terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O CRENTE E A POLÍTICA (PARTE IV)

O CRENTE E A POLÍTICA

O caso de José de Arimatéia


Alguns afirmam que no Novo Testamento temos um crente político: José de Arimatéia era senador. Portanto, por que o crente não pode concorrer a um cargo político?
Muitas histórias surgiram com respeito a José de Arimatéia, inclusive a de que ele teria evangelizado na Inglaterra. Sua riqueza seria proveniente de minas de estanho, que a família possuía na Inglaterra. Fala-se também que ele teria sido o portador do cálice da última santa ceia para a Gã-Bretanha, onde foi escondido e não encontrado. Entretanto, a história real que temos sobre José de Arimatéia está limitada aos registros bíblicos, que estão em: Mt 27:57-60; Mc 15:43-46; Lc 23:50-56 e Jo 19:38-42. Destes trechos extraímos que: ele era rico, seu nome era José e era procedente da região de Arimatéia (Mt 27:57); era membro do Sinédrio (Lc 23:50, Mc 15:43); era discípulo de Jesus e esperava o Reino de Deus (Mt 27:57, Mc 15:43, Lc 23:51, Jo 19:38); era um homem justo (Lc 23:50); não tinha concordado com a resolução do Sinédrio, que havia condenado a Jesus (Lc 23:51); temia os judeus e não declarava explicitamente que seguia os ensinamentos de Jesus (Jo 19:38); José de Arimatéia tinha trânsito livre com as autoridades, pois falou diretamente com Pilatos e conseguiu a guarda do corpo de Jesus (Mc 15:43, Mt 27:58, Jo 19:38); pessoalmente, Arimatéia manuseou o corpo de Jesus e o colocou no seu túmulo, que era novo, ele rolou a pedra que selou o túmulo (Mt 27:59-60, Lc 23:53, Mc 15: 45-46). Os registros bíblicos não nos permitem concluir definitivamente que José de Arimatéia fosse crente, um homem nascido de novo. É preciso lembrar que muitos seguiam Jesus, mas que poucos realmente entenderam quem ELE era. José de Arimatéia “esperava o Reino de Deus” na visão judaica, ou seja, a restauração do reino de Israel através de um Messias “os que estavam reunidos lhe perguntavam: Senhor será este o tempo em que restaures o reino a Israel” (Atos 1:6). José de Arimatéia era “bom e justo” no aspecto ético e moral. Mas isso não implica necessariamente que fosse salvo. Nicodemos também era correto, não corrupto e reconhecia, como José de Arimatéia, ter Jesus vindo de Deus, no entanto Jesus disse que Nicodemos precisava nascer de novo. Em Mt 27:57 diz que José de Arimatéia “era discípulo de Jesus” e em em Jo 19:38 diz que ele “era discípulo oculto”. A Bíblia diz em Mc 15:43 e Lc 23:51 que José de Arimatéia “esperava o Reino de Deus”. A palavra “discípulo”, em Mateus e João, tem uma conotação genérica que não implica necessariamente compromisso com Jesus. Jesus fez um discurso e muitos de seus discípulos o abandonaram e já não andavam com Ele ( Jo 6:66), ou seja, muitos seguiam Jesus mas não passaram pela experiência do novo nascimento, não entendiam realmente quem ELE era. Portanto, não há como querer justificar o engajamento do crente na política tomando como exemplo José de Arimatéia. Aliás, mesmo que José de Arimatéia tivesse nascido de novo, não há nenhuma garantia de que ele permaneceu como senador ou que tenha realizado campanha política para disputar o cargo.
Muitos candidatos evangélicos alegam: “votem em mim, porque é melhor ter um governante crente do que um ímpio no poder”. Esse raciocínio é contraproducente, pois entra em choque direto com a soberania de Deus. Deus é Senhor Soberano de tudo, e tudo o que acontece, acontece por Sua permissão. Em Romanos 13:1, a Bíblia diz “toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há, foram ordenadas por Deus”. Isto quer dizer que o governo civil, assim como tudo mais na vida, está sujeito à lei de Deus. O Senhor é quem ordena a autoridade civil. Jesus disse a Pilatos: “nenhum poder terias contra mim, se de cima te não fosse dado” (Jo 19:11). Até a autoridade do ímpio vem de Deus. Toda autoridade é constituída por Deus, seja ele crente ou ímpio. E, na Sua Soberania, Deus pode usar até um ímpio para fazer uma justa administração. Deus está acima de tudo e pode fazer cumprir a Sua vontade por meio de homens maus quanto por intermédio de homens bons.
Alguns dizem: “a igreja precisa de representantes crentes no poder para defender a liberdade da pregação do Evangelho”. A igreja nunca precisou e nunca vai precisar de representantes no Congresso Nacional para realizar sua função. Os períodos em que mais a igreja cresceu em número e qualidade foram aqueles em que a igreja não tinha qualquer representante político. Foram nos períodos de perseguições que a igreja mais cresceu. Durante o início da igreja cristã, os crentes foram perseguidos ferozmente pelo império romano. Muitos foram torturados, outros mortos. As leis existentes não eram propícias à liberdade religiosa e mesmo assim a igreja cresceu tanto em quantidade como em qualidade. Durante muitos anos, no Brasil, a igreja evangélica não tinha representantes políticos e crescemos mesmo assim. A igreja nunca deixou de existir tendo liberdade ou não, e sempre vai existir, porque Deus é soberano, é o dono da obra e Sua obra vai avançar tendo liberdade ou não de pregar o Evangelho. Pensar que precisamos de representantes no Congresso Nacional é admitir, que não temos fé suficiente para crer na administração do Deus invisível, o grande EU SOU.
Aqueles que defendem a idéia de os crentes se engajarem na política dizem: “a igreja precisa de representantes evangélicos no poder para melhorar a condição do país”. Esse é um engano crasso. Querer atribuir a função da igreja a um parlamentar crente é desconhecer a missão da igreja de Cristo. A igreja tem de influenciar o Brasil e o mundo, e isto não se fará através de leis, mas através da genuína pregação do Evangelho. Querer fazer leis com princípios cristãos objetivando melhorar as condições morais e éticas do país é reconhecer a ineficácia da igreja e banalizar o poder do Evangelho. Em Atos 17:6, lemos “estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui”. A igreja primitiva transformou o mundo não pelo engajamento político, mas pregando Cristo crucificado e ressuscitado. Um homem temente a Deus não rouba, não mente, não mata, não adultera, não recebe propinas, ama ao próximo, é íntegro em suas relações comerciais, paga devidamente seus impostos, é submisso às autoridades constituídas. Isso somente é possível através de um encontro genuíno com Deus. A função de transformar homens ímpios e perdidos em homens tementes a Deus não é de parlamentar ou governante algum, mas sim da igreja. Não precisamos de um vereador evangélico para pregar o Evangelho, nem de um deputado, nem de um senador. Estado é Estado, igreja é igreja. O problema do mundo não é político, é pecado. Não será um político que trará a bem-aventurança, mas o colocar-se sob o controle de Cristo. A Bíblia diz: “feliz a nação cujo Deus é o Senhor” e não diz “feliz a nação cujo governante é crente”.
Ir. Marcos Pinheiro

5 comentários:

  1. O 'Caso José de Arimatéia', postado aqui é S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L. Tem que ser reproduzido, e fixado nas igrejas em todo o país

    ResponderExcluir
  2. Prezado Marcos Pinheiro: Segundo suas próprias colocações no final deste texto, podemos ter políticos sob o controle de Cristo ! ! !

    ResponderExcluir
  3. ENTÃO O QUE VC ME DIZ DE JOSÉ GOVERNADOR?
    VC NÃO PODE DIANTE DE SUA OPINIÃO DIZER QUE NÃO PRECISA DE CRISTÃOS NA POLITICA
    SE FOSSE COMO VC ESTÁ DIZENDO, PORQUE JESUS DISSE QUE QUANDO O JUSTO GOVERNA O POVO SE ALEGRA?

    ResponderExcluir
  4. ENTÃO O QUE VC ME DIZ DE JOSÉ GOVERNADOR?
    VC NÃO PODE DIANTE DE SUA OPINIÃO DIZER QUE NÃO PRECISA DE CRISTÃOS NA POLITICA
    SE FOSSE COMO VC ESTÁ DIZENDO, PORQUE JESUS DISSE QUE QUANDO O JUSTO GOVERNA O POVO SE ALEGRA?

    ResponderExcluir
  5. ENTÃO O QUE VC ME DIZ DE JOSÉ GOVERNADOR?
    VC NÃO PODE DIANTE DE SUA OPINIÃO DIZER QUE NÃO PRECISA DE CRISTÃOS NA POLITICA
    SE FOSSE COMO VC ESTÁ DIZENDO, PORQUE JESUS DISSE QUE QUANDO O JUSTO GOVERNA O POVO SE ALEGRA?

    ResponderExcluir