  o velho paganismo.

Orações pomposas eivadas de pirotecnia estão produzindo uma geração de crentes que não encaram o caminho estreito, nem a renúncia, nem a mortificação diária do eu, mas buscam artificialidades.

Os gurus da prosperidade são especialistas em fazer escarcéu na mídia. São indigentes mentais. Fujamos deles!

Ir. Marcos Pinheiro

sexta-feira, 14 de julho de 2017

CARTA ABERTA AO PASTOR SILAS MALAFAIA



              CARTA ABERTA AO PASTOR SILAS MALAFAIA

Quero deixar claro, pastor Silas, que não foi um sonho, nem uma visão, nem um anjo que me revelou ou me mandou escrever esta carta. O motivo único que me levou a escrevê-la foi a exaustão da minha alma ao ver seus pronunciamentos e comportamento.
Você, Silas, tem acariciado os abismos das heresias como se fosse o Caminho da Verdade. Muitos estão sendo ludibriados de modo cruel. Você tira proveito das fragilidades das pessoas para apresentar Cristo a elas. Essa prática não é bíblica. Jesus nunca usou o truque da lavagem cerebral para pregar o Reino de Deus aos homens. Nem a igreja primitiva, nem os apóstolos tiraram proveito das fragilidades humanas para anunciar o Evangelho.
Você rasga os estatutos de Deus em favor dos seus interesses infames do dia-a-dia. Nesse contexto, você perdeu a santidade, a simplicidade, a unção, as brancas vestes, a autenticidade e o caminho da glória do Altíssimo. Você perdeu a consciência do sagrado. Você perdeu a paixão pela cruz.

Seu alvo é o cetro. Você almeja o poder de visibilidade. Você não quer ser servo, quer ser “O Cara”. Você está doente, e muito doente. Você está acometido da doença “evidencite”. Quer está sempre em evidência. O termo “servo” para você tem conotação de nobreza. É tratamento aristocrata, nobiliárquico. Você esqueceu que servo não manipula. Servo não é grandão. É pequeno. Você nunca entendeu que a nobreza da igreja provém do céu, sua realeza é a do próprio Rei Jesus, que não aceita usurpação.

Impressiona-me como você adora a sua própria vaidade. Você se julga superior a todos os seus colegas pastores. Escarnece da circunspecção de um pastor bíblico. Você está tão engolfado na altivez que pensa que ela é realização. Mas, para a Bíblia, é confusão e termina em julgamento divino. Bastar ler Gênesis 11.

Você consegue alienar os membros de sua igreja levando-os a confundir a casca com o miolo e o farelo com o pão. Você é mestre em potencializar bajuladores. Com o seu carisma, você consegue puxar aplausos de seus bodes nanicos para as suas heresias. Você só vê cifras. Não vê gente. Não vê pessoas. Não vê o povo de Deus. Vê bens. Vê as possibilidades de uma boa vida. Nesse contexto, você perdeu o seu próprio rumo e encaminha mal o aprisco que você chefia. Lamentavelmente, para você, a igreja não passa de uma agência que almeja vencer um concurso de popularidade.

O seu ministério é numeroso. Você é famoso. É um figurão. Porém, você é paupérrimo em conteúdo espiritual e em marcar vidas. Você, Silas, é mais um manipulador de gente do que um arauto de Deus. Você, pastor Silas é a “Alice no País das maravilhas”. “Onde fica a saída?” Perguntou Alice ao gato que ria. “Depende”, respondeu o gato. “De que?”, replicou Alice; “Depende de para onde você quer ir”. Sem um caminho a seguir, qualquer caminho para você serve; inclusive o das heresias!

No Brasil, o Reino de Deus tem sofrido mais nas mãos de pastores como você que nas mãos de homens ímpios. Isso é chocante! Isso é trágico! Isso é triste!
Com o coração ferido oro ao Senhor suplicando-lhe misericórdia.

É o que tenho a dizer,
Ir. Marcos Pinheiro

sábado, 8 de julho de 2017

O EVANGELHO DUARTEANO

                                    O EVANGELHO DUARTEANO

Em Romanos 10:14 Paulo pergunta: “Como ouvirão, se não há quem pregue?”. Ele não diz: “Como ouvirão, se não há um ator, um palhaço”? O mundo naqueles dias era repleto de artes dramáticas e ginásticas retóricas. Mas, os arautos do Reino de Cristo mantiveram-se apáticos a tudo isso. Obedeceram o meio indicado por Deus de comunicar o Evangelho – pregação por meio de palavras sem malabarismos teatrais, sem humorismo, sem comédia.

A pregação duarteana revela seu verdadeiro gosto mundano. Atrai os mundanos pelo humor acoplado a um arrependimento fantasioso. As pessoas fazem profissão de fé superficial e enganosa, pois a faz através da madeira, feno e palha que recebem (I Co 3:12).

A pregação deve explicar as histórias da Bíblia por meio da mensagem clara e literal sem a adição do humor. A pregação deve expor a revelação verbal de Deus sem seguir sua forma de apresentação. A Bíblia contém muitos poemas, provérbios e salmos, nunca piadas. O Antigo Testamento tem representações dramáticas, mas o roteiro era todo escrito por Deus e pretendiam ser nada mais que ilustrações às profecias. Ademais, as representações eram sérias. Nunca destinadas a alcançar as pessoas pelo riso.

O Evangelho duarteano defende que o humor aplicado à pregação tira as pessoas do endurecimento deixando-as dispostas a ouvir o Evangelho.

Quando Deus enviou o profeta Ezequiel para falar a Israel, ele ordenou: “Filho do homem, vá agora à nação de Israel e diga-lhe as minhas palavras” (Ez 3:4). Deus também diz: “Israel não te dará ouvidos, porque não me quer dar ouvidos a mim, pois toda a nação está endurecida e obstinada”. Observe que Israel estava indisposto para ouvir o profeta. Se Ezequiel expusesse as palavras do Senhor humoristicamente tiraria o povo do endurecimento? Da obstinação? Claro que não! Piada com o céu, o inferno e o calvário é vitupério.

O Evangelho duarteano para defender o uso do humor na pregação cita Provérbios 17:22: “O coração alegre é bom remédio”. O versículo não indica como alguém se torna alegre. Eu posso ficar alegre lendo a genealogia de Cristo. Eu posso me alegrar com a libertação de Paulo e Silas da prisão quando louvavam ao Senhor.

O humor na pregação carrega uma interpretação subjetiva dos textos bíblicos e o descaso com o significado real pretendido dos textos. Os ouvintes entendem as piadas que se faz com as passagens bíblicas, porém perdem a verdade teológica que elas pretendem comunicar.

Os apóstolos pregaram sobre o significado e as implicações das narrativas bíblicas. Expuseram as revelações dadas a eles através de inspiração especial, porém eles não se utilizaram de gaiatice, nem de anedotas como instrumentos para ensinar as verdades bíblicas.

O pregador deve expor o Evangelho, suas narrativas, suas parábolas e até mesmo o livro de Apocalipse usando uma linguagem clara para explicar as figuras de linguagem sem usar o humor para explicar as verdades contidas.

O humor distrai e oculta a verdade do Evangelho. O modo apropriado de fazer sermão que conduz à genuína conversão é aumentar o conteúdo doutrinário, sem a adição de piadas e brincadeirinhas engraçadas. Portanto, diga não ao Evangelho duarteano!

Tenho dito,
Ir. Marcos Pinheiro