terça-feira, 19 de julho de 2011

EXECUTIVOS DO PÚLPITO

EXECUTIVOS DO PÚLPITO

O colapso da igreja evangélica pode ser atribuído a uma série de fatores. Porém, ultimamente a igreja tem sido veementemente bombardeada pelo secularismo. Muitos pastores estão convertendo o sistema estrutural da igreja em uma entidade baseada mais nos princípios do mundo empresarial do que nas instruções da Palavra de Deus. Como conseqüência, a igreja passa a operar como empresa e o pastor emula a personalidade de um executivo. A estratégia é adotar o sistema gerencial da modernidade, ou seja, definir metas e objetivos, fazendo-os compreensíveis para cada membro da igreja. O pastor passa, então, a ser julgado como um homem de negócios, um executivo, e não pela sua capacidade de pregar, ensinar e aconselhar. O importante é a sua capacidade de fazer a igreja funcionar eficientemente em termos de arrecadação. Um executivo do púlpito disse: “Pense na igreja como uma agência de serviço, uma entidade que existe para satisfazer as necessidades das pessoas”. Vender Jesus é uma arte do executivo-pastor. Na igreja do executivo-pastor o evangelismo nem de longe é focado em Deus, mas antes, nos consumidores. Em suas mensagens, o executivo pastor, usa ditados populares, gírias e emprega incorretamente as ferramentas da exegese e da hermenêutica. Eles são numéricos e quantitativos, por isso o estilo humorístico prevalece para prender a platéia. Portanto, não há diferença entre suas igrejas e qualquer negócio em que se usa telemarketing. Os executivos-pastores são marqueteiros ardilosos cuja estratégia principal é tentar persuadir as ovelhas que têm os mesmos interesses que eles. São ostentadores de títulos e com altivez se adentram na igreja com sua pasta de executivo exibindo seus anéis nos dedos. E a Bíblia? Está dentro da pasta. Geralmente têm uma poupança gorda, carro do último tipo, jatinhos, além de residirem em mansões. Uma característica dos executivos do púlpito é que à semelhança de Arão, eles subjetivam a Palavra de Deus e dizem: “Amanhã, será a festa ao Senhor”, porém os elementos da festa são padronizados pelos livros seculares de marketing. Em muitos seminários os seminaristas estão sendo treinados muito mais em habilidades publicitárias, negócios e marketing do que em teologia e aulas de aconselhamento pastoral. Todos esses futuros pastores serão gerentes de um negócio “espiritual” e transformarão suas igrejas em empresas com tintura religiosa. Em suma: esses seminários são verdadeiras fábricas de lobinhos. No mundo empresarial constatamos que muitas lanchonetes inicialmente vendiam somente sanduíches, depois passaram a oferecer café da manhã, e depois almoço. A implicação disso consiste na visão de que é imbuído o executivo do púlpito, ou seja, a exemplo das lanchonetes, a igreja deve descobrir o que as pessoas querem e oferecer-lhe isso sem considerar os aspectos doutrinários.
O princípio norteador dos executivos do púlpito é extremamente humanista, pois procuram mensurar o intangível e o sobrenatural. Usam uma escala de receptividade onde os incrédulos são classificados como altamente resistentes ao evangelho, indiferentes ao evangelho e altamente receptivos ao evangelho. Segundo os executivos-pastores, a construção e a quantificação dessa escala servem como base para a evangelização e possibilita melhor utilizar os obreiros e maximizar a distribuição de recursos da igreja. A construção de escala bem como a sua quantificação é usada por empresas no lançamento de novos produtos. Materializar a obra do Espírito Santo é ultrajar a soberania de Deus. Subordinar as ações soberanas do Espírito Santo às equações e escalas da engenharia da qualidade total é fazer da igreja uma empresa, é colocar Deus na periferia. Não é o mapeamento da receptividade ao evangelho, nem a aplicação específica de qualquer técnica ou metodologia empresarial, nem o estabelecimento de alvos numéricos que fazem a igreja ser igreja. O que faz a igreja ser igreja é ela viver na presença dEle, depender da graça dEle e obedecer a Sua Palavra. Dentro da vontade prescritiva de Deus, isto é, seus mandamentos, seus ensinamentos, suas diretrizes, seus aconselhamentos e suas admoestações, a igreja tem a responsabilidade e o deve de planejar suas ações, mas não de arbitrar as metas e resultados numéricos que só a Deus pertence. A igreja não é empresa para aferir a validade de suas ações. O profeta Isaías foi mandado a pregar, já com a certeza da rejeição e da ausência de resultados (Is 6:9-11).
É preciso entender que a igreja constitui-se de pessoas que provaram a graça de Deus na pessoa de Jesus Cristo identificando-se com Ele na Sua morte e ressurreição. A igreja não depende do modelo empresarial para sobreviver, pois ela vive e sobrevive por ser o corpo de Cristo na terra. A igreja é sobrenatural, nasceu no coração de Deus (Ef 1:4) e está edificada sobre o Senhor Jesus. A igreja que não é empresa fica com a Bíblia, toda a Bíblia e nada mais do que a Bíblia!
A verdade é que o executivo-pastor trouxe o modelo empresarial para dentro da igreja e minimizou a função do Espírito Santo. Precisamos de novos Luteros, novos Calvinos e novos Zuínglios que toquem a trombeta e coloquem abaixo as igrejas travestidas de empresas. Precisamos não de ajuntamento social, mas de comunhão orgânica dos santos. Precisamos de uma fé bíblica e não de uma fé comercial. Precisamos ruminar a Bíblia Sagrada e não os livros de “Relacionamentos e Vendas”. Precisamos de homens que dobrem os joelhos não diante do cogumelo empresarial, mas diante da videira verdadeira. Precisamos de pastores que sejam provedores espirituais do rebanho e não de pastores materialmente bem providos pelos fiéis. Precisamos não de executivo-pastor, mas de pastor-pastor.

Ir. Marcos Pinheiro





4 comentários:

  1. A PAZ DO SENHOR,IRMÃO!MUITO REALISTA A POSTAGEM!A REALIDADE DAS NOSSAS IGREJAS PRODUZ EM MIM UM MISTO DE TRISTEZA E REVOLTA!OBSERVA-SE QUE NÃO SÓ O PASTOREADO,COMO OS DEMAIS MINISTÉRIOS E DONS ESPIRITUAIS ESTÃO SENDO USADOS DE FORMA OPOSTA AO PROPÓSITO DE DEUS QUANDO OS INSTITUIU.
    NA VERDADE TUDO QUE DEUS NOS DÁ ESPIRITUALMENTE É PARA GRANJEARMOS MAIS PARA ELE,É PARA SUA GLÓRIA,PORÉM O QUE ESTÁ ACONTECENDO É DIFERENTE,AS PESSOAS ESTÃO USANDO OS TALENTOS DE DEUS PARA GRANJEAREM PARA ELAS MESMAS!!!
    SABE,DEUS CAPACITA O HOMEM PARA USÁ-LO PARA O BEM DA SUA OBRA E EXALTAÇÃO DE SEU NOME,PORÉM HOJE,O HOMEM ESTÁ SE CAPACITANDO E USANDO DEUS PARA SEU PRÓPRIO BEM E EXALTAÇÃO DE SI MESMO!
    OS PASTORES SÃO OS DIRETORES,OS CANTORES E PREGADORES,ARTISTAS,ETC...SEM CONTAR QUE AS PESSOAS ESTÃO CADA VEZ MAIS ASPIRANDO CARGOS NA IGREJA,MAS NA VERDADE,NÃO É PORQUE AMAM A OBRA DE DEUS E QUEREM CONTRIBUIR COM SEU SERVIÇO A DEUS,MAS PARA SEREM VISTAS!
    OUTRO DIA,EU DISSE NA MINHA IGREJA QUE A IGREJA ESTÁ TÃO PARECIDA COM EMPRESA QUE QUANDO ALGUÉM CRESCE NO SEU MINISTÉRIO ESTÁ IGUAL QUANDO ALGUÉM SOBE DE CARGO EM UMA INSTITUIÇÃO,DE DIÁCONO,ELE PASSA PARA PRESBÍTERO,E DE PRESBÍTERO PARA PASTOR...E MUITAS VEZES ESSA UNÇÃO NÃO É DIRECIONADA NEM CONFIRMADA POR DEUS!O ENGRAÇADO,SE É QUE SE PODE DIZER ASSIM,É QUE O FULANO QUE MUDOU DE POSIÇÃO FICA SE SENTINDO MAIS SUPERIOR,SÓ QUE SE ESQUECE QUE ÀQUELE QUE MAIS FOR DADO,MAIS SERÁ COBRADO!

    “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os
    pastores apascentar as ovelhas? Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o
    cevado; mas não apascentais as ovelhas! As fracas não fortalecestes, e a
    doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a
    trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e
    dureza."EZEQUIEL 34:2-5
    AI DESSES QUE FAZEM A OBRA DE DEUS DE QUALQUER MANEIRA E PENSAM QUE POR SEREM BEM SUCEDIDOS,DEUS ESTÁ AGRADANDO DO SEU TRABALHO E O EXALTANDO!COMO SE ENGANAM!O BOM PASTOR É AQUELE QUE DÁ A VIDA PELA SUAS OVELHAS,O MAIOR É AQUELE QUE SERVE,NÃO É SERVIDO!QUE DEUS LEVANTE PASTORES DE VERDADE!!!

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  2. Infelismente, irmã Juliana essa hierarquia: diácono, presbítero, evangelista , pastor tem causado politicagem e nepotismo em muitas igrejas. Aqueles que bajulam mais e fecham os seus olhos para as heresias em suas igrejas são os que "sobem" nessa hierarquia.

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  3. Belo texto irmão.

    Essa parte foi conclusiva e verdadeira.

    Precisamos de homens que dobrem os joelhos não diante do cogumelo empresarial, mas diante da videira verdadeira. Precisamos de pastores que sejam provedores espirituais do rebanho e não de pastores materialmente bem providos pelos fiéis. Precisamos não de executivo-pastor, mas de pastor-pastor.

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  4. Oremos, irmã Patricia, para que a igreja volte às raizes identificando-se com Cristo.

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