domingo, 24 de janeiro de 2010

O EVANGELHO LIGHT

O Evangelho Light

Os antigos romanos desenvolveram uma obsessão pelo pão e circo, e passavam grande parte do seu tempo buscando novas emoções no coliseu, onde os cristãos eram mortos de um modo a proporcionar prazer às multidões. Esse quadro histórico nos faz enxergar, o que a filosofia pós-moderna conseguiu promover no meio da igreja cristã atual: o evangelho light. Igrejas historicamente doutrinárias se enveredaram por caminhos duvidosos em busca de resultados, sob o comando da máxima filosófica “o fim justifica os meios”. Vale, inclusive, recorrer ao marketing religioso, às técnicas comerciais de vendas onde a “salvação” passa a ser um produto oferecido nos púlpitos da forma mais light possível. Há um novo evangelho, um novo cristo, uma nova fé, tudo mais leve, mais fácil, mais light, mais ao gosto do cliente. Objetivando atingir rapidamente mais adeptos e tornar-se bastante popular, o evangelho light adota o que se chama de filosofia da igreja aconchegante, saudável. Nesse contexto, as mudanças são profundas, tanto na visão teológica de Deus, quanto no funcionamento da igreja e até mesmo na arquitetura dos templos.
As igrejas do evangelho light desenvolveram uma série de doutrinas que excluíram as exigências do verdadeiro cristianismo, ou seja, a autonegação, o escândalo da cruz e o sangue de Jesus no contexto da vida eterna. A verdade é que as “novas” doutrinas do evangelho light favorecem a aversão natural que o homem demonstra para com o negar-se a si mesmo, porque ameniza esta aversão na medida em que pratica um tipo de “culto” centrado nos sentimentos e nos desejos carnais deste mundo vil. A ênfase é satisfazer os seus ouvintes numa espécie de “culto” do prazer acompanhado de todo tipo de soluções mágicas. Nessa perspectiva, os ouvintes são recrutados por oferecer-lhes um ambiente de calor humano no qual as pessoas comem, bebem e são entretidas. Em suma: a igreja passa a funcionar como um clube, um barzinho, do que como uma casa de adoração.
Na teologia light, as orações e os cânticos são meios de auto-ajuda e auto-aceitação. O resultado disso é a sensação de se ir para casa “descarregado” e sentindo-se bem, contudo, sem se ter verdadeiramente adorado a Deus. O líder light diz muitas coisas boas sobre o Senhor Jesus ao oferecer as Suas bênçãos a todos os cristãos, porém, sua teologia é sem alma, pois, não menciona as destrutivas conseqüências do pecado nem o futuro negro dos desobedientes no contexto da ira de Deus. A mensagem do líder light é mais sobre redução de stress do que salvação, mais terapêutica que teológica. Assim, a fé passa a ser terapeuticamente direcionada e comercialmente inspiradora. Os meios para a santificação progressiva e um viver bíblico mudou de bíblico para terapêutico. O resultado é como o profeta Jeremias advertiu em seus dias: “curam superficialmente a fenda do meu povo” (Jr 6:14)
A coqueluche dos pregoeiros do evangelho light é a construção de mega-igrejas. Os bancos de madeira deram lugar às poltronas confortáveis e a ventilação natural deu lugar às centrais de ar-condicionado. A cerâmica é obsoleta, tudo tem que ser de granito. Os púlpitos deram lugar aos palcos e o pior, os cultos a Deus transformaram-se em shows de entretenimento. É verdade que o templo de Salomão foi magnífico, mas, sua construção foi ordenada por Deus que o projetou de forma especial. Tanto o tabernáculo no deserto quanto o templo que o sucedeu eram uma alegoria dos bens futuros, isto é, Cristo e o céu (Hebreus 9:9-11). Portanto, templos suntuosos e luxuosos são abomináveis a Deus. Para os líderes light o negócio é encher os bancos, é crescimento anabolizante. Há pessoas que gostam de ter um corpo grande, forte, musculoso e, para atingir esse crescimento, fazem qualquer coisa, inclusive tomar anabolizantes, que dão excelentes resultados quanto ao crescimento da massa corporal. O problema é que os anabolizantes acabam por matar o corpo, através de cânceres, ataque cardíaco e outras seqüelas. Assim tem sido as igrejas orientadas pelo evangelho light apresentam seqüelas irreparáveis terminando em morte espiritual. O problema dos líderes light é que eles fazem a igreja crescer baseados nos princípios de Edward Demming, Peter Drucker ou em livros de Marketing, descartando a metodologia prescrita na Bíblia. Isso mascara o fato horrendo que a maioria dos “convertidos” pode, na verdade, ser formado por não convertidos, pois, a conversão é um mero exercício de persuasão humana e não um milagre da parte de Deus.
A igreja foi instituída para crescer, Jesus estabeleceu essa missão à igreja quando disse: “o evangelho será pregado por todo o mundo”. Em Atos 4:3 nos informa que toda a igreja orava e tendo eles orado “todos ficaram cheios do Espírito Santo”. O resultado visível foi unidade, ousadia e crescimento. Em Atos 9:31 registra que em razão dos cristãos andarem no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo as novas igrejas que surgiram da dispersão da igreja de Jerusalém, cresciam. Vale salientar que o crescimento numérico nunca foi abordado, no Novo Testamento, como o interesse primário da igreja. O crescimento vinha como conseqüência dos cristãos serem cheios do Espírito Santo e andarem no temor do Senhor. Lamentavelmente, os líderes light se recusam a reconhecer os sinais dos tempos e continuam a derribar celeiros para construir outros maiores (Lucas 12:18). Eles estão satisfeitos em reter o status quo atual. Reconhecem que sacudir o banco com a sã doutrina significaria a perda de poder, de prestígio e até da sua aposentadoria de modo que os negócios devem prosseguir da forma habitual – construir mega-igrejas. Portanto, se você olhar ao redor no próximo domingo e perceber que está no meio de uma grande congregação que gravita em torno de um líder que prega uma mensagem aprazível, adocicada, festeira, gaiata ... humorística, sua nutrição é light, é pão e circo!
Ir. Marcos Pinheiro

2 comentários:

  1. A idéia de pão e circo diz mais a respeito daquelas igrejas fundamentalistas que cresceram muito no norte da américa no qual se importam mais com a quantidade de almas salvas e em fazer a missão que eles julgam ser da igreja que seria proclamar o reino de deus, que para eles seria somente dizer ao próximo, basicamente, que Cristo é a salvação e deve-se confessar ele como seu salvador etc...

    Quanto a igreja ser um lugar aconchegante creio que deva ser mesmo, pois a igreja deve ser um lugar de acolhimento, não deveria nem conter portas, deveria ser um lugar aberto a todos que precisem de ajuda! Para que se faça o reino de deus em seu sentido mais profundo, e para que isso aconteça é preciso que todos estejam envolvidos cuidando e amando o próximo.

    A exigência do cristianismo acredito que consista numa ação social em prol dos excluídos e necessitados da sociedade, numa transformação de vida das pessoas e em um novo modo de ver as coisas, o cristianismo para mim seria um modo de ver o mundo tendo como exemplo Jesus Cristo.

    Acho que a proposta do evangelho além de envolver uma responsabilidade social seja também o nosso bem estar, que seria na verdade uma conseqüência do reino de deus.

    "sua teologia é sem alma, pois, não menciona as destrutivas conseqüências do pecado nem o futuro negro dos desobedientes no contexto da ira de Deus". Teologia com alma?? teologia nem deve ter alma por que não tem nada a ver com o evangelho, teologia é só uma ferramenta que nos ajuda a compreender, com nossas limitações, Deus.
    Ira de Deus?? bom... meu Deus é um Deus de amor, no qual sua alegria seria curar mais do condenar, tratando-se porém de um Deus de amor, todos os outros sentimentos seriam submissos a esse.

    "a conversão é um mero exercício de persuasão humana"?? se a conversão é isso mesmo então os "líderes light" estão certos em investir no visual da igreja e deixa-las super equipadas etc... Acho que a conversão aconteceria a partir do momento em que uma pessoa passasse a ver o mundo de uma forma diferente, com a essência das lentes de Cristo!

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