CARTA ABERTA AOS PASTORES-PROXENETAS DOS
MEGA-TEMPLOS
Pastores-proxenetas, vocês
têm nome de que vivem, mas estão mortos!
Vocês azedaram e
prostituíram o ambiente da igreja do Senhor Jesus Cristo ao
institucionalizá-la. Vocês, pastores dos mega-templos, ao abandonarem a visão
teológica da igreja, transformaram o pastorado em emprego e a igreja em
empresa. Vocês se especializaram em aplicar regras de administração empresarial
no corpo de Cristo, em vez de buscar os princípios bíblicos pelos quais a
igreja deve nortear não somente a doutrina, mas sua vida em todos os aspectos. Na
verdade, vocês praticam o proxenetismo, ou seja, procuram e administram
clientes para uma igreja que vocês mesmos prostituíram espiritualmente.
O maior inimigo da igreja de
Cristo, hoje, não é o Islã, nem a oposição da mídia, mas vocês, proxenetas do
século 21. Na visão espiritual bem limitada do que vem a ser igreja, vocês
fizeram com que a igreja deixasse de ser a comunhão dos santos, onde os remidos
se reúnem para adorar a Deus e testemunhar de Cristo, e passasse a ser uma
prestadora de “serviços espirituais”. Vocês perderam o conceito
neo-Testamentário do que vem a ser igreja. O conceito de igreja foi de tal modo
institucionalizado por vocês que está associado a uma organização jurídica com
sentido de lucro-benefício. A igreja existe para dar lucro. Nesse contexto,
vocês vivem derrubando celeiros e construindo outros maiores para aumentar seus
impérios econômicos. Na ótica anti-bíblica de vocês, a igreja é o lugar aonde
as pessoas vão, quando na verdade, a igreja são as pessoas.
A igreja no conceito neo-Testamentário
deve ser vista como uma família e não como uma instituição. A igreja surgiu ao
pé da cruz. Ela brotou no calvário. Quando Jesus disse: “Desejei ardentemente
comer esta páscoa convosco” (Lc 22:15) Ele delineou a igreja. A páscoa era uma
cerimônia familiar. O Senhor Jesus, assume os 12 discípulos como sua família.
Isso vocês descartaram.
Na cruz, Jesus viu sua mãe,
e perto dela o discípulo a quem Ele amava. Ele disse à sua mãe: “Aí está o teu
filho” e ao discípulo disse: “Aí está a tua mãe”. Daquela hora em diante, o
discípulo a recebeu em sua família (João 19:25-27). Portanto, a igreja é uma
família que nasceu ao pé da cruz. E, a cruz inter-relaciona as pessoas.
Relacionamentos, fraternidade mútua e pessoalidade, são a essência da igreja.
Para vocês, proxenetas dos mega-templos, relacionamentos, fraternidade mútua e
pessoalidade são fantasias. Vocês institucionalizaram a igreja levando-a a
perder a essência do cristianismo. Vocês conseguiram colocar a igreja no
formol. Embalsamaram-na.
Vocês estão tão cegos que
não percebem que o mais importante na igreja, depois de Jesus Cristo, são as
pessoas. Para vocês, programas, métodos, ideologias eclesiásticas, prédios e
departamentos valem mais do que gente. Aliás, vocês criaram departamentos para
tudo chamando-os impropriamente de ministério: ministério de marketing,
ministério de psicologia, ministério de música, ministério de danças,
ministério de teatro, ministério desportivo. Só está faltando o ministério da
beleza, uma vez que os desfiles de moda é notório nos corredores do templo
faraônico.
Pastores-proxenetas, se
vocês não sabem, foi por pessoas que Cristo morreu. Foi gente e não programas,
métodos, prédios e departamentos que Ele comprou para Deus Pai no Gólgota.
Igreja não é instituição, prédio ou império econômico. Igreja é gente pela qual
Cristo deu a sua vida. A atitude abominável de Vocês é que colocaram as pessoas
em segundo plano. Jesus sempre considerou as pessoas como relevantes, como
prioritárias. Em João capítulo 5 relata uma festa dos judeus em Jerusalém. A festa
acontecia no templo. Mas, Jesus não vai ao templo, e sim ao tanque de Betesda
onde estavam pessoas que não podiam participar da festa nem entrar no templo.
Sabe por quê? Porque pessoas valem mais que templo. Valem mais que festa. Vocês
não entendem que vida da igreja como família de Jesus é mais importante que o institucionalismo
pesado que vocês submeteram a igreja.
Vocês reduziram a vida
cristã das pessoas à ida ao suntuoso templo onde a membresia se comporta como
num teatro assistindo um drama que se desenrola, desenvolvido por artistas
gospel. É preciso entender que vida Cristã não é vida de drama. Vida cristã não
é circo. Vida cristã não é teatro, não é louvorzão no templo. Vida cristã é
vida com Deus e interação com as pessoas em amor, solidariedade e auto-doação.
Lamentavelmente, cimento, pedra, ferro, areia, granito, programas, métodos,
ideologias eclesiásticas e departamentos têm sido as serpentes de metal
adoradas por vocês. Nos mega-templos de vocês prevalece a competição, o
corporativismo, o partidarismo e os grupinhos. A dor de um, não é a dor do
outro. A alegria de um, não é a alegria do outro. O sucesso de um, não é o
sucesso do outro. O fracasso de um, não é o fracasso do outro. Não há apoio
mútuo. Levas as cargas pesadas uns dos outros? Nem pensar.
Vocês não conhecem o estado
de suas ovelhas. Vocês nunca usaram a toalha e lavaram os pés de suas ovelhas.
O alvo de vocês é o cetro. Vocês almejam o poder de visibilidade, de mando e de
manipulação. Vocês não querem ser servos, querem ser “O Cara”. Vocês estão
doentes, e muito doentes. Vocês estão acometidos da doença “evidencite”. Vocês
são como empresa: querem está sempre em evidência. Vocês sempre buscam a glória
própria. O termo “servo” para vocês tem conotação de nobreza. É tratamento
aristocrata, nobiliárquico. Vocês esqueceram que servo obedece e não manda, não
manipula. Servo é pequeno.
Finalmente, vocês
pastores-proxenetas, são a “Alice no País das maravilhas”. “Onde fica a saída?”
Perguntou Alice ao gato que ria. “Depende”, respondeu o gato. “De que?”,
replicou Alice; “Depende de para onde você quer ir”. Sem um caminho a seguir,
qualquer caminho para vocês serve; inclusive o inferno para onde vocês vão!
É o que tenho a dizer.
Ir. Marcos Pinheiro
Bom dia, entrei para olhar seu blog e me deparei com esse texto realmente verdadeiro. É triste ver o evangelho se transformar em comércio, onde os mega-templos são mais importantes que os cultos nos lares, as igrejas tradicionais, aquelas em que todos se sentem em casa, tendo comunhão com os irmãos... Hoje parece um estúdio de programa de televisão, as pessoas vão para "marcar encontro", sentam em confortáveis cadeiras, assistem um "animador de auditório", e vão embora.
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